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Diário de Agosto/2011


postado por Nando Mello
Acústico, por que não?

Para escrever o diário de agosto de 2011, voltarei no tempo. Para ser mais preciso, cerca de três ou quatro anos atrás. Logo após o lançamento do TROYC, passamos a incorporar em nosso set um formato acústico. Uma grande parte de nossas composições foram feitas em violões. Por exemplo , “To Tame a Land”, “When The Darkness Takes You” e mais recentemente algumas músicas do Infallible nasceram assim também.

Além de dar continuidade a este fato, que faz parte da história musical da banda, achamos satisfatório incluir um formato que pudesse, ao mesmo tempo, ser diferente do set normal elétrico e também pudesse ser apresentado em lugares menores, mais introspectivos como escolas, teatros, auditórios etc. A exemplo do que fizemos depois com o “workshow”, abrimos nosso portfólio de apresentações do Hangar com várias possibilidades, ficando a disposição para qualquer tipo de local ou ambiente. O formato acústico faz parte da nossa formação. Eduardo Martinez é Bacharel em Composição e Violão e todos os outros tocam um pouco desse instrumento, além de terem sidos influenciados por bandas e artistas que sempre tiveram essa referência calçada em violões como inúmeros nomes que vão desde Maná, Dave Matthews, os antigos MTVs acústicos, etc etc.

Dentro desse espírito começamos a tocar nosso set acústico em março de 2008. Tivemos até um DVD totalmente gravado nesse formato em maio de 2008, que no entanto não foi lançado por motivos de troca de vocalista. Durante todos esses anos exercitamos o set – e repetindo, fomos influenciados por ele em várias passagens do disco Infallible de 2009. “Based on a True Story” é um bom exemplo disso, além de “Time to Forget” e “Solitary Mind”.

O ano de 2011 chegou e recebemos uma proposta de gravação de um registro nesses moldes, por volta do mês de março. O FX Estúdio abriu as portas para que nós gravássemos o disco, coisa que para qual, dependíamos apenas e tão apenas da nossa disponibilidade. Uma ótima oportunidade de darmos sequência a Infallible Tour antes de lançarmos o próximo CD e a próxima tour em 2012. Se a história fosse simples assim, não seria tão longa.
Problemas

Nós tínhamos agenda praticamente lotada até julho de 2011. Em alguns intervalos poderíamos começar a gravar e assim foi decidido. Porém, um problema não saia da nossa cabeça. Por volta de abril, o Humberto começou a demonstrar a sua insatisfação com alguns problemas particulares. Como estávamos sempre na correria, conversávamos sempre sobre isso e demos um jeito de ir levando, “empurrando com a barriga”. A corda foi esticando e chegou em um momento que tivemos que parar tudo e tomar decisões.

Final de maio nos reunimos para fazer a pré-produção do disco. Refizemos vários arranjos e o Aquiles imediatamente começou a gravar, seguido por mim. Quando se lança um CD, as pessoas em sua maioria não sabem o que isso implica, mas com certeza devem imaginar; envolve uma quantidade de pessoas capacitadas. Engenheiros de som, roadies, produção, horas e mais horas de gravações e muito trabalho. É um trabalho que envolve comprometimento e muito dinheiro, mesmo que às vezes em parceria com alguém. Ou seja, a sua responsabilidade é muito grande!

Saímos para tocar no sul no início do mês de junho. E no dia 12 de junho, na cidade de Osório, após o show nos reunimos e decidimos, em comum acordo, que o Humberto deveria voltar para Manaus depois do nosso último compromisso que teríamos no dia 22 de julho, no SESC Pompéia. A decisão levou em consideração que ele deveria procurar a sua felicidade e nós respeitá-lo quanto aos seus problemas. Foi impactante! O Aquiles até hoje me cobra internamente que eu escolhi todos os vocalistas da banda e sempre acontece alguma coisa e as pessoas acabam indo embora. É claro que eu levo isso na brincadeira, porque eu vejo isso de outra maneira. Eu tenho muita coragem de indicar o cara porque é o melhor para a minha banda no momento. Não há como saber se a pessoa vai apresentar problemas depois, se irá embora, se irá abandonar o barco ou se irá ficar eternamente com a gente. A única certeza que tenho é que nós quatro, que tocamos juntos há cerca de 12 anos, estamos aí, sempre em frente e avante! Eu sei que ninguém tem culpa de nada, as coisas acontecem e as pessoas pensam no que é melhor para elas. Em alguns momentos eu sou bastante rude porque não consigo entender, mas não há o que fazer, somente agradecer o tempo que estiveram conosco e torcer para que as etapas amargas sejam breves para os dois lados.
Gravar com quem?

Enquanto o Humberto cumpria suas datas conosco, quebramos as cabeças pensando em quem poderia gravar o CD e como que conduziríamos isso junto aos nossos fãs, já bastante machucados com as nossas intensas troca de vocalistas. Estive em casa durante o mês de junho, quando o Daniel Fernandes e o Rodrigo Batata, nosso engenheiro de som e técnico de bateria, mostraram-me um clip de uma música chamada “Neblim”. Uma orquestra e o Eloy Casagrande na bateria e uma grande voz, que até então era desconhecida para mim: André Leite. Chamei o Aquiles e mostrei a imagem. Dois dias depois, o Aquiles entrou em contato com o André e começou a explicar a situação a ele. Já estávamos no início do mês de julho e a gravação de violão e teclados já haviam começado. A situação não era confortável para ninguém.

Durante muitos shows vivemos uma situação de total insegurança. Um vocalista em cima do palco com prazo para ir embora e resolver seus problemas, sem prazo para voltar e um outro no estúdio, prestes a gravar um disco novo com o Hangar. Confesso que o mês de julho foi complicado.
Opinião

Quando eu tinha entre 14 e 15 anos, lembro-me de não entender o porque que o Deep Purple tinha trocado de vocalista e baixista. Alguns discos tinham o Gillan e o Glover, outros o Coverdale e o Glenn Hughes. Eu sei que o fã gosta de estabilidade. Na Europa isso é mais comum. O senso de profissionalismo é muito mais aguçado e as trocas nas bandas são vistas como trabalho e nada mais. Aqui, no país “caliente”, a coisa é diferente. As trocas ferem o emocional do cara que gosta da banda, sente-se traído. Como se a banda fosse uma fraude ou qualquer coisa enganosa.

É nessa hora que temos que recorrer ao exercício de pensamento ao contrário. Tentar entender o que a banda passa nesse momento é essencial. Quando aceitamos um novo elemento no grupo temos a sensação de que desta vez acertamos e não há nenhum indicativo de que alguma coisa está errada. A convivência, o tempo , a batalha do dia-a-dia é que fazem a diferença. Se você não está preparado para isso, a fraqueza que é uma inimiga em qualquer circunstância pode ser mortal e desfazer o seu sonho. O sonho da continuidade, no nosso caso, mais uma vez esteve por um fio. Eu posso respeitar o momento do Humberto e dos nossos fãs, mas também tenho que respeitar o momento da banda, das pessoas que estão aqui do outro lado, batalhando, trabalhando, dedicando horas e horas para que o Hangar avance sempre mais. Não há como se esquecer disso, pois aqui só há espaço para a valentia e não antônimos pequenos!
But plugged in

Durante o mês de julho seguimos com as gravações do Acoustic. Os arranjos e os timbres ficaram excepcionais! O baixo para mim, claro, foi um caso a parte. Sendo um disco acústico ele ganhou destaque com linhas já antigas, algumas novas e outras tantas concebidas forçosamente durante a gravação, indo ao encontro dos novos arranjos de bateria.

Conheci o André e fiquei muito impressionado com sua humildade, muito mais com sua afinação e também com a sua postura como artista; muito pró-ativo. O Aquiles passou quase o mês todo envolvido com a produção, mixagem, masterização, capa, fotos etc. Junto com um time de profissionais de respeito como: o Théo Vieira (mixagem, arranjos, voz), Vanessa Doi (direção de arte do encarte e capa), Renan Facciolo (fotos), Ricardo Aquino (técnico de gravação), Durval da Gama (FX Estúdio), Natália Lett (fotos), Arthur Bevilacqua e Pirata (making off), João Duarte e Marina Dickinson (sites, artes e myspaces), Daniel Piquê (direção de arte dos vídeos), Heros Trench (masterização), além de pessoas próximas como a Sônia Paha e sua equipe da Lady Snake, que abraçou esse projeto conosco. São mais de 20 pessoas em sintonia! E é essa junção de ideias e pessoas movidas por um objetivo, que levaram a banda adiante! Foi um alento importante para aquele momento. Passamos a canalizar positividade em volta do processo e de uma data: 10 de setembro.
Última etapa
Na última semana de agosto nos reunimos para a última etapa do CD. Gravamos em São Paulo, no estúdio FX o clip de uma música antiga nossa e que será lançada até o final do ano. Daniel Piquê fez um trabalho muito bom com o pouco espaço que tínhamos. Dois dias depois estávamos em São Sebastião do Paraíso, no estúdio do Daniel, onde registramos o clip da música inédita do disco “Haunted by your Ghosts”.

“Haunted” nasceu de uma ideia pré-concebida pelo Aquiles que imediatamente musiquei no baixo, seguido pela introdução do Fábio e de um verso com ideias do Theo Vieira e do Martinez. Um trabalho em equipe! Tratando-se de uma música sem guitarra com distorção, o recado foi dado. Ela pulsa para cima, que era o que precisávamos para aquele momento.
Futuro

O futuro é o aqui e agora!
Disco novo e vocalista novo!
Nosso trabalho está aí e foi feito de coração. Em 90% dos casos, as pessoas não tem ideia do que acontece dentro de uma banda, portanto fica fácil julgar. Um diário só é escrito após as coisas acontecerem e a vida é cheia de etapas. Nada acontece por acaso. Temos que passar por um momento que nas nossas cabeças não é de incertezas, mas sim de muitas certezas! O que fazemos sempre foi pela banda e pelo melhor para quem gosta dela. Algumas coisas fogem do nosso controle, no entanto se isso acontece, significam que são para o melhor. Não há muros que não possam ser contornados. Nesse curto espaço de tempo nos aproximamos mais ainda e ouvindo a letra de “Haunted by your Ghosts”, percebo algumas palavras que eu mesmo teria dito, mas que acabaram saindo da cabeça e dos dedos de Aquiles em seu notebook, com uma sinergia que eu nunca havia experimentado:

“I will never let you play with my life
Just take a breathe and start again
A brand new day, never the same
There is no time to cry
When you learn to lose
There are no limits in your way
When you share a dream
you don’t look back on yesterday…”

Se você entendeu isso, venha conosco! Pois o trem não pode parar e ele anda a alta velocidade!

Diário

Postado em/Posted on Setembro 16th, 2011 @ 21:49 | 552 views



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