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Diário


Postado em Junho 17th, 2014 @ 21:44 | 397 views

postado por Nando Mello

O episódio Dream Theater e a audição do Aquiles.
Cada vez que publicamos o diário de nossas aventuras costumamos receber várias mensagens de apoio e de consideração de pessoas que nos acompanham elogiando muito a sinceridade e a abertura que damos as pessoas de nos conhecerem como banda e também como indivíduos. Não escondemos praticamente nada e isto cativa muitos de nossos seguidores, fãs e amigos. Seguindo esse perfil, não poderia deixar de escrever sobre este episódio que marcou muito a nossa carreira, mais em particular a de um dos nossos integrantes mais queridos, o Aquiles.

Começo pelo ano de 1992. As paradas eram dominadas por grupos como Guns’n’Roses, Skid Row e até mesmo o Iron Maiden com a sua famosa “balada” Wasting Love. Eu vinha de outra geração, acostumada à repressão contra a música “pesada” que dividia o espaço com o “progressivo”, palavra que deixou de ser usada hoje ou foi substituída por “prog” ou “prog power”. As grandes bandas ainda eram o Led Zeppelin, Deep Purple, Rush, Yes, Pink Floyd, etc. Foi aí que li em uma Rock Brigade de 92 umanota sobre uma banda nova, que dizendo exatamente assim: ”uma mistura de Metallica, Rush e Yes com uma sonoridade atual”. A nota não tinha mais que uns 10centímetros e trazia uma foto da banda e os dizeres “Dream Theater”. Corri para a loja “Megaforce” e perguntei pela banda.

O Ademir, dono do lugar, me trouxe uma “fita cassete”. Você que está lendo sabe o que é uma “fita cassete”? Na época não existia CD nem downloads e a internet comercial demoraria mais cinco anos pra chegar ao Brasil. Sai com afita e escutei em casa pela primeira vez o “Images and Words”. Eu já tocava e a entrada do DT na minha vida causou um impacto muito forte. A banda representava a modernidade para o som que costumava escutar de bandas dos anos 70, principalmente o Yes, que eu particularmente venerava. A abordagem moderna dos músicos, as letras inteligentes, os arranjos eram tudo que eu e vários amigos que se somaram na cidade gostavam de ouvir. A banda se tornou uma referência. Esta admiração seguiu durante os anos em todosos CDs lançados pela banda. Em 99, quando entrei para o Hangar encontrei o Michael, outro “dreamtheatermaníaco”. Embora não fosse uma influência tão clara para o Hangar, era inquestionável a admiração pela banda e seus músicos. Passamos a tocar um “medley” deles. Sim, os “medleys” já existiam para o Hangar desde 99, era um do DT e outro do Pantera. Não lembro bem mas acho que tocávamos “Pull Me Under, Metropolise Under a Glass Moon”.

Mais ou menos uns 12 minutos de música. Também tocávamos “Burning my Soul”. Assim como o Aquiles tem uma grande admiração por um baixista chamado Steve Harris, o contrário acabou acontecendo comigo, Mike Portnoy acabou se tornando um ícone pra mim durante estes anos. Ele representava tudo aquilo que o DT tocava. Chegou 2008 e o DT iria tocar no Brasil em três cidades e por escolha própria decidiria quem iria abrir os seus shows. Fiquei monitorando nosso email diariamente, até que apareceu lá o convite assinado pelo próprio Mike Portnoy, convidando o Hangar para tocar em março de 2008 no show em São Paulo. Lembro que sai falando alto pela casa, a emoção foi muito grande. No dia do show tive a oportunidade de conhecer os caras que sempre admirei. Rudess sempre brincando, sendo acolhedor. Petrucci na posição de “guitar hero”, falando sobre equipamentos com o Martinez, Myung simplesmente falando somente “Hi” e mais nada e o falastrão e aparentemente líder do grupo, Mike Portnoy, que me falou que adorava Iron Maiden assim como nós, que costumeiramente tocamos Iron em nossos shows. Neste dia inclusive o Aquiles entrevistou o Portnoy para uma revista nacional. O dia foi perfeito e o show mais ainda. Tive a oportunidade de levar o Lucas, meu filho, outro apaixonado pela banda a este show em São Paulo e nada como realizar o sonho de um filho. Ele saiu extasiado de lá ao ver seus ídolos tão de perto. Todo estes parágrafos iniciais ilustram um pouco do significado e das palavras seguintes.
Hangar e Dream Theater têm alguma coisa em comum?

No ínicio de setembro todos da comunidade musical tiveram a noticia surpresa de que Mike Portnoy estava deixando a sua banda. Quando li a “news” liguei imediatamente pro Lucas pra contar. Ele ficou muito chateado, mas enfim são coisas que acontecem e ficamos conversando sobre os porquês e afins de tal verdade. Passaram-se alguns dias e mais uma vez eu estava em casa tocando com o meu filho no estúdio e o assunto voltou a tona. Mas quem poderá substituir o cara na banda? Lembro que brinquei com o Lucas e falei: ”faz uns quatro ou cinco dias que o Aquiles não me manda e-mail, isso é estranho, tem alguma coisa no ar, rsrsrsrs”. Um deja vu de 2000 quando da entrada dele no Angra me subiu a mente…Viajei para Tatuí onde nos encontramos para os ensaios do acústico para e Expo 2010.

Todas as bandas tem altos e baixos, momentos legais e outros nem tantos. Em setembro estavamos em um impasse sobre o que tinhamos feito até o momento com a tour do Infallible. Quando se tem uma banda assim com uma estrutura como a do Hangar as coisas ou se tornam imensamente mais fáceis ou imensamente mais díficeis. Fazer metal no Brasil requer uma carga enorme de paciência, investimento e a resposta pode não ser a que você realmente merece.Isso é um fato. Naquela semana começamos a conversar sobre o futuro eeu tinha a sensação de que a nossa missão como banda já estava cumprida. Posições fortes sobre esta questão de sobrevivência no mercado… Temos famílias, obrigações e não somente a festa que as pessoas veem no palco. A esta altura depois de falarmos muito finalmente o Aquiles começou a falar. Quando ele disse: “vocês sabem que o Portnoy saiu do DT? Recebi um email…”. Enquanto o Aquiles tentava contar, nós não conseguiamos parar de rir. Um riso de satisfação, alegria, endorfinas a mil…

Por todos os problemas que falamos naquela noite a sensação após aquela notícia para mim era que “tudo tem um objetivo”. Talvez a banda tivesse que chegar até aqui para que outra coisa acontecesse mais adiante. Meu sentimento era de que “talvez estes 13 anos tivessem sido exatamente para vivermos este momento” e que se tudo terminasse ali teria valido muito a pena.

A noite foi pequena para a banda em Tatui. Conversamos muito sobre o que iriamos fazer e acabamos indo comemorar em um bar na cidade onde faltaram cervejas e “sex on the beach”. Naquela altura do campeonato ninguém tinha a exata noção de como seria a audição e quantas pessoas eles chamariam. Eu imaginei que seriam dois ou três nomes, o que elevaria consideravelmente a possibilidade do Aquiles ser chamado. Traçamos alguns objetivos e decidimos deixar o tempo passar pra ver o que iria acontecer. Desmarcamos alguns compromissos e deixamos o Aquiles a vontade para estudar e ensaiar as três músicas da audição. Nada seria mais importante do que o futuro dele naquele momento. Uma das coisas que carrego comigo e espero que a banda sempre pense assim, é que a amizade e o respeito venham em primeiro lugar. Visualizar a consolidação da carreira de um de nós de maneira grandiosa seria um grande feito e orgulho para todos, que começamos pequeninos lá nas nossas garagens a “brincar de rock”. Durante a Expo lembro que estávamos eu, o Aquiles e o Rafael Dias do Batera Store saindo da casa do Aquiles de carro e ele recebeu um email do Petrucci. O primeiro contato de um membro da banda. Após a Expo, em setembro marcamos somente um show no inicio de novembro e deixamos o Aquiles completamente à vontade para estudar.

Embora quase que isolado em Tatuí estudando, mantive contatos esporádicos para saber como ele estava e a expectativa. O visto não saia nunca e mesmo com a confirmação por carta da produção do DT e da gravadora. A solução foi um agendamento em Recife cinco dias antes da viagem, já confirmada com passagem e estadia. Este momento de stress com certeza foi pesado.

Ficamos meses sem poder falar abertamente sobre este assunto. Além da minha família, apenas o Rafael Dias e o Marcelo Rodrigues (outro grande amigo e DTmaníaco) e o Michael Polchowicz ficaram sabendo da novidade. Mesmo assim era algo dificil de esconder, na Expomusico boato foi espalhado por muita gente, mas nunca confirmado. No dia da audição, exatamente na hora precisa lembro que o meu filho me ligou e disse “não vai ser fácil, mas o Aquiles é um “cara de banda” e não um cara de “clínicas”, e ele merece por toda a sua história e somos poucos mas estamos aqui torcendo como se não houvesse amanhã…”. Eu desliguei o fone e pensei:“mas de onde este “guri” tirou esta frase???” Vai ver herdou alguma coisa do pai…hahahuhauhua.
Após uns dois dias da chegada do Aquiles no Brasil ele passou um email contando a experiência. Um email com varias páginas, extenso, como ele não costuma fazer, geralmente prefere mensagnes curtas e objetivas. Entendi aquilo como um desabafo , ele precisava contar a experiência. Depois no telefone ele admitiu que já sabia que não seria ele. Que ele não havia se sentido confortável tocando os novos Odd time signatures, etc…Nestas horas lógico que a pessoa sente o momento e sabe se existiu a química perfeita ou não.

Abril e os vídeos

Seria redundante falar sobre os meses que se seguiram após outubro e novembro. Na real pelos indícios e notícias todos da banda e do mundo musical lá fora já sabiam que o provável indicado seria o Mike Mangini. Isso ficou bem evidente após a Namm em janeiro de 2011. Nestes meses uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a imensa corrente positiva que se fez em torno da escolha do Aquiles. Muitas pessoas calcadas nos boatos aderiram a campanha pró Aquiles no DT. Isso foi muito positivo. Pessoalmente achei a edição dos vídeos de acordo com o resultado, embora um pouco injusta com alguns bateras, mas isso com certeza com o passar do tempo irá ser ajustado quando mais imagens vierem a tona.

Como toda árvore que se planta e dá frutos, resta ao Aquiles colher os frutos da experiência que com certeza se estenderão para sempre na sua carreira e à banda, tentar fazer um bom suco de gosto doce a aprázivel com estes mesmos frutos. Não há como não se orgulhar desta experiência. Para a banda foi um momento marcante. Sempre falamos que se acontece algo para um de nós é como se acontecesse para si próprio. Nos colocamos no lugar do outro e sentimos e vibramos com nossos avanços, sentimentos, vontades e vitórias. Neste episódio não foi diferente.

A vida continua, ao alto e avante.

Seguimos adiante com os shows e chegamos ao Rio de Janeiro no dia 07 de maio. Muita gente já tinha me falado que o Rio vive uma crise de shows com a falta de lugares apropriados para os eventos. Nosso show aconteceu na Lona Cultural de Campo Grande, cerca de 30 ou 40 km distante do centro da cidade. Fomos acolhidos com muito carinho pelo pessoal da produção.O Bruno Borurguignon e sua equipe foram maravilhosos. Ficamos em uma pousada muito legal próxima ao local do show e rolou tudo tranquilo. Tivemos a oportunidade de reencontrar nossos amigos William , Joyce, Jorge Henrique, Dingo, Fernandinha. O William passou o dia conosco, pois mora muito perto. Ele ajudou a encontrar uma lan house para imprimir o set list. Acompanhou todo o processo da chegada até a hora de irmos embora. Fizemos um grande show para nossos amigos cariocas e esperamos em breve poder voltar à cidade.

Bebedouro

Dia 13 viajamos para Bebedouro onde realizamos um workshow no Teatro Municipal da cidade. Aqui cabe um parêntese. Cada vez mais estamos desbravando os teatros das cidades. Teatros municipais e do Sesc já tornaram-se uma constante na nossa agenda, o que faz a gente muito feliz. É mais uma conquista para o público de metal que consegue ver e ouvir um show com comodidade e qualidade. Fomos recebidos pelo grande amigo Rodrigo “Ganso”, vocalista da banda VersOver. Montamos todo o set e o público compareceu em grande número para o evento. No final o Rodrigo, a exemplo do que já havia acontecido na cidade de Catanduva, subiu ao palco e cantou “Master of Puppets” conosco. Uma grande festa.

Virada Cultural Paulista

Pelo quarto ano consecutivo fomos convidados a participar da VCP. Estivemos duas vezes em Caraguatatuba e uma vez em São Bernardo do Campo. Nas outras vezes dividimos o palco com o Sepultura e o CPM22. Recebi a carta convite para o evento deste ano e a cidade que nos esperava seria Presidente Prudente, a cerca de 500 quilômetros da capital. Com o passar do tempo comecei a ouvir rumores de que a banda que iria tocar conosco seria o Angra. Um mês depois recebi a confirmação. Lembro que estava no EMT em São Paulo e na saída encontrei o Rafael Bittencourt e após os cumprimentos normais falei para ele que as duas bandas iriam tocar juntas em maio e que seria legal que isso enfim acontecesse. Assim que falei isso a expressão dele mudou um pouco e ele ficou meio sério. Acho que ele não sabia desse show. Enfim, achei legal levar a informação embora não esperasse uma reação tão fechada. Após a liberação da noticia nos sites houve uma grande ocupação por parte dos fãs pelo encontro das duas bandas, em especial do Aquiles e do Fábio com o restante da banda que eles participaram por vários anos. Todos sabem os motivos e as causas do que isso representa. Na verdade nós não nos preocupamos muito com isso, apenas nos preparamos para um show que sabiamos que iria passar da casa das dez mil pessoas e como sempre levamos todo o nosso equipamento para evitarmos surpresas. Saímos de Bebedouro por volta das 3 da manhã e chegamos a Prudente às 8 horas. O palco já estava montado e pontualmente às 9h os carregadores chegaram e começamos a descer nosso equipo do Infallibus. Uma das coisas que eu tenho que valorizar é a nossa organização em dias de shows. É muito legal ver nosso equipamento em cima do palco completamente coberto por cases azuis com o logo “H” pintado em todos os lados e nossa equipe toda uniformizada com camisetas da “Infallible Crew”.

Isso causa um certo impacto quando visto do lado de fora da banda. E foi o que aconteceu esse dia. Recebemos muitos elogios e total apoio da equipe da VCP local. Lembro que achei um papel atirado no chão na área verde entre o palco e os camarins e fiquei procurando uma lixeira. Acabei encontrando a lixeira e minutos depois um senhor se dirigiu até mim e falou: ”fiquei observando e vim te dar os parabéns”. Não entendi nada e ele completou: “vocês chegam aqui, dão um show de organização e você que é um dos músicos da banda ainda fica procurando uma lixeira pra não deixar um papel no chão. Eu sou o Secretario de Cultura de Prudente e é um prazer recebê-los aqui e no que puder ajudar, pode me procurar.” Enquanto a Infallible Crew montava a bateria e os amplificadores, a equipe do Angra chegou e começou o seu trabalho. Eram todos nossos conhecidos e o trabalho seguiu tranquilamente.

A organização da VCP acabou antecipadamente nos colocando no melhor horário da noite, às 22hs30, com o auge de público, além de um camarim exclusivo, ao contrário das outras atrações que dividiam um camarim do outro lado da estrutura. Já na tarde, observava-se a movimentação no Parque do Povo, uma área verde enorme, praticamente o pulmão da cidade. Às 14hs, nos dirigimos para a passagem de som, que ocorreu tranquilamente e depois descemos para uma entrevista para a sucursal da Rede Globo na cidade, matéria que foi veículada no mesmo dia no jornal das 19horas. Na tarde fomos recepcionados pelo nosso amigo Cezinha, que tem um programa de rádio na cidade e que promoveu nosso show no ano de 2009. Fomos até o shopping e almoçamos. A cidade parecia respirar música, muita gente de fora, Marilia, Paraguaçu Paulista, Mato Grosso e do norte do Paraná. Voltamos ao palco por volta das 21 horas para a preparação do show. Encontramos no backstage o grande baterista gaúcho Alexandre Fonseca que acompanhava a cantora Ana Canãs no evento. Levei-o até nosso camarim para encontrarmos com o Aquiles e ficamos trocando memórias sobre o tempo em que ele morava em Porto Alegre.

A esta altura o backstage era uma tremenda confusão com entra e sai de pessoas da imprensa, produção e bandas. Nestes eventos sempre tento deixar a banda o mais a vontade possível e como não consigo ficar parado tento organizar tudo com a imprensa e convidados, filtrando os acessos para que tudo não vire uma grande desorganização. Como não temos um “manager”, acabo assumindo um pouco desta função. Assim, organizei a ordem para as entrevistas antes do show. Foram muitas mas bem legais, com muito bom humor envolvido. Faltando 30minutos é hora de encerrar tudo e deixar todo mundo se aquecer e se concentrar no show. Com som e luz perfeitos e 17mil pessoas na plateia não há como você não realizar um grande show. A energia do dia foi muito massa, todos na banda deram o máximo e eu via isso no sorriso de cada um enquanto a gente tocava.

O Aquiles conseguiu estourar a pele da caixa, quebrar pedestal de prato, tocando com muita precisão e força e ao mesmo tempo com um grande sorriso.O Humberto, o Martinez e o Fábio mandaram ver com uma energia contagiante. O público respondia a cada música com uma força incrivel. Foi um grande momento para o Hangar. Nestas ocasiões, como bom nostálgico que sou, lembro-me do passado, do início em Porto Alegre, e ali estava a banda com 17 mil pessoas apoiando.A sensação de que não importava quem tocaria antes ou depois, nosso show seria o mesmo… No final tiramos uma foto para a posteridade e nos despedimos com os gritos de “Hangar” vindo do público entusiasmado.Dizer que foi sensacional é pouco.Descemos em direção ao camarim e ao backstage e nos recolhemos por alguns instantes para celebrar. Trocamos de roupa e saímos para atender a todos no backstage. A esta altura eu já estava falando com o pessoal da equipe para o desmonte do equipamento. Com uma área tão próxima, afinal era um festival, acabamos encontrando todas as bandas. Não foi diferente entre Hangar e Angra. O primeiro que encontrei foi o Rafael, nos cumprimentamos e desejei um ótimo show para ele. Depois, no meio da muvuca do backstage, encontrei o Felipe e o Edu Falaschi e os levei até nosso camarim para um breve olá.

Nessa altura da carreira, mesmo com diferenças no passado, a maturidade de um reencontro, um cumprimento, uma palavra sobre qualquer assunto que seja são benvindos. Não há como deixar um passado para trás, ele faz parte do presente e sempre fará parte do futuro.E foi assim, com grandeza, que ficamos por alguns bons minutos conversando no camarim.Logo no início do show do Angra nos divertimos bastante com a busca ao celular do Aquiles perdido em algum lugar…Reviramos todo o camarim enquanto eu ligava e o mesmo tocava, mas não conseguíamos ouvi-lo. A solução foi procurar no palco e após uns 30 minutos o Aquiles encontrou o aparelho a cerca de 3 metros abaixo jogado na grama. Quando saimos do local em direção ao hotel, encontramos cerca de 200 pessoas em volta do Infallibus. O pessoal não conseguia colocar nosso equipamento no onibus e tivemos que chamar a galera para a parte da frente do Infallibus, enquanto as equipes de segurança da Virada faziam um corredor para que o equipo e o pessoal passassem e tivessem acesso ao bus. A festa continuou por um bom tempo madrugada a dentro. O hotel era bem próximo, mas consegui dormir cedo. No outro dia nos fomos para o teatro da cidade, onde fizemos um workshow completo, com apoio do nosso amigo Cezinha. Logo após o evento,seguimos de volta a São Paulo, de onde cada um partiu para as suas casas para um bom descanso.

Este foi o panorama dos meses de abril e maio, em breve estarei contando um pouco da aventura de junho em Panambi, Montenegro e Osório no Rio Grande do Sul, grandes surpresas e confusões como sempre… até breve.

Nando Mello

Revisão Fábio Laguna




Postado em Maio 3rd, 2012 @ 21:51 | 526 views

postado por Nando Mello

Muita gente me perguntando sobre os detalhes de nossas viagens dos últimos dois meses e eu sempre deixando pra depois. Estamos em abril e nada mais justo que contar um pouco o que aconteceu em fevereiro e março nas nossas lidas de Hangar.

Fevereiro e o revival do Inside Your Soul.

Um pouco antes do Inside Your Soul completar dez anos de lançamento, já conversávamos sobre um show de comemoração. Isso devia ter acontecido em 2011, mas a própria agenda da banda não proporcionava uma data onde tivéssemos a oportunidade. Verão sempre é complicado, é uma época de praia, carnaval e férias, mas não podíamos negar um convite para tocar em Volta Redonda no Rio de Janeiro feito pelo nosso amigo Sandrão Silva da SNS Produções. A data seria 05 de fevereiro. Como reunir a banda para um show somente não é conveniente, o Aquiles reanimou a ideia de fazer um show comemorativo em São Paulo, marcando os dez anos do Inside Your Soul. O local marcado foi o Blackmore. Aquiles mesmo ligou para o nosso antigo vocalista Michael Polchowicz e o convidou. O Mike ficou empolgado com o convite e marcamos um ensaio na casa do Martinez para repassarmos as músicas. Fazia muito tempo que algumas músicas do CD não eram tocadas ao vivo. Ter o Mike de novo com a banda foi um presente para todos nós.

Ensaios e Blackmore

Chegamos em São Paulo no dia 01 de fevereiro e fomos ensaiar. Era a mesma formação da banda durante os anos de 2000 até 2005. Tocamos o Inside Your Soul inteiro praticamente na primeira passada. Era legal ver e ouvir a alegria de nós estarmos juntos novamente. O Mike curtiu muito. Acrescentamos músicas que tocamos na época e alguns covers.
Na sexta feira dia 03, montamos nosso equipamento no Blackmore, passamos o som e ficamos a espera da hora do evento. Eu havia ficado bem isolado nos bastidores, apreensivo como sempre para saber se tudo iria dar certo. O show de abertura ficou a cargo do nosso amigo Daniel Pique. Mais uma vez nossos amigos da capital nos surpreenderam e compareceram em massa. O show começou com o André cantando músicas de 2007 em diante, ou seja, do TROYC até o Acoustic. Foi bem empolgante e depois dessa parte anunciamos a entrada do Mike. Tocar o disco na íntegra me trouxe várias lembranças de anos atrás. Todos cantando as músicas e a alegria de muitos por ver e ouvir a banda em uma das suas fases iniciais. Destaque para a carinha de felicidade da Marina Dickinson pelo momento. Tocamos também pela primeira vez ao vivo a música “Ask the Lonely” do Journey, que gravamos em 2003.

Volta Redonda

Saímos direto do Blackmore direto para Volta Redonda. Fomos recebidos pelo grande amigo Thiago Reis que nos levou até o hotel. Chegamos no sábado bastante cansados e todos se recolheram após a janta. No domingo cedo o Sandro já nos levou para o local do show, que era relativamente afastado do centro da cidade. O lugar era clube enorme com vários ambientes. Enquanto montávamos o equipamento, em outro lugar próximo a piscina rolava um “bingo”, o que levou a várias brincadeiras e provocações sobre “os velhinhos da banda” que iriam participar da atividade. Esperamos o bingo terminar para poder passar o som. Encontramos nossos amigos William Rodrigues e Jorge Augusto que saíram do Rio de Janeiro para ver o show. Os dois estão sempre apoiando a banda onde quer que seja. O show de Volta Redonda seria diferente. Devido a um compromisso firmado anteriormente, o André não poderia cantar e fizemos um set list com o Inside Your Soul na íntegra, mais algumas músicas do Infallible e do TROYC que o Mike mandou muito bem e alguns covers como Perfect Strangers, Ask the Lonely e Eagle Fly Free. Foi um show surpreendente. Casa cheia e muita gente cantando as músicas antigas. Saímos agradecidos pela recepção do público de Volta Redonda. Voltamos a São Paulo na segunda pela manhã e nos despedimos desta etapa com o gostinho de dever cumprido. Aquiles foi direto para a Namm em Los Angeles, onde iria tocar e ensaiar com a lenda da guitarra Tony MacAlpine.

Michael Polchowicz

Resolvi publicar esse parágrafo em especial, separado porque ele é bem significativo. Ter a alegria de rever o Mike conosco foi um momento muito importante. Livre de egoísmo, despido de qualquer tipo de vaidade, ele sempre foi e sempre será muito mais que o nosso “primeiro vocalista”. Quando saiu da banda em 2005 ele foi um verdadeiro cavalheiro sabendo que era a coisa certa a fazer para que tanto ele quanto o Hangar pudessem continuar suas vidas. Nunca houve stress, nunca houve mágoa. Continuamos as vidas sempre cuidando do que um ou outro estava fazendo. Compartilhando informações, ideias e caminhos. Tocar ao seu lado e ver seu sorriso, sua dedicação dando o melhor em músicas que há anos não tocávamos como Sea of Sorrow, Legions of Fate, Five Hundred´s foi muito positivo. A sua postura sempre foi e sempre será de um cara profissional e acima de tudo um camarada e amigo que podemos contar para sempre. Queremos repetir esse show e contar com o Mike muitas outras vezes, assim que possível. Lidar com pessoas é um exercício constante de doação, entendimento e argumentação de ideias a favor de uma direção. Uma lição que ele nos passa até hoje quando diz “torço e entendo tudo o que vocês fazem e as pessoas que não enxergam isso não podem realmente estar aqui…” Grande e sábio “Gato Mike”.

Março

Março chegou e nos reservou viagens sem a banda completa. Aquiles embarcou em uma tour com o guitarrista americano Tony MacAlpine. A tour começou no final de fevereiro na realidade e foi até o dia 21 de março. Passando por vários países da Europa, acompanhei de longe os reports semanais e as fotos do Daniel Pique, sempre publicadas no facebook. Uma vez conseguimos conversar pelo “skype” e vi que Aquiles estava muito feliz de compartilhar o palco com uma lenda viva da guitarra. Após acompanhar Vinnie Moore, Tony MacAlpine, o teste para o Dream Theater, o lançamento do DVD nos USA, participar do Modern Drummer e outras diversas atividades fora do país, podemos dizer que a carreira internacional dele vai muito bem obrigado, com todo o merecimento.

Aventuras nos pampas

Por aqui tive o prazer de convidar o meu amigo Eduardo Martinez para uma série de sete workshops em cidades do interior do Rio Grande do Sul.
Como sempre, a agradável companhia do Martinez, além de ser única pela amizade e pelo companheirismo de banda torna-se mais peculiar por toda sua sabedoria gastronômica e comportamental que só ele sabe ter. Saímos dia 16 e fomos direto a Frederico Westphalen onde nosso amigo Luís Carlos Fuga nos recebeu de maneira entusiasmada na sua loja chamada “Lugosi”. Foram duas noites agradáveis na pequena cidade universitária. No workshop quem veio nos visitar foi o Lorival da Rosa, grande baterista que mora na cidade de Panambi. Seguimos direto para Santo Angelo, onde conosco tivemos a participação do Mauriel Ourique na bateria. No final tocamos um medley de músicas do Iron Maiden com o Alex Finckler e o Marcos Rigoli.

Seguimos viagem para a cidade de Horizontina. O workshop foi em um teatro. Foi muito legal ter a companhia de mais de 100 pessoas, músicos da cidade que participaram com muita curiosidade do evento. Sucesso total apoiado pelo Alysson e pelo Luis da loja Shop Music de Santa Rosa. Depois viajamos para a cidade de Três de Maio, onde fomos recebidos pelo Elisandro Weise da loja A Musical. Estivemos na rádio Cidade Canção FM que toca duas músicas do Hangar na programação normal. A cidade se movimentou e o workshop foi realizado em um pub chamado Armazem Liquid, muito conhecido por ter abrigado vários shows nacionais. Depois foi a vez de Ijuí, onde tocamos na loja Cia. da Música. Todos que estavam lá queriam saber do DVD, quando ia ser lançado, etc… foi uma noite agradável na companhia dos amigos de Ijuí, Marcos Rigoli, Fábio Mariani e Fábio.

Na manhã seguinte, dia 23, seguimos para São Luiz Gonzaga. O Álvaro Adam já nos esperava ansioso para nos levar a uma, duas, três rádios na cidade, sempre destacando a importância de um evento assim para a cidade. O Álvaro é uma figura ímpar, um batalhador incessante da música e grande amigo. O workshop foi no Restaurante Bella Vista do nosso amigo Lucas Bussler. Um lugar agradável com toda a infra-estrutura para um bom evento. Mais uma vez nosso amigo Mauriel Ourique nos acompanhou. No final tocamos Solitary Mind e Mais Uma Vez com o Álvaro cantando. Depois do workshop pude curtir a banda do Álvaro tocando uma leva de covers de bandas nacionais. Não aguentei e fui tocar uma música da banda gaúcha Papas da Língua chamada, Vem pra Cá. Foi muito legal interagir com o pessoal. Voltamos para casa na manhã seguinte satisfeitos pela semana maravilhosa conhecendo pessoas que gostam do som do Hangar e apoiam a banda sempre.

Dia 29 voltamos a estrada em direção a cidade de Canela na serra gaúcha. Falar da dupla Canela e Gramado que se distanciam por apenas 6 km é falar de inverno, beleza, chocolate, frio, vinho. Cidades lindas demais. O workshop, organizado pelos meus amigos Fernando e Matheus da escola Oficina da Música foi no Cine Teatro Casa de Pedra. Lugar sensacional com uma estrutura bacana e que abrigou um público muito seletivo e atento ao evento. Foi uma noite de duas horas de concentração e muito bate papo com os músicos da cidade. No final eu estava muito feliz. Sai com a sensação de que havíamos feitos muitos amigos e muitos fãs na cidade. Promessa de voltarmos com a banda completa. Viajar pelos pampas sempre é muito bom. Em maio tem mais, agora com o Aquiles e suas aulas, master classes e palestras.

Sempre tem uma pra contar

Viajar sempre é uma pequena aventura. Sempre que vamos de carro e dessa vez era com o meu, combinamos que o co-piloto, aquele cara que vai ali do lado do motorista fique atento para todas as placas, desvios, lombadas e que principalmente não deixe o motorista ligar o piloto automático e dormir, sabe?? para evitar danos maiores… hahah. Estávamos eu e o Martinez em direção a cidade de Horizontina, após sair de Santo Ângelo, a cerca de 500 km de Porto Alegre. Eu li uma placa “Horizontina 33 km” e perguntei: “reto ou direita???”. Ele não respondeu e segui pela principal continuando nossa animada conversa sobre “as qualidades gastronômicas do salmão grelhado comido em Frederico Westphalen”, ou seja um papo bem interessante para o “Eduardo”, haha… Depois de uns 25 minutos nossos celulares quase que simultaneamente começaram a receber mensagens. Umas três mensagens cada um e eles são de operadoras diferentes. Eu parei o carro e comecei a ler: “Bem vindo a Argentina; No caso de ligações internacionais usar isso, usar aquilo…”. Eu olhei para um outdoor a cerca de 30 metros de distância e li “Bem vindo a Porto Mauá, divisa Brasil – Argentina”. ???. Havíamos nos desviados do caminho por cerca de 30 km e estávamos quase em território estrangeiro e ainda por cima Argentino e quando eu penso em Argentina já me vem futebol na cabeça. Tivemos que voltar 30 km e andar mais 33 km em direção ao nosso objetivo.

Moral da história: “Fique de olho na pista e não deixe seu co-piloto dormir?”, “salmão grelhado é um perigo?”, “fique longe de qualquer divisa com a Argentina” “viajar com o Eduardo é sempre legal?”, “todas as alternativas são corretas???”, hauhauhuahau…




Postado em Janeiro 30th, 2012 @ 21:51 | 348 views

postado por Nando Mello

Voltando com nosso diário do Hangar ao mês de novembro passado. Nossa aventura começa com o famoso “Dia do Metal Nacional”, realizado no dia 6, um domingo a tarde. Chegamos ao local bem cedo, pois o show seria às 16hs. Uma das nossas escolhas foi abrir o festival para que pudéssemos usar a totalidade de nosso equipamento no palco. Nossa equipe como sempre foi impecável e conseguiu montar e depois desmontar o equipamento em tempo hábil para que não atrasássemos nada.

O show
Entrando no palco às 16h30 e com o público no auge da empolgação, a nossa apresentação foi impecável. O público com muitas camisetas do Hangar cantou muito e incentivou a banda, que estava solta no palco. Era a primeira vez do André em São Paulo e todos estavam curiosos. Foi um grande show. Saímos do palco com a sensação que o nosso dever estava cumprido.

A polêmica
Com tantas bandas envolvidas, o backstage era um entra e sai de gente muito grande. Não houve nenhuma manifestação de algum tipo de individualidade ou algo parecido, todos com muito respeito ao show e a todos os músicos presentes. O evento tinha a pretensão de colocar em evidência o heavy metal nacional através da sua música e mobilização. O público compareceu em número razoável e fez a sua parte. Não vou estender esse diário para falar a respeito do que aconteceu naquela noite com uma declaração feita por uma das grandes estrelas do nosso cenário metal nacional. Compete a mim relatar que nosso show foi extremamente bem saudado pelo público e que se temos algum problema com o nosso cenário nacional do metal, o mesmo deve ser tratado com devido respeito por todas as partes envolvidas, além do público, a imprensa e também as nossas bandas e músicos. O fórum é muito mais envolvente do que simplesmente acusar uma parte como culpada de alguma coisa.Ponto.

Show Livre
Dia 16 foi a vez do Show Livre. Com um set acústico, Clemente nos recebeu muito espontaneamente como de costume. Todos os vídeos estão no youtube com uma qualidade muito boa e são uma referência enquanto não lançamos nosso DVD oficial.

Workshow BEG
Dia 26 de novembro voltamos a São Paulo para um workshow na BEG Escola de Música e Artes. Enquanto os alunos faziam seus recitais de final de ano em um auditório, no outro arrumávamos o equipamento. Foi um evento muito divertido, com a presença de vários amigos. Agradecemos muito a Eunice e a Monica Pedrosa pelo convite. Fomos recebidos com muito carinho pela equipe da escola. Dois dias após estive no EMT onde tive a oportunidade de acompanhar o Aquiles no workshop comemorativo a 10 anos de uso das baterias Mapex. Tocar no EMT é sempre gratificante. Casa cheia.

Ijuí e a noite histórica
Gravar um DVD não é uma tarefa muito fácil. Na realidade já tínhamos gravado os dois shows de maio de 2008 no Centro Cultural Vergueiro em São Paulo, mas por motivos que todos sabem nunca chagamos a lançá-los. Em outubro passado estive em Ijuí para um workshop e conheci o Fábio Mariani, ex-baixista da banda Excellence, fã do Hangar e uma pessoa que faz um trabalho inspirador na cidade. Ele faz parte de uma ONG chamada APV, Associação Protetores da Vida. A APV ajuda os animais da cidade, cuidando, arrumando teto para os pequenos bichinhos desamparados. O Fábio queria muito levar um show acústico do Hangar para Ijuí e marcamos a data para 10 de dezembro no Teatro do Sesc. Eu achei a ideia muito legal, porque o segundo show da tour do Infallible havia sido em Ijuí em abril de 2010 e agora em dezembro de 2011 faríamos praticamente um dos últimos shows na mesma cidade e no mesmo teatro. Quando falei com o Aquiles sobre o futuro show, lembro que comentei: “quem sabe levamos umas duas câmeras e gravamos um pequeno clip de divulgação para o CD acústico”. No mesmo momento o Aquiles me disse, “mas porque não gravamos um DVD inteiro então? Veja com o Fábio se há mão de obra capacitada na cidade.” Liguei para o Fábio e ele prontamente “comprou” a ideia e saímos correndo atrás de pessoas e empresas que pudessem fazer a captação de som, imagem, making of, iluminação, autorização do Sesc, divulgação, etc… Tudo foi feito muito rápido, mas com muita força de vontade pelas pessoas da cidade. Assim foi com o Edson Schmalz, que fez o making of e sub contratou a Brun Produtora de Vídeos. A iluminação da Hipermídia e a captação de som do Fábio Reichter e Estúdio RH. A viagem para o RS começou no dia 06 de dezembro e a preparação da banda incluiu dois dias de ensaios em Porto Alegre no estúdio Live das nossas grandes amigas Carla e Janaína que nos receberam de braços abertos. Como sempre uma parte da equipe e banda ficaram na minha casa e outra na casa do Martinez. Os ensaios ocorreram de maneira um pouco menos tranquila do que o normal, pela própria pressão natural de uma futura gravação que ocorreria a dois dias após. Uma das grandes novidades foi a presença do nosso grande amigo Théo Vieira que participou de todas as atividades conosco. Saímos de Gravataí na madrugada do dia 9 e chegamos a Ijuí, um dia antes do show. Chegamos ao hotel e fomos recebidos pelo Fábio Mariani e pelo Leandro Heck, que acabou sendo uma espécie de anfitrião da banda nesses momentos pré-show. Enquanto o pessoal ajudava o nosso motora Telles a estacionar o ônibus no pátio do hotel Vera Cruz, o Leandro imediatamente “sequestrou” eu e o Aquiles para uma rápida entrevista na Rádio Progresso. Fomos para o almoço e depois para o hotel onde montamos nosso pequeno QG em uma das salas. Após umas duas horas de descanso, nos reunimos e preparamos todo o material de merchandising a ser usado e esperamos pela primeira entrevista que foi para a TV a Cabo Ijuí, conduzido pela Luana Costa. Um pouco antes eu e o Aquiles fomos até o Teatro para avaliar o palco e os detalhes. Voltamos para o centro para comprar o carpete que cobriria o palco. A essa altura, a equipe e banda estava a vontade na cidade. Era uma sexta feira e corríamos para cima e para baixo. Por volta das 18hs, o Leandro Heck nos levou até a Rádio Mundi, onde participamos do programa “Os Caras”. Uma bem humorada e divertida produção que conta com a participação do Di Fontana, Daniel Sommer e do Bililo. Muitas risadas e depois fomos para o hotel esperar a janta. A noite chegou e fomos todos em um restaurante muito bom um pouco afastado do centro da cidade. Um detalhe chamou a nossa atenção. Toda a equipe do Fábio era vegetariana, alguns veganos. Enquanto isso a turma do Hangar comendo carne a vontade regada por bebidas que iam desde uma Coca-Cola Zero até uma cervejinha, porque não?, afinal era sexta feira. Após a janta fomos para a Unijuí Fm, onde o Marcos Ely nos esperava para um grande bate papo. Com muito bom humor conversamos por mais de uma hora sobre a nossa carreira e também sobre a gravação do DVD. Por volta das 22h voltamos ao hotel, onde combinamos os horários para a manhã seguinte. Enquanto alguns se recolhiam, outros ocupavam a recepção do hotel. Por volta das 23h recebi uma ligação do Paulo “Bedengo” Rogério. Ele estava chegando na cidade. O Paulo foi um dos primeiros fãs do Hangar. Desde 1997/98 e viu a banda nascer quando morava em P.Alegre. Hoje ele divide seu tempo entre Tapejara e Santo Antonio das Missões. Ficamos conversando e como eu não conseguia descansar, me sugeriu que déssemos uma volta de carro com as janelas abertas pra pegar um vento.hahaha. Eu acho que deu certo, quando voltei já estava bem mais calmo.

Chega o dia
Na manhã do dia 10, enquanto a equipe ia para o Teatro do Sesc, ficamos no hotel com a intenção de descansar, mas não foi bem assim. Havia muito que prestar atenção. Nessa manhã chegou nosso amigo Mauriel Ourique, que já estava preparado para ajudar no que viesse a ser preciso. Durante o almoço a tensão era evidente entre todos nós. Nossa preocupação, além da execução das músicas, era preparar o palco e tudo que o envolve, da iluminação até a captação do som. Fomos para o Teatro por volta das 14hs e lá a produção seguia a mil. Daniel Pepe, Rodrigo Batata, Marcelo Mattos, Telles, Rodolfo Restart, nossa equipe montava tudo enquanto toda a parte técnica de luz , imagem e captação corria contra o tempo para que já na passagem de som, pudéssemos avaliar e testar tudo. Por volta das 16hs iniciamos a passagem de som, desta vez um pouco diferente que o normal. Tocamos todo o set acústico, enquanto a iluminação, o som, as câmeras e a gravação eram testadas. Foi um ensaio geral mesmo. Saímos do teatro quando o público já estava chegando para o show. Após uma breve passagem para banho e troca de roupa, breve mesmo, cerca de 30 minutos, voltamos para o teatro e começamos a nos preparar para o momento de tocar. O público já estava acomodado e nós ali na maior correria atrás do palco, relembrando tudo que havíamos combinando. Às 20h30 em ponto entramos no palco, mas não para tocar. Enfileirados de frente para o público falamos sobre como seria a gravação, o que ocorreria e o que poderia ocorrer. Agradecemos a muitas pessoas que nos ajudaram. A galera curtia tudo, as brincadeiras, as passagens pitorescas que contamos e depois de quase meia hora nos retiramos para agora sim iniciar o show. O set foi o próprio CD acústico. Tivemos momentos marcantes com muita participação da plateia que cantou as músicas com grande empolgação. Não faltaram as piadas, as interrupções por detalhes técnicos, todos querendo participar e nos ajudando muito. Foi uma noite inesquecível. Gostaria de agradecer muito as pessoas envolvidas diretamente como as equipes técnicas e também as pessoas da cidade de Ijuí e de toda a região que ajudaram a propagar o nome do Hangar como o Fábio Mariani e esposa Marlova Klohn, Marcos Rígoli, Lucas Prauchner, Valterson Pimenta, Robson, Mauriel Ourique, Charlei Haas, Déborah Reolly, Patricia Borgir, Caco Garcia, Paulo Bedengo, Diego Garcia, Fabiana do Prado, Cláudia Moretti e Alex Chimu, Carina de la Pieve , Luana Costa e Drica Morais, Cilas e Joana Frota, Lorival e Josi da Rosa, Luiz Carlos Fuga, Leonardo Cardoso, Tiago Dahlem, Jhonatan Lets Rock, Álvaro Adam, Alex Infinity, Marcos Ely, Leandro Heck, Fábio Schwanke, Rafa Dachary, Daniel Dachary, Ana Wentzel e muitas outras pessoas que sempre estiveram ao nosso lado. Obrigado por ter marcado nossa história para sempre.

Osório
Dia 14 foi a vez de Osório, no litoral gaúcho receber o workshop do Aquiles, onde pude participar mais uma vez. O evento foi na Câmara Municipal de Vereadores com o apoio e organização da loja Roll Over do nosso amigo Newton Arboite e família, que são grandes amigos.

Carlos Barbosa
Seguimos pela manhã do dia 15 para a cidade de Carlos Barbosa na serra gaúcha. Um lugar lindo com temperatura agradável. Fomos recebidos pelo Joel Pagliarini, dono da loja New Eagle que nos levou até o local do show. Uma quinta-feira a noite sempre dificulta o público, mas foi muito positivo. Pessoas de várias cidades próximas compareceram e o show foi completo. Por curiosidade, nesse dia a bateria do nosso ônibus teve problema e eu tive que correr atrás de outra para que cumpríssemos os horários de saída durante a madrugada. Deu trabalho, mas deu tudo certo. Embarcamos às 5 da manhã em direção a São Paulo.

Diadema
Domingo, dia 18 foi a vez de Diadema na grande São Paulo. O show, realizado em uma praça municipal teve a presença de várias bandas locais e além do Hangar, o Korzus e o Raimundos. A produção foi impecável e cerca de 15 mil pessoas compareceram. Fizemos um show com muita energia e vontade. Felizmente a reação da platéia foi altamente positiva a todas as músicas e saímos do palco com a sensação de dever cumprido. Nos despedimos entre nós mesmos com a sensação de saudade e de ter terminado o ano com um balanço muito positivo. Agora tudo era Natal e Ano Novo.

Bebedouro
Durante as festas de final de ano mantivemos contato. Aquiles veio para Porto Alegre onde montou seu QG para ensaios da tour que ele irá fazer com o guitarrista Tony MacAlpine.

Depois de breves férias nos encontramos dia 13 de janeiro na cidade de bebedouro em São Paulo, onde inusitadamente fizemos dois shows, um acústico na sexta e outro elétrico no sábado. Já é tradição o Aquiles tocar no mês de janeiro com os irmãos Rodrigo e Gustavo Carmo. Desta vez a pegada foi diferente, ele acabou fazendo os dois shows. Anteriormente eu me lembro que em 2000, o Hangar tocou com o Paul Dianno no Bar Opinião em Porto Alegre. Agora onze anos depois a cena se repetiu com o Aquiles tocando nas duas bandas. O público compareceu em massa tanto no show da sexta quanto no sábado. Revemos os amigos Michel e Jaice da cidade de Paraguaçu Paulista que viajaram muitos kilometros para ver a banda. Saímos de bebedouro na manhã seguinte em direção as nossas cidades. Próxima parada em fevereiro…




Postado em Novembro 23rd, 2011 @ 21:50 | 527 views

postado por Nando Mello

Audição do novo CD
Começamos setembro exatamente no dia 09. Escolhemos algumas pessoas para irem até o Estúdio FX e conhecer o novo CD e o clip de “Haunted By Your Ghosts”. Foi um dia bem corrido. Compramos alguns comes e bebes e chegamos ao FxStudios às 17hs. Pelas 19hs, os convidados começaram a chegar. O estúdio capitaneado pelo grande Durval Gama tem vários ambientes, porém o local da audição tornou-se pequeno para acolher tanta gente. Estavam lá vários amigos como o Daniel Piquê, João Duarte, Marina Dickinson, Vanessa Dói, Carol Angeli, Appolo Moreira, Adair Daufembach, Gibão e Natália Lett, além dos ganhadores da promoção para ouvir em primeira mão o novo CD, que foram a Damaris Silveira e o Júlio, a Pry Gianotti e o Guilherme Kobayashi, o Filipe Prado, o Junior Wendland e a Simara Fiorelini Wendland, o Leonardo Sampaio e a Salete Salles, o André Murbach e a Sam Godoy. O Aquiles começou a noite falando muito bem sobre a situação e muitas pessoas que estavam ali presente não sabiam da saída do Humberto e muito menos da presença do André. Após ouvirmos cinco músicas o Aquiles chamou o André e o apresentou causando uma surpresa geral no pessoal. O ambiente que já era de festa ficou ainda mais legal com a participação e empolgação de todos que se encontravam no local. Era muito legal ver as pessoas aceitando bem o CD. Após a audição fomos todos para terraço do estúdio saborear os comes e bebes preparados anteriormente. Ficamos conversando muito com todos que expressavam as suas surpresas e também toda a empolgação com essas mesmas surpresas.

Ensaios
Após o dia 09, nos reunimos na sala onde o Aquiles costumeiramente ministra aulas, no Instituto Fabiano Manhas, para os primeiros ensaios com a nova formação. Eu estava realmente apreensivo, pois nunca havia tocado com o André. Gravar é uma coisa totalmente diferente. Sabia da responsabilidade que seria, já que são dois sets diferentes, acústico e elétrico. Para os demais integrantes que já estão acostumados, tudo bem, mas o André com certeza teria uma carga maior de responsabilidade e trabalho. Ensaiamos durante três dias alternando entre os dois sets e nos preparamos para a primeira viagem.

Santa Rosa 14/09
O primeiro compromisso da nova formação foi em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. Saímos de São Paulo no dia 13 e percorremos cerca de 1200km até a cidade onde a Xuxa nasceu. O evento que na realidade era um workshop do Aquiles acabou contando com a presença de toda banda, exceto o André. Achamos melhor ele não se expor no primeiro show depois de tantas horas de viagem. O workshop correu normalmente no teatro da cidade, geralmente ligado a música tradicionalista e regional gaúcha. Após o evento nos dirigimos a um restaurante onde assistimos ao programa “Leitura Dinâmica”, da Rede TV, com a matéria sobre o lançamento do nosso novo disco e o clip de “Haunted By Your Ghosts”. Comemoramos muito no restaurante vendo a nossa imagem na tela. Foi apenas um dos motivos que não irá fazer a gente esquecer Santa Rosa por um bom tempo.

São Borja 17/09
No dia 15 de setembro saímos de Santa Rosa rumo à cidade de Santo Antônio das Missões. Pra quem não sabe nessa cidade moram quatro dos mais ferrenhos fãs do Hangar e nossos amigos há muito tempo. São eles o Caco Garcia, Diego Garcia, Paulo Rogério Bedengo e o Mauriel Ourique, que têm ligação direta com a história do Hangar desde 1998. Em 99 eu mesmo respondi a uma entrevista para o Caco por carta, já que ele tinha um zine na época. Hoje, após todos esses anos eles sempre nos recebem muito bem. Dormimos na casa do Caco e saboreamos uma grande janta de “pão com linguiça”, preparada na casa da mãe do Caco. No final da tarde o Aquiles, o Mauriel, o Telles e eu fomos até a divisa do Rio Grande com a Argentina, bisbilhotar alguns preços e algumas novidades no lado portenho do pampa, mas não encontramos nada que agradasse, além da pobreza que infelizmente assola os hermanos argentinos.

Na manhã seguinte rumamos para São Borja, fronteira com a Argentina. Fomos para o hotel e na parte da tarde fizemos uma sessão de autógrafos na loja Let´s Rock. Foi exatamente nessa sessão que eu comecei a sentir que algo estava estranho com um dos meus dentes em tratamento. Como parte do curativo havia cedido, o frio e comida trataram de fazer com que ele inchasse muito. A noite foi pior ainda e no outro dia eu estava com o rosto completamente inchado.

Era a estreia do André e sempre se fica um pouco nervoso nessa situação. O público sabia disso e tratou de deixar a banda bem à vontade. Cantou, brincou e curtiu a noite. Confesso que eu não aproveitei nada porque só queria que tudo acabasse logo para que eu fosse embora para o hotel. O lado esquerdo do meu rosto estava uma bola e lógico a galera já me mandou um apelido de “fofão”, só pra “não perder o amigo”. Nesse show estava o Eduardo Cadore, amigo de longa data que acabou fazendo junto com o Caco Garcia a primeira resenha de um show com a nova formação para o blog Road To Metal. Deixamos São Borja no domingo dia 18 e rumamos para Porto Alegre aonde chegamos à noite e dividimos a banda e equipe em dois grupos, ficando uma parte na minha casa em Gravataí e outra na casa do Martinez em Porto Alegre.

Porto Alegre 19/09
Na segunda-feira, dia 19, foi a vez do lançamento do disco e da biografia do Aquiles na Livraria Cultura, situada em um grande shopping de Porto Alegre. Com uma estrutura muito boa para pequenos shows, a Livraria Cultura se diferencia pelo grande acervo que possui, tanto de livros quanto de CDS e ter os nossos nesse estoque sempre será importante. Aqui foi a estreia do André, com o set acústico e recebemos na plateia muitos conhecidos, familiares meus, do Aquiles e do Martinez que foram prestigiar. Uma grande presença foi o nosso ex-vocalista Michael Polchowicz, que foi ovacionado pelo público quando subiu ao palco para nos cumprimentar. Após o show recebemos todos no hall da Livraria com muito vinho e petiscos servidos pelos garçons contratados pela Cultura. Acho que muita gente saiu meio tropego nesse dia, mas enfim valeu a festa.

Novo Hamburgo 20/09
Após uma noite bem dormida em casa, seguimos para Novo Hamburgo, a cerca de 30 km de Porto Alegre. No Rio Grande do Sul, dia 20 de setembro é feriado farroupilha. Guardadas as devidas proporções seria o equivalente ao 7 de setembro. O workshow foi uma promoção da loja Toda Música e da Urban Boards. Inusitadamente o dia amanheceu muito frio para a época e com uma chuva fina incessante o que fez com que descarregar o ônibus fosse uma aventura terrível. No final tudo certo e foi um grande evento com a presença de muitas pessoas de várias cidades próximas. Depois na noite uma pequena confusão no hotel fez com que ríssemos muito do acontecido, mas melhor não entrar em detalhes.

Rio Negrinho 21/09
Saímos às23 h de Novo Hamburgo, direto para Rio Negrinho em Santa Catarina. Seriam 600 km a noite subindo a serra pela BR 116. Até aí tudo bem, mas o que eu não sabia é que o trecho entre Novo Hamburgo e Caxias fosse tão perigoso e com neblina a toda hora. Não há como dormir desse jeito. Alguns até conseguem pelo cansaço, mas geralmente o Aquiles e eu não dormimos. Depois enfrentamos mais um pedaço muito ruim de Caxias até Vacaria com muita serra. No início da manhã, lá pelas nove horas já estávamos próximos ao destino e consegui descansar um pouco. Realmente eu sou estressado, fazer o quê? Chegamos a Rio Negrinho, pequena cidade ao norte de Santa Catarina e conhecemos o Juliano que prontamente nos levou ao almoço. Seguimos depois para o local do workshow, que aqui também seria do Aquiles, com minha participação, mas acabamos todos participando, o que deixou o público bem feliz. No final o Juliano acabou convidando a banda a voltar no dia 9 de dezembro para um festival que ele organiza na cidade.

Expo Music 2011
Na manhã seguinte, dia 22, voltamos a São Paulo e nos preparamos para a Expo 2011. Falar sobre Expo é sempre falar em lançamento de CD, pocket shows e encontrar velhos e novos amigos. Desde 2006 temos sido uma das bandas que mais toca neste evento. Com a chegada do CD Acústico, nada melhor que vários pockets shows para apresentarmos oficialmente o André e o disco. Estivemos nos stands dos nossos principais parceiros, Harman, Royal, AMI, Pride e na Lady Snake onde tivemos as sessões de autógrafos. Como sempre todos nossos grandes amigos compareceram. Um dos destaques foi o Mauriel Ourique, nosso grande amigo que saiu de Santo Antonio das Missões para nos ajudar em São Paulo.

Uberlândia 07/10
Chegamos a Uberlândia na manhã do dia 07/10, sexta feira. Foi o nosso primeiro show inteiro no formato acústico após o lançamento do CD. O local chamado Rock´n Beer, um pub muito bonito e moderno, estava lotado de vários fãs e amigos. Temos voltado várias vezes a Uberlândia, cidade do triangulo mineiro, próximo à divisa com São Paulo, uma região tipicamente “sertaneja”. Desde 2008 acho que já estivemos na cidade seis vezes, o que comprova a teoria de que não interessa onde você esteja, sempre haverá o público fiel do metal. Agradecemos muito a presença de todos os amigos e do Bambi.

Araraquara 08/10
Saímos de Uberlândia às 5h da manhã e seguimos em direção a Araraquara. Lembro que quando entrei no ônibus falei para o nosso motorista, o Telles, que ele seguisse sempre pelas BRs em direção a São Paulo, passando por Uberaba, Ribeirão Preto e depois dobrando a direita para chegar a Araraquara. Nem sempre é bom confiar somente no GPS. Depois de uma hora de viagem, quando todos estavam dormindo, senti que o ônibus começou a passar por buracos e a trepidar. Olhei lá na frente e vi uma estrada deserta, com buracos e crateras enormes. Fui até a frente e tentei entender o que estava passando. O Telles prontamente respondeu todo sem jeito, naquele sotaque caipira que só ele tem, “uai, o GPS mandou eu dobrar a direita, eu fui…”. Naquela altura eu só pensava em uma frase que o Aquiles sempre me repete que diz que não dá pra deixar nada para os outros fazerem, faça você mesmo se quiser que aconteça. Eu não sabia quantos km ainda faltavam para acabar aquele pesadelo. Ignorei o GPS que já não tinha sinal e comecei a procurar a via no mapa. O lugar era completamente abandonado, típica zona rural de plantação de cana com uma longa estrada de asfalto esburacado esquecida pelas autoridades. Como se fosse uma cena de filme de Tarantino, ou algum classe “B” que passa na madrugada em uma TV aberta qualquer, eu torcia para que ninguém acordasse e que eu de alguma maneira achasse a maldita estrada no mapa para calcular quantos quilômetros ainda teríamos que andar. Nada adiantou. Logo em seguida o Aquiles já estava acordado tentando entender o que se passava. Achei a rota no mapa e calculei 20 km de estrada ainda faltantes. Foi o dia que mais temi pelo ônibus. Foram 30 km de estrada abandonada pela civilização com perigo de uma quebra qualquer, sem sinal de celular. Finalmente chegamos ao asfalto normal e seguimos em direção a Araraquara. A lição que ficou é que nunca confie plenamente no seu GPS, ele pode tentar te ferrar mesmo.

O Araraquara Rock é um festival anual na cidade realizado em um teatro de arena muito bonito. Uma concha acústica. Saímos do hotel e seguimos para o local e começamos a montar o equipamento. Na passagem de som tocamos uma música que até mesmo para nós seria uma surpresa. Eu sempre fui um fã confesso de David Coverdale desde os discos com o Deep Purple até chegar à carreira sensacional com o Whitesnake. Aproveitando o timbre de voz do André, o Aquiles sugeriu que tocássemos “The Deeper the Love”. Essa música é um clássico lançado no CD “Slip of the Tongue” de 1990 e ficou muito boa na versão do Hangar. Foi um dos destaques do show. Cerca de três mil pessoas compareceram ao evento do qual éramos a última banda a tocar. Para um show coletivo onde seríamos os headliners a falta de atraso nos surpreendeu e o show começou no horário previsto. Muitos amigos comparecerem, o Michel de Paraguaçu, as “irmãs Damaris” rsrs, Pry Gianotti e Damaris Silveira acompanhadas pelo Júlio César e o Guilherme Kobayashi que viajaram de São Paulo até Araraquara para o evento. Voltamos para São Paulo na manhã seguinte, sem antes assistir todo o vídeo da apresentação, onde constatamos nossos acertos e erros, coisas de Hangar…

Ainda em Outubro…
Voltamos para casa e em função de workshops individuais passamos a agenda da banda para novembro. Enquanto o Aquiles carimbava seu passaporte mais uma vez, levando seu talento e música para a Polônia, República Tcheca, Bulgária e Canadá, eu andei lá pelas missões no RS levando um pouco do Hangar para nossos amigos, mas isso é um assunto para o blog Riffmaker em breve.

Voltarei em breve com o mês de novembro e o Dia do Metal Nacional, evento que causou muito assunto na cena.




Postado em Setembro 16th, 2011 @ 21:49 | 452 views

postado por Nando Mello
Acústico, por que não?

Para escrever o diário de agosto de 2011, voltarei no tempo. Para ser mais preciso, cerca de três ou quatro anos atrás. Logo após o lançamento do TROYC, passamos a incorporar em nosso set um formato acústico. Uma grande parte de nossas composições foram feitas em violões. Por exemplo , “To Tame a Land”, “When The Darkness Takes You” e mais recentemente algumas músicas do Infallible nasceram assim também.

Além de dar continuidade a este fato, que faz parte da história musical da banda, achamos satisfatório incluir um formato que pudesse, ao mesmo tempo, ser diferente do set normal elétrico e também pudesse ser apresentado em lugares menores, mais introspectivos como escolas, teatros, auditórios etc. A exemplo do que fizemos depois com o “workshow”, abrimos nosso portfólio de apresentações do Hangar com várias possibilidades, ficando a disposição para qualquer tipo de local ou ambiente. O formato acústico faz parte da nossa formação. Eduardo Martinez é Bacharel em Composição e Violão e todos os outros tocam um pouco desse instrumento, além de terem sidos influenciados por bandas e artistas que sempre tiveram essa referência calçada em violões como inúmeros nomes que vão desde Maná, Dave Matthews, os antigos MTVs acústicos, etc etc.

Dentro desse espírito começamos a tocar nosso set acústico em março de 2008. Tivemos até um DVD totalmente gravado nesse formato em maio de 2008, que no entanto não foi lançado por motivos de troca de vocalista. Durante todos esses anos exercitamos o set – e repetindo, fomos influenciados por ele em várias passagens do disco Infallible de 2009. “Based on a True Story” é um bom exemplo disso, além de “Time to Forget” e “Solitary Mind”.

O ano de 2011 chegou e recebemos uma proposta de gravação de um registro nesses moldes, por volta do mês de março. O FX Estúdio abriu as portas para que nós gravássemos o disco, coisa que para qual, dependíamos apenas e tão apenas da nossa disponibilidade. Uma ótima oportunidade de darmos sequência a Infallible Tour antes de lançarmos o próximo CD e a próxima tour em 2012. Se a história fosse simples assim, não seria tão longa.
Problemas

Nós tínhamos agenda praticamente lotada até julho de 2011. Em alguns intervalos poderíamos começar a gravar e assim foi decidido. Porém, um problema não saia da nossa cabeça. Por volta de abril, o Humberto começou a demonstrar a sua insatisfação com alguns problemas particulares. Como estávamos sempre na correria, conversávamos sempre sobre isso e demos um jeito de ir levando, “empurrando com a barriga”. A corda foi esticando e chegou em um momento que tivemos que parar tudo e tomar decisões.

Final de maio nos reunimos para fazer a pré-produção do disco. Refizemos vários arranjos e o Aquiles imediatamente começou a gravar, seguido por mim. Quando se lança um CD, as pessoas em sua maioria não sabem o que isso implica, mas com certeza devem imaginar; envolve uma quantidade de pessoas capacitadas. Engenheiros de som, roadies, produção, horas e mais horas de gravações e muito trabalho. É um trabalho que envolve comprometimento e muito dinheiro, mesmo que às vezes em parceria com alguém. Ou seja, a sua responsabilidade é muito grande!

Saímos para tocar no sul no início do mês de junho. E no dia 12 de junho, na cidade de Osório, após o show nos reunimos e decidimos, em comum acordo, que o Humberto deveria voltar para Manaus depois do nosso último compromisso que teríamos no dia 22 de julho, no SESC Pompéia. A decisão levou em consideração que ele deveria procurar a sua felicidade e nós respeitá-lo quanto aos seus problemas. Foi impactante! O Aquiles até hoje me cobra internamente que eu escolhi todos os vocalistas da banda e sempre acontece alguma coisa e as pessoas acabam indo embora. É claro que eu levo isso na brincadeira, porque eu vejo isso de outra maneira. Eu tenho muita coragem de indicar o cara porque é o melhor para a minha banda no momento. Não há como saber se a pessoa vai apresentar problemas depois, se irá embora, se irá abandonar o barco ou se irá ficar eternamente com a gente. A única certeza que tenho é que nós quatro, que tocamos juntos há cerca de 12 anos, estamos aí, sempre em frente e avante! Eu sei que ninguém tem culpa de nada, as coisas acontecem e as pessoas pensam no que é melhor para elas. Em alguns momentos eu sou bastante rude porque não consigo entender, mas não há o que fazer, somente agradecer o tempo que estiveram conosco e torcer para que as etapas amargas sejam breves para os dois lados.
Gravar com quem?

Enquanto o Humberto cumpria suas datas conosco, quebramos as cabeças pensando em quem poderia gravar o CD e como que conduziríamos isso junto aos nossos fãs, já bastante machucados com as nossas intensas troca de vocalistas. Estive em casa durante o mês de junho, quando o Daniel Fernandes e o Rodrigo Batata, nosso engenheiro de som e técnico de bateria, mostraram-me um clip de uma música chamada “Neblim”. Uma orquestra e o Eloy Casagrande na bateria e uma grande voz, que até então era desconhecida para mim: André Leite. Chamei o Aquiles e mostrei a imagem. Dois dias depois, o Aquiles entrou em contato com o André e começou a explicar a situação a ele. Já estávamos no início do mês de julho e a gravação de violão e teclados já haviam começado. A situação não era confortável para ninguém.

Durante muitos shows vivemos uma situação de total insegurança. Um vocalista em cima do palco com prazo para ir embora e resolver seus problemas, sem prazo para voltar e um outro no estúdio, prestes a gravar um disco novo com o Hangar. Confesso que o mês de julho foi complicado.
Opinião

Quando eu tinha entre 14 e 15 anos, lembro-me de não entender o porque que o Deep Purple tinha trocado de vocalista e baixista. Alguns discos tinham o Gillan e o Glover, outros o Coverdale e o Glenn Hughes. Eu sei que o fã gosta de estabilidade. Na Europa isso é mais comum. O senso de profissionalismo é muito mais aguçado e as trocas nas bandas são vistas como trabalho e nada mais. Aqui, no país “caliente”, a coisa é diferente. As trocas ferem o emocional do cara que gosta da banda, sente-se traído. Como se a banda fosse uma fraude ou qualquer coisa enganosa.

É nessa hora que temos que recorrer ao exercício de pensamento ao contrário. Tentar entender o que a banda passa nesse momento é essencial. Quando aceitamos um novo elemento no grupo temos a sensação de que desta vez acertamos e não há nenhum indicativo de que alguma coisa está errada. A convivência, o tempo , a batalha do dia-a-dia é que fazem a diferença. Se você não está preparado para isso, a fraqueza que é uma inimiga em qualquer circunstância pode ser mortal e desfazer o seu sonho. O sonho da continuidade, no nosso caso, mais uma vez esteve por um fio. Eu posso respeitar o momento do Humberto e dos nossos fãs, mas também tenho que respeitar o momento da banda, das pessoas que estão aqui do outro lado, batalhando, trabalhando, dedicando horas e horas para que o Hangar avance sempre mais. Não há como se esquecer disso, pois aqui só há espaço para a valentia e não antônimos pequenos!
But plugged in

Durante o mês de julho seguimos com as gravações do Acoustic. Os arranjos e os timbres ficaram excepcionais! O baixo para mim, claro, foi um caso a parte. Sendo um disco acústico ele ganhou destaque com linhas já antigas, algumas novas e outras tantas concebidas forçosamente durante a gravação, indo ao encontro dos novos arranjos de bateria.

Conheci o André e fiquei muito impressionado com sua humildade, muito mais com sua afinação e também com a sua postura como artista; muito pró-ativo. O Aquiles passou quase o mês todo envolvido com a produção, mixagem, masterização, capa, fotos etc. Junto com um time de profissionais de respeito como: o Théo Vieira (mixagem, arranjos, voz), Vanessa Doi (direção de arte do encarte e capa), Renan Facciolo (fotos), Ricardo Aquino (técnico de gravação), Durval da Gama (FX Estúdio), Natália Lett (fotos), Arthur Bevilacqua e Pirata (making off), João Duarte e Marina Dickinson (sites, artes e myspaces), Daniel Piquê (direção de arte dos vídeos), Heros Trench (masterização), além de pessoas próximas como a Sônia Paha e sua equipe da Lady Snake, que abraçou esse projeto conosco. São mais de 20 pessoas em sintonia! E é essa junção de ideias e pessoas movidas por um objetivo, que levaram a banda adiante! Foi um alento importante para aquele momento. Passamos a canalizar positividade em volta do processo e de uma data: 10 de setembro.
Última etapa
Na última semana de agosto nos reunimos para a última etapa do CD. Gravamos em São Paulo, no estúdio FX o clip de uma música antiga nossa e que será lançada até o final do ano. Daniel Piquê fez um trabalho muito bom com o pouco espaço que tínhamos. Dois dias depois estávamos em São Sebastião do Paraíso, no estúdio do Daniel, onde registramos o clip da música inédita do disco “Haunted by your Ghosts”.

“Haunted” nasceu de uma ideia pré-concebida pelo Aquiles que imediatamente musiquei no baixo, seguido pela introdução do Fábio e de um verso com ideias do Theo Vieira e do Martinez. Um trabalho em equipe! Tratando-se de uma música sem guitarra com distorção, o recado foi dado. Ela pulsa para cima, que era o que precisávamos para aquele momento.
Futuro

O futuro é o aqui e agora!
Disco novo e vocalista novo!
Nosso trabalho está aí e foi feito de coração. Em 90% dos casos, as pessoas não tem ideia do que acontece dentro de uma banda, portanto fica fácil julgar. Um diário só é escrito após as coisas acontecerem e a vida é cheia de etapas. Nada acontece por acaso. Temos que passar por um momento que nas nossas cabeças não é de incertezas, mas sim de muitas certezas! O que fazemos sempre foi pela banda e pelo melhor para quem gosta dela. Algumas coisas fogem do nosso controle, no entanto se isso acontece, significam que são para o melhor. Não há muros que não possam ser contornados. Nesse curto espaço de tempo nos aproximamos mais ainda e ouvindo a letra de “Haunted by your Ghosts”, percebo algumas palavras que eu mesmo teria dito, mas que acabaram saindo da cabeça e dos dedos de Aquiles em seu notebook, com uma sinergia que eu nunca havia experimentado:

“I will never let you play with my life
Just take a breathe and start again
A brand new day, never the same
There is no time to cry
When you learn to lose
There are no limits in your way
When you share a dream
you don’t look back on yesterday…”

Se você entendeu isso, venha conosco! Pois o trem não pode parar e ele anda a alta velocidade!




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