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Postado em 11/08/2011

postado por Nando Mello

Goiânia e Jander Tattoo

Começamos nossa aventura de julho na cidade de Goiânia. Já havia estado em Goiânia por quatro vezes, sempre a convite do Pedro, da Hiccup Produções. Nas ocasiões anteriores, acompanhei o Aquiles em dois workshops e fizemos dois shows completos do Hangar no espaço Centro Cultural Martim Cererê. Desta vez fomos convidados para tocar na sétima edição do Tattoo Rock Fest, um festival que reúne tatuagem e muito rock´n´roll. Nosso show seria no sábado e chegamos a Goiânia na sexta-feira, com o intuito de aproveitarmos o dia inteiro para “marcarmos” nosso corpo antes do festival, já que durante ou no dia do evento seria impossível. Essa história começou há cerca de dois anos atrás, quando o Pedro apresentou o Jander Rodrigues ao Aquiles. Jander é um dos mais hábeis tatuadores brasileiros e tem um trabalho reconhecido e elogiado por todos. Sua especialidade é o biomecânico e o Aquiles acabou fazendo uma tattoo com Jander, que passou a fazer parte do nosso grupo de apoiadores. Chegamos ao hotel por volta das 8 da manhã. Após um café e um banho, seguimos em dois táxis para o Jander Tattoo Estúdio. Localizado no décimo andar de um elegante prédio em zona nobre da capital Goiânia, o estúdio é enorme, com várias salas. “Confesso que fiquei meio deslocado, afinal, não sabia como funcionaria o esquema de ‘tatuagem coletiva”, pois éramos cinco, eu, Fábio, Aquiles, Martinez e o Daniel Fernandes, nosso técnico de som, já que o Humberto chegaria à cidade somente no final da tarde e acabou perdendo a sessão. O Jander, acompanhado pela Ravana Souza, veio nos receber muito educadamente deu as boas vindas. O Aquiles já entrou na sala de tatuagem enquanto os demais ficaram na sala de espera conversando com as outras pessoas da equipe que iam chegando e se apresentando. Conforme decidíamos o que iriamos tatuar, a Ravana indicava a pessoa certa para o trabalho. Faziam parte da equipe a Rejane Olig, o Wilson Junior, a Lays Alencar, a Priscilla Lima e a Paula Dame. O Fábio foi o primeiro a falar em algum desenho estilo “maori extraterrestre” e prontamente o Wilson Junior se apresentou para o trampo. Naquela confusão de pessoas, ficamos discutindo sobre os desenhos e a Rejane Olig me ajudou, pesquisando algumas opções na net. Achamos o desenho e a Ravana e a Rejane me disseram que eu deveria esperar a Virginia Burlesque, outra tatuadora que estava vindo para ajudar no trabalho.

Martinez

Enquanto eu esperava a Virginia chegar, fiquei batendo papo com o Daniel e o Rodrigo. Fiquei só olhando de longe o Martinez que, bem como de seu costume, não se decidia quanto a sua tatuagem, ou seja, pra variar, até mesmo no seu desenho imperava a “confusão”. Ele queria alguma coisa “old school”, e foi a Paula Dame que chegou e tentou entender o que ele imaginava. O desenho era um rosto de uma mulher misturado com guitarra, violão e mais alguns detalhes… Até a “palheta do destino está lá”… Eu olhava e ficava com pena da Paula, que tentava dar o máximo para desenhar todos os detalhes…

O Daniel começou a procurar o seu desenho junto com a Rejane e já era quase meio dia quando finalmente a Virginia Burlesque chegou. Confesso que eu até estava pensando em desistir. Não estava muito a fim de sentir dor não. Mas logo percebi que a Virginia era uma pessoa bem positiva e me deixou bem à vontade quanto ao desenho. Ela prontamente me ouviu e saiu para desenhar o que seria a idéia dela para a “Ankh” que eu queria tatuar. As minhas duas tatuagens anteriores são um “Yin/Yang” estilizado com os elementos água, ar, terra e fogo e representa o “equilíbrio”. A segunda é o “H”, símbolo do Hangar e agora a Ankh, que se lê “anaqui” e significa o “símbolo da vida”. Tento manter um significado para as minhas tattoos já que elas irão me acompanhar para sempre. Nada contra quem queira tatuar golfinhos, estrelas do mar, cascudos e outras coisas… (huahuahu, piada interna), afinal estes desenhos também devem significar alguma coisa importante para a pessoa. No início da tarde fui para a mesma sala onde estava o Fábio com o Wilson Junior e começamos a sessão. Com certeza a apreensão é grande porque não podemos dizer que “não dói”. Realmente a dor, embora suportável, existe. Difícil esquecer a sensação do “álcool” entrando na sua pele depois de duas horas de tatuagem…hauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Enquanto o Fábio, Aquiles, o Daniel e eu já estávamos nas salas “recebendo tinta”, acompanhava de longe a Paula ainda tentando terminar o desenho do Eduardo. Enquanto a tarde passava divertíamos com as nossas “dores”. Como o meu desenho aparentemente era o mais simples e menor, ajudado pela paciência da minha tatuadora, pude circular pelas salas várias vezes apreciando as caras nada agradáveis de todos… Tatuar é um ritual. A concentração do tatuador na hora em que ele exerce a sua profissão é notória. Brincávamos nervosamente com nossas dores, mas os profissionais estavam lá focados. Às 16hh30 a Virginia terminou minha tattoo. O Aquiles não aguentava mais devido ao tamanho e ao local escolhido. O Fábio ainda iria ficar até às 23hs00, enquanto o Daniel já estava no final e o Martinez… Bem, o Martinez estava começando a primeira parte do seu desenho.
As 17hs seguimos para a loja da Harmonia Musical onde muito doloridos recebemos vários fãs e amigos como a Thais Sena que largou o trabalho no Santander pra ir até a Harmonia, rs, e a Layanne Cristine, nossa grande amiga de “twitter” e o Tiago Miranda, nosso velho conhecido e amigo. Às 19hs, enquanto alguns voltavam para o hotel, voltei junto com o Fábio, o Martinez e o Daniel para o Jander onde eles tentariam completar as suas tattoos. Saímos de lá às 23hs e apenas o Martinez e a Paula não conseguiram terminar, devido a complexidade do desenho “articulado” por eles…
Foi um dia cansativo, mas produtivo. Tive mais respeito ainda por estes profissionais que desenham na sua pele. Um grande abraço ao Jander, Ravana, Lays, Rejane, Wilson, Priscilla, Paula e a “fada” Virginia pela paciência. Quem quiser conferir o trabalho deles é só acessar www.jandertattoo.com

Tattoo Rock Fest

No outro dia, sábado, dia 02, o pessoal da equipe saiu cedo para montar nosso equipamento. Enquanto isso eu procurava uma farmácia que vendesse a pomada cicatrizante apropriada para os nossos desenhos. Depois do almoço fomos para o local do show. Um lindo e enorme local chamado Centro Cultural Oscar Niemayer, com um palco, som e estrutura incríveis. Na parte de fora do teatro ficavam os bares e a exposição com vários stands de tatuadores de todo o Brasil, além de roupas, máquinas, livros, tintas e afins. Era uma Expo Tattoo, na melhor concepção das palavras. Tentei acompanhar tudo, mas tive que evitar aquela demonstração em que as pessoas ficam penduradas por ganchos a alguns metros de altura. Foi demais pra mim, mas respeito os caras que fazem.

O show foi muito bom. Estávamos com uma energia boa e o clima de palco, som, luz e público ajudaram bastante. Encontramos novamente nossos amigos Tiago Miranda, Murilo Morais e Thais Sena. O Aquiles fez uma justa homenagem a todos os tatuadores que estavam presentes, em especial aos da equipe do Jander que foram prestigiar o evento e nosso show e encerramos a noite comemorando bastante e carregando nosso ônibus para a volta direto a São Paulo. Foi a quinta vez em Goiânia, mas pelo jeito vamos voltar rápido. A cada desenho você quer mais um na sua pele…

São José dos Campos

Dia 13, “Dia Mundial do Rock”, foi vez de irmos a São José dos Campos, cidade próxima a São Paulo. Como já disse em outros diários, tocar no SESC sempre é bom. É uma garantia de você ser bem recebido, qualidade de luz e som. Chegamos e fomos recebidos pela Suely Vieira, responsável pela contratação e programação musical do SESC da cidade. Ela faz um trabalho invejável. Muitos artistas nacionais já passaram pela cidade. Apenas dez dias antes o Flávio Venturini tinha realizado um show ali. O local escolhido para o show foi o Ginásio do SESC, ou seja, um lugar grande, o que nos deixou apreensivos. Seria um mais um “Anvil Day”? Passamos o som e pontualmente às 20hs00 nos dirigimos aos camarins. O show estava marcado para as 20h30 e eu sempre costumo ficar olhando o público. Era noite de quarta-feira com jogo do Brasil na TV, e mesmo assim mais de 400 pessoas compareceram e curtiram o show! Chegar em uma cidade que você nunca tocou e olhar diversas pessoas cantando as músicas da banda é muito gratificante. Sinal de que estamos crescendo como banda. No final batemos papo com todos e nos divertimos com a presença de vários amigos, como o João Duarte e a Marina, que saíram de São Paulo especialmente para o show, o vocalista Lean Van Hanna e o tecladista e fotógrafo William Vankar. Esperamos em breve voltar à região com muitas novidades.

Paraguaçu Paulista

Saímos de São José dos Campos por volta das dez da manhã e seguimos direto para Paraguaçu Paulista. Foi uma viagem longa onde mais uma vez não faltaram os diversos (mesmo!!!) capítulos de “Prison Break”, novamente. Lá pelas duas da tarde resolvemos parar para almoçar. O problema que a partir dessa hora é difícil arrumar um local na estrada. Estávamos no meio do nada e paramos em um local que vende artigos coloniais, mel, própolis etc… mas que servia almoço em marmitas porque o restaurante com ar condicionado já estava fechado. Não tivemos dúvida, banda e equipe, cada um pegou uma marmita e almoçou no pátio do local. Os dez bichos comendo sentados no chão em meio às pedras, com garfos e facas de plástico no maior esquema “rural brothers of metal”.

Chegamos a Paraguaçu na noite de quinta-feira, um dia antes do show. Fomos recebidos pelo Michel Inzaghi que nos levou direto ao hotel. Conheci o Michel e o pessoal de Paraguaçu quando tocamos em Presidente Prudente em maio, na Virada Cultural. Na ocasião ele me disse que nunca uma banda de metal esteve em Paraguaçu e que um dos sonhos dele era levar o Hangar.

Descansamos bastante e no outro dia cedo a equipe foi montar o equipamento em um lindo teatro na cidade. Ocupamos o dia com afazeres contratuais nos dois cartórios de Paraguaçu, o que rendeu ótimos momentos cômicos. O Aquiles não resistiu a uma placa que dizia “Protesto” e começou a discursar sobre alguma coisa que ele não gostava ou estava insatisfeito… Em cidade pequena, quando chega gente de fora todos ficam sabendo, então a confusão e o bom humor tomaram conta de repartições até então sérias como os cartórios de registros de Paraguaçu Paulista. A noite de sexta estava agradável e fizemos um show muito bom com a presença de muita gente da cidade e de cidades vizinhas como o Pedro Bertasso e a Vivian que vieram de Presidente Prudente para assistir o show e fazer uma entrevista exclusiva com a banda; o Cadu Newsted e o pessoal da TRZ Metal Tour, de Marília. Aliás, o Cadu tá nos enrolando até hoje… Cadê o show de Marília, Cadu? Parabéns ao Michel Inzaghi, um garoto de apenas 21 anos e com uma seriedade e profissionalismo a serem destacados. Não importa a idade ou a falta de experiência, quando a pessoa quer fazer ela faz e ponto final. Michel é uma prova disso. Saímos de Paraguaçu na manhã e seguimos rumo a São Paulo.

SESC Pompéia

Com o adiamento do Araraquara Rock fiquei uma semana na cidade de São Paulo e o Martinez foi para Mococa com o Fábio. O Aquiles está com uma nova sala de aula no Instituto Fabiano Manhas, na zona norte da capital, e aproveitamos para tocar um pouco e ajeitar algumas coisas por lá. Nesta semana recebemos o Inside Your Soul, que não tinha sido relançado desde a sua origem em 2001. Dez anos depois recebê-lo ali, novo, foi emocionante. Um grande período e um grande disco. Sempre falo que a música Inside Your Soul tem o baixo mais difícil de ser tocado em todas as músicas do Hangar. Tocar em São Paulo sempre traz um pouco de preocupação. Show na sexta feira, cidade grande, frio, etc. Mas como sempre tivemos uma resposta de público excelente com a casa cheia. É uma ótima oportunidade de rever os amigos de sempre além dos novos que sempre aparecem. Como sempre a Marina Dickinson e o João Duarte nos acompanharam. Nossa grande diretora de arte Vanessa Doi e a Carol Angeli. O César Pereira e sua mãe que nos acompanha sempre. As irmãs Pry e Damaris, a Simara Fiorelini e o Junior. Tivemos também o staff da Lady Snake em peso com a Sônia Paha, a Aninha Soncin e a Simone Borges e o Ralf Carlos, todos muito felizes e simpáticos. O grande batera Fabiano Manhas também esteve presente. No show o, Théo Vieira, nosso grande parceiro, nos acompanhou com o violão em quatro músicas.

O final da noite se aproximou e na madrugada fria de São Paulo havia uma sensação de despedida. Embora estejamos sempre em contato sabíamos que os próximos shows somente aconteceriam em setembro. Ao mesmo tempo as novidades e as expectativas para o segundo semestre não saíam das nossas mentes. Plantar, semear, colher fazem parte da vida desta banda… A busca continua e as novidades acontecem. Aproveito pra lembrar, mas de forma um pouco diferente, o que diz a canção daquela banda irlandesa/americana: “Wake me up when september BEGINS…”

Abraço a todos… Até o próximo episódio.

Nando Mello
Revisão e pitacos Fábio Laguna




Postado em 31/07/2011

postado por Nando Mello

Como prometido, não ficaremos muito tempo sem escrever nosso diário. Então vamos por a memória no “modo ativo” e lembrar nossas viagens no mês de junho de 2011.

Depois de alguns dias em casa, voltei a São Paulo no início do mês de junho para alguns compromissos com a banda e pessoais. Nosso próximo workshow seria no Rio Grande do Sul, na cidade de Panambi, a cerca de 350 quilômetros de Porto Alegre. Como sempre, esperamos o Infallibus que vem de Mococa com o Fábio e nosso novo motorista, Sebastião Telles. O Telles já havia viajado conosco para o Rio de Janeiro e está começando a se acostumar com a turma. Como ele é o mais novo na equipe, lógico que ele não iria passar batido pelas brincadeiras com o seu nome: Tevez, Celso, Térbio, Telecelso, Treves, Trelles, Tião foram algumas das alcunhas que ele recebeu e recebe até hoje nas viagens. A gente ainda não sabe direito se ele leva na brincadeira ou não porque simplesmente não conseguimos entender o que ele fala. O Telles não fala, resmunga… De vez em quando ele chama meu nome e ouço atentamente, mas geralmente preciso ouvir umas duas vezes. Ele é gente boa, bonachão e ainda tem um pescoço tão grande que o Aquiles diz que ele não consegue enxergar muito para os lados… heheheh. A visão periférica dele é prejudicada. Claro, tudo não passa de brincadeira com nosso motora, que tem a responsabilidade de nos levar nessas viagens longas pelo Brasil.

Panambi

Saímos de São Paulo na sexta-feira, dia 03, em direção ao sul. Seriam 1000 quilômetros até Panambi, em uma viagem longa, cansativa e perigosa. Rumo ao centro-norte do Rio Grande do Sul, a viagem seguiu pelo meio da região sul, ao contrário do caminho costumeiro pelo litoral, via Florianópolis e Porto Alegre. Para falar deste workshow vou voltar no tempo… Quatro meses atrás recebi um e-mail do Aquiles sobre uma escola na cidade que pretendia fazer um evento no mês de junho. Entrei em contato com a pessoa e começamos a negociar. O nome dele: Lorival ou “Loriva Batera”, sugestivo? No decorrer das conversas o Lorival explicou-me que na cidade havia uma escola chamada “Escola de Talentos de Panambi”. A escola era provida pelo Rotary Club e pela Secretaria Municipal de Cultura. Enquanto o Rotary comprava os instrumentos, a Prefeitura pagava os professores e os locais de sala de aula. De volta à viagem, logo na saída começamos a assistir o primeiro episódio da série Prison Break… O Aquiles levou a caixa completa de DVDs…Foi Prison Break a viagem inteira… O pessoal não aguentava mais as aventuras de Michael Scofield tentando salvar seu irmão Lincoln da cadeia de Fox River. Durante o dia e noite de viagem, nomes como a da Dra. Sara, Fernando Sucre, T Bag, Abruzzi, Veronica, o malvado Bellic e o temido Fibonnacci ficaram próximos da gente… Uma overdose de capítulos de Prison Break, melhor assim do que nada pra fazer.

Chegamos às 22h em Panambi com um frio de 5 graus. Inverno gaúcho de rasgar a pele. Frio mesmo! Fomos para o hotel e nos acomodamos para o dia seguinte. No meu quarto o ar quente não estava funcionando e como o hotel estava lotado, não pude ser acomodado em outro quarto. O workshow aconteceu em uma escola, o Colégio Evangélico de Panambi. O pessoal da equipe seguiu cedo para o Colégio, pois o evento seria às 16hs. Às 11 da manhã saímos em direção ao centro da cidade na companhia do Loriva, sua esposa Josie e o guitarrista Duda Beck, os três professores da escola. Chegamos à Escola de Talentos, onde uma pequena banda formada por meninos na faixa de 14 anos de idade nos esperava.Eram alunos dos professores Loriva e Duda, e prepararam uma pequena apresentação para nós. No formato bateria, baixo, teclado e duas guitarras, tocaram vários clássicos do rock como Highway to Hell, Jump e Born to be Wild. Ficamos todos emocionados com a homenagem. Um dos meninos, o baterista, era deficiente visual, o que fez a gente ficar mais ainda sensibilizado pelo momento. Uma cidade com 40 mil habitantes tem uma escola que ensina música para 520 crianças gratuitamente. Pensando nisso, concluímosde que alguma coisa realmente está errada neste país…

No final de manhã, chegamos ao local do workshow, um salão grande com um palco em três níveis. Muito bom, mas um frio tremendo. Passamos o som e logo fomos para o almoço, que foi servido no colégio mesmo, em um salão bem rústico e aconchegante, equipado com churrasqueiras e mesas pesadas. A esta altura nosso amigo Mauriel Ourique já estava na cidade e saímos para conversar e prosear em busca de pilhas para os microfones. Depois do almoço alguns voltaram para o hotel, mas eu acabei ficando direto até a hora do evento.

O workshow começou pontualmente às 16 horas e mesmo com frio de 5 graus o ginásio estava lotado. Além do pessoal da cidade tivemos muitas pessoas de cidades vizinhas como Cruz Alta e Ijuí. A Débora Reoly esteve presente para cobrir o evento e realizar uma entrevista para o Whiplash, que eu mesmo acabei fazendo depois do workshow. Mesmo com sol o frio era intenso, acho que a tarde fazia uns 10 graus, no máximo. Divertimos-nos bastante com as perguntas dos presentes, a maioria músicos de todas as idades. Encontramos o Charlei Haas, nosso velho conhecido de outros shows passados na regiãoe, sendo um ótimo fotógrafo, acabou trabalhando a tarde toda na cobertura do evento. Depois da sessão de autógrafos costumeira já era quase hora da janta. No mesmo local, saboreamos um churrasco, enquanto a noite caía na cidade e a temperatura despencava para 3 ou 4 graus. Tivemos a recepção do pessoal da Secretaria de Cultura, do Rotary Club e também da Prefeitura de Panambi. Foi um jantar diferente. Acho que sentimos que estávamos fazendo um trabalho em prol da cidade, levando música para aquelas pessoas da Escola que nos viam como exemplo a seguir. Isso ficou claro no pequeno discurso da Secretária de Educação, a Sra. Elenir Winck, que falou exatamente sobre a importância de estarmos ali neste dia. Mais uma lição e nos sentimos muito bem com esta nova perspectiva que vai além de uma simples banda de heavy metal, mas engloba também toda a parte educacional e pedagógica que envolve um evento como o que fazemos. Muito bom. O Aquiles falou em nosso nome desejando a todos muita sorte e agradeceu a oportunidade de mostrarmos esse nosso lado, digamos, mais “pessoa” do que “bicho”, como costumamos brincar. Inesquecível. Como a janta foi cedo, o Charlei Haas, nosso cicerone na cidade nos convidou para conhecer o único pub do local, o Mr John, onde haveria uma grande noite “sertaneja” com música ao vivo e tudo mais. Depois de uma rápida passagem pelo hotel para um banho,Aquiles, Fábio, Daniel, Guilherme, o Rodrigo e eu nos dirigimos ao pub, lá pelas 22 horas. O frio era coisa de enlouquecer. No pub, fomos levados ao camarote para curtir a noite sertaneja junto com o Charlei e conversando com a rapaziada que timidamente se aproximava. Depois de algum tempo o teor alcoólico subiu um pouco e naturalmente as brincadeiras inconsequentes apareceram. Na volta para o hotel tomamos um taxi, que em Panambi custa R$10,00 para qualquer lugar que você queira ir. Éramos sete pessoas dentro do carro e amontoados na parte traseira o Aquiles conseguiu me dar uma cotovelada que quase me levou a nocaute. Meu cérebro ficou solto dentro do crânio, rsrsrs… Sim, quase fui a nocaute técnico e ninguém notou. Naquela gritaria ninguém percebeu e eu demorei uns bons segundos para voltar da “viagem”…rs. As velhas brincadeiras estúpidas que a gente faz quando está “high”.

Montenegro

Saímos de Panambi no domingo e seguimos para a minha casa, onde ficamos no domingo todo e aproveitamos pra curtir o frio de Gravataí com um vinho típico da terra…Na segunda-feira o Fábio fez novamente um workshop na Escola Tio Zequinha, enquanto o Aquiles e eu seguimos para uma janta com o pessoal da Harman, nossos amigos Fábio Floriani e Richard Powell. É sempre bom bater um papo com as pessoas que compraram a nossa idéia maluca de perambular no Brasil todo com um ônibus patrocinado por eles. Na terça-feira pela manhã rumamos para Montenegro, pequena cidade a cerca de 60 quilômetros de Gravataí. O dia amanheceu com chuva e assim ficou até a outra manhã. Frio de 10 graus e chuva fina em cima. Foi um dia cinzento mesmo. Descarregar o ônibus no Teatro com este clima foi maçante. O pessoal da Art Som, Ademir e Vítor, já estavam nos esperando. A última vez que estivemos ali foi em agosto de 2008, aliás, foi a minha primeira viagem com o Aquiles, exatamente em Montenegro. A chuva não cessou, o que reduziu um pouco o público.Ainda assim, foi uma noite quente de metal. A sessão de perguntas foi bem produtiva e nos divertimos muito. Encerramos a noite no bar Cordel, onde jantamos acompanhados pela voz e violão da cantora Simone Schuster, que mandou muito bem vários clássicos do rock. Um vinho ajudou na digestão nas risadas, e o Aquiles acabou pedindo uma música da “Adele”,sendo prontamente atendido pela cantora. Ficamos de voltar para fazer um acústico no Cordel em setembro, pode ser que aconteça.

Osório

Voltamos para Gravataí na quarta-feira pela manhã, passandoantes na Harman para mais uma reunião, desta vez com o pessoal da diretoria e do marketing. É muito bom ver que estamos alinhados com as ideias deles nesta nova fase. Pra quem não sabe, a Harman, empresa de capital estrangeiro, incorporou a Selenium, nossa antiga parceira. Quinta-feira foi dia do Aquiles dar aulas no Batera Store de Porto Alegre. No dia seguinte fomos a Novo Hamburgo fechar uma data de workshow para setembro e encontramos o Rodrigo da Urban Boards, nosso grande amigo. Sábado à noite, ainda com frio,fizemos um churrasco na minha casa, com todos os presentes menos o Fábio que foi até Criciúma gravar o disco do nosso amigo Thiago “Hommer” Daminelli. Domingo pela manhã seguimos cedo para Osório, pequena cidade no litoral gaúcho. Quem nos aguardava lá era o Newton Arboitem, da loja Roll Over. O Newton se encarregou de fechar com a Secretaria Municipal de Cultura o show do Hangar em um lugar muito legal chamado Largo dos Estudantes. É um lugar que antigamente era a céu aberto, mas agora conta com uma cobertura e climatização. Fomos muito bem recebidos por todos, em especial pelo Newton e pela sua esposa, Lara. O clima foi tão bom que nos divertimos bastante durante o show. Teve até um pequeno discurso da Secretária de Cultura no meio do show… Acho que estamos virando experts neste tipo de evento, onde as pessoas da cultura da cidade se identificam com a nossa mensagem, assim como os fãs da banda. Foi uma noite agradável. Depois do show fomos jantar e contar “histórias de rock” conforme alguém acabou se referindo. O Newton e esposa são figuras ímpares, merecedores do rótulo de sucesso. Parabéns a eles. Vamos voltar a Osório em setembro ou outubro para um workshop de bateria do Aquiles e algumas aulas. Por volta da meia noite me despedi dos companheiros que rumaram para São Paulo enquanto eu voltava para casa em Gravataí. Foi uma semana intensa com muitas surpresas.

Este é um resumo de nossas aventuras de junho de 2011. Em breve vamos falar de julho, da nossa visita a Goiânia, onde tatuamos nossos corpos e fizemos o “Pain Day” do Hangar. Reportarei os shows em Goiânia, São José dos Campos, Paraguaçu Paulista e no SESC Pompeia. Tudo com os devidos detalhes, como sempre. Espero que vocês gostem e continuem seguindo nossas aventuras.

Texto : Mello
Revisão : Laguna




Postado em 21/05/2011

postado por Nando Mello

Revisão Fábio Laguna

Uma das reclamações constantes que recebo é que nosso diário demora muito a ser publicado, acumulando meses até a próxima publicação. Sendo assim, resolvi tentar escrevê-lo todo o final de cada mês a partir de março.

Hangar Day

Começamos nosso ano de 2011 muito bem em fevereiro e tínhamos a intenção que março fosse ao menos parecido. A meses planejávamos o Hangar Day e finalmente ele chegou. Os últimos dias de fevereiro foram intensos, uma correria, pois os candidatos enviavam vídeos a toda hora e, como sempre, fiquei como responsável de assisti-los e repassá-los ao pessoal da banda para avaliação. Meu critério de escolha foi além do vídeo, considerei a história de cada um com a música e a relação com a banda Hangar, se realmente era um fã e tal. No final da apuração tivemos algumas arestas a aparar porque ficamos em dúvida quanto a algumas escolhas. Decidimos que não seria mal nenhum em convidarmos três bateristas e dois guitarristas. Para vocal, tecladista e baixista optamos por somente um de cada. O resultado final foi divulgado no dia 4 de março e tive a preocupação de falar com todos os candidatos para realmente saber se eles estariam disponíveis para a data.

Viajei no dia 10 para São Paulo e começamos a trabalhar para o evento do dia 12. A produção era toda do Hangar então os esforços foram dobrados. Tivemos o apoio da Free Note que esteve conosco em todo o evento, da divulgação até o fechamento do Blackmore na madrugada do dia 13. Sem a presença do Vinicius e do Zé, não conseguiríamos chegar ao sucesso no projeto. Na manhã do dia 12 enquanto nossa equipe montava o equipamento , os vencedores começavam a chegar. Primeiro foi o Jarlysson, baterista de Santarém, no Pará, e o Vítor, guitarrista de Cachoeirinha, Rio Grande do Sul. Depois chegou o Thiago Bonga, baixista de Salvador, Bahia e o Rafa Dachary, baterista de Ijuí, mas que mora em Florianópolis, Santa Catarina. Tímidos, todos pareciam meio assustados com a quantidade de equipamentos e pela proximidade com a banda. Os demais selecionados seguiram direto para o local do almoço. Chegamos por volta da uma da tarde e encontramos o Díogenes Lima, tecladista natural de Passo Fundo, mas morador do Guarujá, São Paulo e a Monica Souza, vocalista de Porto Alegre. A Mônica, de tão empolgada que estava, acabou levando sua banda inteira para São Paulo para apoiar a sua performance. No almoço recebemos a visita da equipe do Stay Heavy. Como sempre nossos amigos Vinicius e Cintia Diniz foram muito atenciosos e fizeram a cobertura completa, do almoço até o show, para um programa especial que irá ao ar no próximo mês. Todos bem humorados e alegres com a participação e a festa que estava acontecendo. Almoçamos e voltamos direto para o Blackmore. Acompanhamos o restante da montagem e esperamos a passagem de som. Geralmente nossa “passagem de som” não demora muito, no máximo três a quatro músicas, quando precisamos. Nesta tarde tudo foi diferente. Eram “sete” pessoas que nunca haviam tocado conosco. A esta altura o Ivo, guitarrista de Santos, São Paulo, se juntou a nós, já que por motivos particulares não havia comparecido ao almoço. Tocamos com nossos convidados as sete músicas nas quais iriam dividir o palco conosco. Depois passamos mais quatro ou cinco músicas sozinhos. Saímos desta fase já cansados, pois tocamos cerca de 11 ou 12 músicas. Já passava das seis da tarde quando o pessoal da banda foi para casa descansar, tomar banho, etc… Enquanto nossos convidados, como bons turistas, foram conhecer o Shopping Ibirapuera, próximo do Blackmore. Tive que ficar no bar para arrumar todos os banners e material de divulgação e merchandising com o pessoal da Free Note. Aliás, neste dia fizemos a estréia da nossa nova componente na equipe, a máquina de cartões da Cielo. Sim, a Cielo está conosco agora e não tem como não levar alguma coisa do merchandising do Hangar, ficou muito fácil: se não tem grana, passa o cartão, rsrsrs. Já havia fila na porta do Bar. Pessoas tirando fotos com o Infallibus, como se ele fosse um grande herói do metal nacional, ou coisa assim… ahaaaaaaa, massa.

Eu já tava mais que cansado, desde as oito da manhã na correria, mas a festa estava acima de tudo e era um grande dia para todos nós. Pelas dez da noite o Blackmore estava lotado, muita gente com a camiseta do Hangar, amigos, fãs, todos presentes para celebrar. Às onze e meia começaríamos o show e fui atrás de todos os participantes para avisá-los. Havia uma ordem de apresentação, o que significava que teríamos que estar bem organizados. Não havia mestre de cerimônia, então combinamos que a apresentação inicial ficaria a cargo do Aquiles e depois sucessivamente eu, Martinez, Fábio e Humberto entraríamos um a um no palco e depois cada integrante chamaria os vencedores do consurso para tocar junto com a banda. Visivelmente emocionado, o Aquiles subiu no palco e deu ínicio ao show. Falando da trajetória da banda, todos puderam ver que seus olhos brilhavam ao ver mais de 400 pessoas, dezenas com o “H” no peito. Mais do que uma atitude inédita no Brasil, o “Hangar Day” foi um marco. Evidenciando o quanto estávamos contentes com aquele dia, o Aquiles fez um discurso memorável e emocionante, no maior estilo “pastor metal” e foi chamando um a um demais os integrantes da banda. Quando ele chamou o Humberto e a banda ficou completa, o Blackmore literalmente “caiu”. Paramos tudo e ficamos olhando a galera aplaudindo e gritando… memorável. O Aquiles chamou o primeiro selecionado a participar, o Jarlyssom, que entrou no palco e tocou conosco a “Some Light To Find My Way”; depois entrou o Rafa e tocou a mesma música. Na sequência foi a vez do Thiago Bonga tocar “Solitary Mind” e do Ivo e do Vitor tocarem “Collorblind”; depois a Mônica cantou “Time to Forget” e o Diógenes Lima tocou “Infallible Emperor”. Pela primeira vez pude ver a banda tocando de longe, com outro baixista, uma sensação no mínimo estranha… rsrs. As participações foram muito bem recebidas pelo público. Todo mundo entendeu a brincadeira “séria” que era aquilo. Alguns participantes eram bem experientes, outros nem tanto, e mesmo assim todos se saíram muito bem. Depois da apresentação individual dos candidatos, todos voltaram ao palco para tocar “The Reason Of Your Conviction”. Estavam emocionados por poderem participar e tocar para várias pessoas em um palco junto conosco. Após estas oito músicas, reunimos toda a galera para as fotos, agradecemos pelo momento e seguimos com o nosso show. Confesso que estava bem cansado do dia todo, mesmo assim, ainda tivemos forças para tocar várias músicas. Uma das coisas legais deste dia foi que pela primeira vez estava tocando com meu novo set de amplificadores e caixas da SWR, uma empresa ligada a Fender. Um ampli fora de série, que fez com que o som de baixo desse um “up” sensacional. Na real, era a primeira vez que tocávamos juntos com as novas guitas “Jackson” do Martinez, os teclados “Korg” do Fábio, meu ampli “SWR” e o Aquiles voltando com a sua “Mapex Deep Forest”, agora pintada de vermelho. O som da banda estava diferente mesmo! Era muita coisa nova ao mesmo tempo… Mais para o final da nossa apresentação sentimos o Aquiles meio mal no palco. Realmente ele estava bastante enjoado e começou a ficar pálido. Talvez tenha sido alguma azeitona no almoço, rsrs. Vai saber… Acabamos cortando duas músicas do set. Nos despedimos e depois de alguns minutos no camarim, onde realmente o Aquiles passou mal, fomos ao encontro dos convidados e fãs para conversas, fotos, autógrafos, etc…

Uma lista incontável de amigos compareceu (e lógico que vou acabar esquecendo-me de alguém): Marina Dickinson, João Duarte, Vanessa Doi, Maria Carolina Angeli, César Pereira, André e Sá, Claudinho Medina, Edi, Glaucy, Roger, Paulinha, Wallace, Moacir, Jully, Ana, Pry e Damáris, Sanedi, Jandira, Felipe, Samara e mais 400 pessoas que estavam lá. Agradeço também a nossa equipe de apoio Daniel Pepe, Rodrigo Batata, Fábio Didi, Dinho e a incansável Bruna Fonte, que ajudou o tempo inteiro, sempre se colocando à disposição para todos os problemas… Ainda em tempo, agradeço ao Marcelo, da Pride Music, que esteve presente durante a passagem de som para que fizéssemos vídeos sobre nossos novos equipamentos SWR, Korg, DDrum e Jackson, o Vínicius e o Zé da Free Note e o pessoal do Blackmore e os vencedores do concurso Hangar Day, Mônica, Ivo, Vítor, Dio, Thiago, Rafa e Jarlysom pelo dia maravilhoso de confraternização. De maneira alguma alguém poderia imaginar que praticamente 14 anos após o surgimento a banda estaria em São Paulo comemorando um dia inteiro com o inédito Hangar Day. Foi muita emoção.

Curitiba

Após um merecido descanso até a noite de domingo, dia 13, preparamo-nos para mais uma viagem em direção ao sul. Nossa primeira etapa seria Curitiba, na segunda-feira, dia 14, para aulas na escola do Joel Jr., a Drum Time. Saímos de S.Paulo às duas da manhã de segunda e em uma viagem tranquila chegamos a Curitiba, por volta das 9 da manhã. Após um tempo para encontrar um local adequado para estacionar o Infallibus rumamos para a Drum Time. Encontramos o Joel já na porta da escola onde largamos nossas mochilas e logo em seguida fomos almoçar em um restaurante sensacional, propriedade do irmão do dono do restaurante onde almoçamos no sábado em São Paulo, no Hangar Day. Como somos clientes assíduos tanto em São Paulo quanto Curitiba, logicamente rolou aquele desconto esperto na hora de pagar a conta, rsrs. Voltamos para a escola e durante a tarde enquanto alguns recebiam seus alunos, outros em intervalos distintos recebiam as visitas dos nossos amigos queridos de Curitiba, a Luma, o Alex, a Lohanna, Cris Helen e a Dani vestida de aeromoça… haha entreguei Dani, sorry. À noite conseguimos um lugar seguro para o ônibus e fomos jantar. Mais tarde, alguns tiveram insônia e foram tomar “água que passarinho não bebe” em uma conveniência de um posto de gasolina próximo.
Na terça-feira, dia 15, após o meio dia despedimo-nos do Joel, que àquela altuta já devia estar dando graças a Deus pela multidão do Hangar ir embora, rsrsrs e rumamos para o Shopping Barigui. Fomos direto a FNAC montar o equipamento e acertar os detalhes sobre o lançamento da biografia do Aquiles. Tocar nas lojas da FNAC sempre é muito bom, é algo diferente e o atendimento do staff da loja é sempre excelente. Geralmente o público fica sentado e participa muito. Mais uma vez reencontramos os amigos Alex, Luma, Cris, Lexus, Dani, Zé do Cartaz e mais uma centena de pessoas e fãs da banda. O Aquiles falou bastante da biografia e batemos um papo muito bom com todos que se aventuravam a perguntar sobre qualquer coisa. As músicas foram cantadas e muito aplaudidas. Nas partes engraçadas mais uma vez ovacionamos a nossa máquina de cartão de crédito da Cielo, que tornou-se um evento a parte dentro da festa. Após o show, recebemos todos, mas a esta altura, quase onze da noite a correria foi grande para desmontar tudo e sair a tempo do Shopping. Perto da meia noite partimos de Curitiba direto em direção a Porto Alegre.

Gravataí e Porto Alegre

Antes de chegar a Porto Alegre, passamos na fábrica da Harman (ex-Selenium) e batemos um papo rápido com o Fábio Floriani, diretor, reforçando o convite para o pocket show de sexta-feira, dia 18, na Fnac de Porto Alegre. Seguimos direto para a casa do Martinez e deixamos por lá o próprio, o Fábio e o Humberto. O restante do pessoal, Aquiles, Daniel, Rodrigo e o Fábio seguiram para a minha casa em Gravataí. Chegamos a tardinha. Quinta-feira, dia 17 de março, foi dia para manutenção do Infallibus. Enquanto o Aquiles, o Rodrigo e o Daniel rumaram no meu carro para Porto Alegre para comprar alguns cabos que estavam falatando e visitar o Rafa Dias no Batera Store, eu e o Fábio Didi fomos tratar de arrumar local para troca do óleo, manutenção das lampadas e mais algumas coisas pequenas. Felizmente conseguimos fazer tudo em um raio de 1km de distancia. O bairro onde moro tem esta vantagem que nem eu mesmo sabia, é tudo muito perto.

Na noite de quinta, todos fomos até a cidade de Portão, próxima à Porto Alegre, na casa do Rodrigo, da Urban Boards, que nos convidou para um churrasco. Carne de primeira, cerveja gelada… Agradecemos demais a imensa hospitalidade dos irmãos Rodrigo e Raquel. Claro, alguns abusaram da “água que passarinho não bebe”… E na volta, uma pessoa ficou “meio alterada” e começou a morder todo mundo dentro de Infallibus… No dia seguinte, todos da banda e da equipe (exceto um, que vou deixar a imaginação de vocês descobrir) estavam com tatuagens de dentes nas costas, braços, pescoço. O Ministério da Saúde adverte: se beber, não morda, rsrsrs.

Sexta-feira a tarde fomos para o Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, para montarmos o equipamento. Um pequeno stress no estacionamento do busão na porta da FNAC e o desaparecimento do cabo da máquina de cartão da Cielo indicavam que seria uma tarde estranha, mas felizmente foi somente isso. Porto Alegre nos recebeu de braços abertos. Ficamos muito felizes de ver a FNAC super lotada. Na real, faltou lugar. Além dos meus familiares, os do Aquiles e do Martinez, que costumeiramente comparecem em todos os eventos próximos, tivemos a presença de vários amigos e pessoas ilustres da música na cidade. Amigos como o Marcelo Rodrigues, o pessoal da banda Oniggatai, a Mônica Souza, o Chileno e o Luciano do Tierramytica, o grande baterista Kiko Freitas, um dos mais respeitados do Brasil no seu instrumento, Frank Jorge, coordenador do curso de Formação de Produtores de Rock da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), o Diretor da Harman, Fábio Floriani, que foi homenageado pela banda com dois quadros com a nossa imagem e o Infallibus, sonho que somente se realizou devido a sua chancela ao projeto e vários amigos e fãs. A homenagem ao Fábio e à Harman foi marcante. Esperei pelo discurso dele mas a emoção foi tão forte que ele não conseguiu falar. Atendemos todos até a loja fechar e depois fui para casa enquanto os demais saboreavam um jantar em um restaurante do shopping.

Santo Ângelo e a confusão

Dia 18, sábado partimos em direção a Santo Ângelo por volta das cinco da manhã. Perto do meio dia chegamos a Ijuí onde almoçamos com o pessoal da banda Excellence, que organizou nosso show ano passado no SESC da cidade. Um grande abraço ao Lucas, Marcos, Robson, Pimenta e ao pessoal que nos recebeu muito bem. O show de Santo Ângelo foi firmado quando da nossa passagem pela cidade em dezembro. O Alex Chimú, que foi nosso anfitrião na época, tinha vontade de levar uma banda e colocar um show na cidade há certo tempo e, movido pelo sucesso do workshop de dezembro, marcou a data para 18 de março. O grande problema é que ele associou-se a uma casa de show da cidade chamada Yallah que a principio sempre deixou claro sua intenção de fazer o evento e o Chimú ficaria como divulgador. No decorrer dos meses de janeiro e fevereiro sempre cobrei o contrato do referido produtor da casa sem sucesso. No inicio de março ele me ligou e disse que estava tudo certo e que não precisava me preocupar. Abonado pelo Alex seguimos com o acerto. O que aconteceu é que faltando sete dias para o evento a casa simplesmente fechou, sem dar explicação nenhuma quanto a nossa data. Já estávamos com a agenda prevista para Porto Alegre, então entre cancelar o show e tentar outra uma alternativa, pedi ao Alex que desse um jeito de conseguir outro lugar. Quando chegamos em Santo Ângelo o lugar era realmente indescritível, completamente fora de qualquer possibilidade de realizar um show. Um galpão precário com fiação exposta, apenas uma entrada e saída. Ficamos todos chocados pelas condições. A decisão seria ir embora e não tocar, até que o dono do local sugeriu que fizessemos o show em um outro local de sua propriedade. Fomos até lá e o mesmo tinha um palco apropriado e muito espaço, no centro da cidade. Tivemos que tomar uma decisao em cima da hora em respeito às pessoas que já estavam se deslocando para o show. Resolvemos fazer um acústico às pressas. Não havia outra saída a não ser o improviso. Mesmo assim o show foi animado e surpreendeu muita gente. Contamos mais uma vez com a ajuda dos amigos Mauriel Ourique, o Caco Garcia, as queridíssimas Patrícia “Borgir” Cordeiro e Débora Reoly, Eduardo Cadore, além de pessoas que sempre nos acompanham na região como o “Alemão” Thiago, a Elisa Conceição, o pessoal da banda do Alex, João, James, Moita, a Luana e Geovana Marques, o Patrick Alexander o Deivis, o Mauricio, a Kitty Rigoli, irmã do Marcos, o Matheus Rigoli, a Talitha e a Drica, a jornalista que nunca nos entrevista… kkkk. O prejuízo moral e financeiro foi uma constante que ficou na minha cabeça nesse dia, mas não teria como não darmos uma satisfação para esta galera. Ficou a lição e na realidade em tantos anos de carreira acho que foi a segunda vez que aconteceu algo deste tipo. Ficou a vontade de todos de quem sabe a gente volte em breve para preencher esta lacuna na região das Missões. No final, mais uma vez nos dirigimos para o único restaurante aberto na cidade, fizemos um lanche já por volta das duas da manhã e seguimos para o hotel. Por volta das dez da manhã saímos da cidade em direção a Porto Alegre, onde deixamos o Fábio no aeroporto para que voltasse para casa mais rápido e curtisse os seus dez dias merecidos de férias e depois seguimos novamente para Gravataí.

A segunda-feira seguiu com aulas do Aquiles no Bateras Beat, enquanto fiquei em casa com o pessoal e providenciamos um churrasco para a noite. Deixei os três paulistas irem comprar a carne e decidimos fazer na grelha, tipo bife. Quando o Fábio, o Daniel e o Rodrigo chegaram com a carne eu achei engraçado, eram três bifes grossos e grandes e mais ou menos uns três quilos de linguiça, ou salsichão como é conhecido aqui nos pampas. Voltei ao açougue e pedi para o cara cortar aqueles bifes grandes bem “finos” e pequenos. Os três bifes resultaram em uns 12 pedaços pequenos e acabei comprando mais um pouco de carne pra sustentar a rapaziada. Ou seja, estes paulistas que estavam aqui em casa não entendem nada em matéria de churrasco. O Martinez e o Humberto vieram e a confraternização rolou até a meia noite.

Carlos Barbosa

No dia 21, terça, o Aquiles e eu fomos até a Escola Universal Fênix, de Carlos Barbosa. A cidade fica no pé da serra gaúcha, a cerca de 100km de Gravataí. O Aquiles daria umas aulas por lá e resolvemos ir sozinhos, ficando o resto da galera na minha casa. Chegamos para almoço e conhecemos o pessoal da escola, em especial o Macally. Já não bastou o nome, ainda a figura era especial. Um bom humor sem igual. Lógico que ele acabou virando o “Maccaly Culkin” e depois o “Maccally Festas”, tamanha a festa que ele realmente é. Cidade simpática, pessoas simpáticas, ficamos o dia todo por lá. Enquanto o Aquiles trabalhava eu passeei pela cidade, fui a bancos, praças e aproveitei o sol e a temperatura que somente a serra deste estado apresenta. Um legítimo passeio pelo interior. No intervalo visitamos a loja da Tramontina, que vende produtos mais baratos. No final da tarde nos reunimos com o Maccally e o Leandro que são sócios em alguns eventos e aproveitamos para tratar do nosso show ou workshow na cidade no mês de junho. Foi um dia bem legal e voltamos direto para Porto Alegre para passar no nosso amigo Hebert Shred, onde recolhemos nossos bags que estavam no conserto. Voltamos para Gravataí por volta das nove da noite e fomos jantar em uma lanchonete próxima de casa. O Fábio Didi já havia descansado bastante e eles deveriam seguir viagem partindo de Gravataí à meia noite com destino a Brusque. Voltamos pra casa e o pessoal recolheu as malas e deixaram o ônibus pronto. O Martinez resolveu ficar em Porto Alegre e acabou somente trazendo o Humberto até Gravataí. A meia noite o Infallibus partiu da Morada do Vale em Gravataí. Gravei a partida para lembrar depois. Foi meio estranho, eu ficando em casa e o ônibus indo embora com os caras. Durante os dias que ficou aqui o bairro literalmente adotou o ônibus e por onde íamos todos comentavam e achavam o máximo “o ônibus do Hangar ali na frente da casa do Fernando“. Sim, as pessoas me conhecem aqui por Fernando…

No dia seguinte em Brusque aconteceu o workshop do Aquiles , mas ai eu já não estava presente. Em abril voltaremos com mais um diário do Hangar. Vamos passar por Itumbiara e Uberlândia, ou seja, Goiás e Minas. Muito pão de queijo e pamonha, uai. Aguardem!

Abril…

Itumbiara

No início de abril, o Aquiles esteve em uma feira na Europa, a Musik Messe. Assim, tivemos que marcar as datas da banda perto da metade do mês. No dia 11 viajamos para São Paulo onde nos encontramos. E no dia 12 seguimos viagem para Itumbiara, a cerca de 750 km de distância. Estivemos lá em 2009, o Aquiles e eu, então já conheciamos bem o caminho. Nosso anfitrião e produtor na cidade é o Hiury Garcia, grande baterista e um cara simplesmente muito bacana e gente fina. Chegamos na note do dia 12 e seguimos direto para a casa da avó do Hiury, que nos esperava com uma saborosa comida caseira goiana de primeira qualidade. Banda e equipe jantaram “feito bichos”, como costumamos falar. Depois para o hotel onde descansamos. Na quarta-feira, dia 13, seguimos para o complexo da Universidade Luterana (ULBRA) onde foi realizado o workshow. Após algumas dificuldades para estacionar o Infallibus no campus, finalmente conseguimos ter acesso ao Auditório principal da Universidade. Passamos o som e à noite contamos com a presença de 200 pessoas no evento. Na mesma hora, na frente da ULBRA, estava sendo realizado o “aniversário do prefeito”. Isso mesmo, interior é assim, comemoram o aniversário do prefeito com um show de uma grande dupla sertaneja, mas que não lembro o nome. Ficamos todos falando sobre isso, que quem deveria estar pagando aquela festa toda seriam os próprios contribuintes da cidade. Ponto negativo para Itumbiara, em compensação o workshow foi um sucesso. Muita gente que esteve em 2009 voltou trazendo mais convidados. O público de rock em Itumbiara é na sua maioria “evangélico” e na hora do bate papo eu me dirigi a eles como “não sendo evengélico, algum problema???”, rsrs. Acho que eles ficaram assustados com a minha afirmação, mas lógico que tudo não passou de uma grande brincadeira e caímos todos em gargalhadas gerais. Uma constatação deste dia foi a grande discriminação na cidade com o rock de maneira geral. Foram muitas as reclamações das pessoas que foram ao work sobre a falta de apoio total. A maneira como eles me falavam sobre isso me lembrou de anos atrás, lá nos anos 80, quando ainda havia certo preconceito, mas em 2011, isso soa estranho. Itumbiara ainda não abriu as portas para a sua juventude rockeira, uma pena. Fazia muito tempo que eu não presenciava isso. Na quinta-feira, ficamos o dia todo na cidade, pois tínhamos algumas aulas marcadas em uma escola. Aproveitamos também para visitar uma loja de instrumentos que acabou ficando com material nosso para venda na cidade. Foi mais um dia agradácel em Itumbiara. Almoçamos e jantamos novamente na casa do Hiury e jogamos muita conversa fora.

Uberlândia

Na sexta pela manhã, dia 15 saímos bem cedo de Goiás e seguimos para Uberlândia. Fomos recebidos pela Tatiana Ribeiro, nossa grande amiga na cidade. A Tati é responsável pelos nossos vários workshops e aulas em Uberlândia desde 2008, além de trabalhar no Conservatório Estadual de Música na cidade. Às dez horas o Aquiles já estava no Conservatório com os seus alunos, todos agendados. Seria um dia bem puxado para ele, enquanto os outros apenas descansavem no hotel ou passeavam por Uberlândia. Por volta do meio dia fomos até uma rádio para promover o show. Os produtores do show eram o Thiago e a Jenia e eles nos pegaram no hotel. A rádio era bem pop rock, quando chegamos estava tocando Nickelback. O locutor nos disse que a audiencia era mais de um milhão de pessoas. Já achei estranho… Começamos o papo e de cara vimo que o locutor não sabia nada da banda, algo até que normal para uma rádio do interior, mas estranho para uma rádio de rock que estava apoiando o evento. Na primeira intervenção o Humberto já saiu falando sem se apresentar e eu que estava gravando tudo no meu Q3, da “Zoom”, fiz gestos e falei baixinho … ”fala quem é você que aqui não é televisão”. Todos começaram a rir. A primeira confusão, como sempre… Papo vai, papo vem, saquei três ingressos para sorteio e o locutor disponibilizou os mesmos para os primeiros que ligassem… Passou um minuto e nada de alguém ligar… Aí o cara falou ”é, como ninguém ligou vamos deixar os ingressos ali na portaria esperando as primeiras ligações”… Todos da banda começaram a rir e o locutor não sabia onde enfiava a cara. Até hoje eu não sei se a rádio realmente tinha “um milhão de ouvintes” rs, enfim…

Neste dia, pela primeira vez colocamos em prática a palestra “Aquiles Priester, de fã a ídolo”. Às 19 horas a sala estava cheia, com cerca de 200 pessoas que assistiram o Aquiles falar sobre a sua carreira e sua experiência como músico. A plateia gostou tanto que faltou espaço para as perguntas e bate papo, já que extrapolamos os horários. Foi uma experiência muito legal e com certeza será levada a todas as regiões do Brasil. Obrigado a Tatiana e ao Conservatório por abrir este espaço muito importante. À noite saímos todos para comemorar no centro de Uberlândia onde conhecemos o pub de um amigo. Uma banda de covers tocava enquanto alguns conversavam e outros saboreavam algum tipo de líquido com um pouco de álcool dentro… Nada muito exagerado porque o show seria no dia seguinte. Sábado chegou e a equipe foi para a casa do show. O local era fantástico. Excelente palco e infraestrutura. Tanto o Thiago quanto a Jenia se empenharam bastante para que tudo desse certo. Um grande público compareceu e o show foi um sucesso. Podemos rever todos os amigos de longa data e conhecer novos admiradores. Partimos para São Paulo na manhã do dia seguinte e cada um retornou para as suas bases, Porto Alegre, Gravataí, Mococa e Manaus.




Postado em 03/04/2011

postado por Nando Mello

Diário Hangar

A última vez que escrevi sobre nossas andanças pelo país foi em setembro, quando falei sobre a tour que fizemos pelo Nordeste. Agora começo novamente a contar o que aconteceu com a banda nos últimos seis meses. Recordar é viver, então vamos lá!

SETEMBRO

Em setembro tivemos eventos importantes como o “Stay Heavy Metal Stars”, onde nos apresentamos como uma das bandas principais junto com o Torture Squad. Este evento é muito especial, porque é onde sempre encontramos “amigos e inimigos”, como disse certa vez o vocalista André Matos. Também participamos da jam com músicos convidados. (Toquei uma música do Dream Theater chamada “Another Day”). Os músicos do Scorpions estavam em São Paulo e acabaram assistindo aos shows.

No final do mês, mais uma vez participamos da ExpoMusic. Foi o quinto ano consecutivo em que tocamos em vários stands como Harman, Royal, Musical Express, AMI, além de termos firmado mais uma parceria essencial com a Pride e as guitarras Jackson, teclados Korg e DDrum. No decorrer da feira encontramos grandes amigos e celebramos o aniversário de lançamento do nosso mais novo álbum, “Infallible”, que esgotou antes do final da feira.

Setembro chegou ao fim e decidimos, por motivo de força maior, que tiraríamos um pouco o pé da estrada nos meses de outubro e novembro.

OUTUBRO E NOVEMBRO

Aproveitamos estes dois meses para a realização de alguns workshops. Estive em Criciúma, Ijuí, Itajaí, Itapema, o Martinez em Tubarão e Caraguá, o Fábio em Varginha e Brusque.

No final de novembro nos reunimos para um show com a banda Korzus em Ceilândia, no Distrito Federal. Viajamos as duas bandas juntas no Infallibus. Você pode imaginar a grande confusão que a viagem virou? Viajar com a banda completa mais a nossa equipe já é uma grande aventura, imagina como é viajar com mais uma banda? Afinal, são todos temos costumes diferentes, valores diferentes… Então é sempre um grande desafio colocar tantas pessoas juntas em uma mesma viagem. Mas correu tudo bem na hora do show (apesar de ter caído uma chuva torrencial) e voltamos para casa muito satisfeitos.

DEZEMBRO

No dia 7 fizemos o lançamento da biografia do Aquiles na Fnac em São Paulo. O set acústico foi muito bom e o público como sempre compareceu em massa. O Aquiles estava muito feliz com o evento e fez um discurso que deixou todo o público muito emocionado.

Logo depois, no dia 10 o Fábio esteve em Leme para um workshop e já começamos a nos preparar para as férias de final de ano. Como o Aquiles estava indo viajar para o sul, marcamos um workshow conjunto comigo e o Martinez em Santo Ângelo para o dia 16. Mais uma vez voltamos à região das Missões com muito sucesso e casa cheia.

JANEIRO

Começamos o ano com pé direito. Pela primeira vez estávamos com agenda para esse mês e também para o mês seguinte.

Aquiles viajou para a NAMM (Los Angeles) onde fez o lançamento internacional do seu DVD pela conceituada Mel Bay, e também um workshop no Paiste Day, que aconteceu no Musician Institute. Enquanto isso nós fizemos workshops por aqui. O Humberto esteve em São Luís, Teresina e Manaus, o Martinez em São Luiz Gonzaga e eu em Cruz Alta.

FEVEREIRO

Nos reunimos novamente no dia 11 para ensaios em Tatuí (São Paulo). Passamos três dias insanos ensaiando 30 músicas, sendo 29 com a banda e mais uma solo do Aquiles. (Algumas pessoas acham que é muito preparamos 30 músicas, mas é bom ter muitas opções no setlist, pois assim podemos variar o show todas as noites.) Colocamos duas músicas do Freakeys no set e achei muito legal tocar essas músicas pela primeira vez.

Um dos lances mais legais que vimos no sítio foi o Martinez arrumando a mala de viagem dele. Ao contrário de nós, que arrumamos a mala na horizontal colocando as roupas na mesma posição, o sr. Eduardo coloca a sua mala na vertical e vai arrumando as suas coisas nesta mesma posição. Claro que isso casou a maior estranheza na galera afinal nunca tínhamos visto algo assim! Enfim, o Martinez marcou mais alguns pontos na pitoresca história da banda.

Ribeirão Preto

Viajamos para Ribeirão Preto na segunda pela manhã, chegamos à Guitar Music às 11h e já começamos a montar o palco. Era a estréia da nossa nova equipe de Roadies (ou Holdens, como explica o Aquiles a cada show ou apresentação), o Rodrigo “Batata”, a Arcilio “Shrek” Bacci e o Guilherme “Vacão”.

Às 17 horas já havia várias pessoas na porta da loja. Iniciamos o workshow com a loja lotada e o Aquiles tocando algumas músicas sozinho, na sequência comigo, depois com o Martinez, o Fábio e por último com o Humberto. Na platéia estavam velhos amigos como o Bola, o Leonardo e a querida Érica Fratucci que levou junto a família toda para a “festa”.

Londrina

Na madrugada seguimos em direção à Londrina e não demorou para que chegasse uma chuva que refrescou um pouco a noite mas deixou o tempo bem instável. Quando chegamos, o pessoal da Sonkey já estava esperando por nós. O work aconteceu dentro do próprio hotel em que estávamos hospedados, então logo depois de uma montagem bem rápida do equipamento, todos puderam descansar um pouco. O auditório era bem grande, mas mesmo assim todos os lugares foram tomados. Nada mal para uma noite de terça-feira, mais um sucesso!

Antes do work apareceu uma TV local para fazer uma entrevista e fomos até a loja Sonkey para gravar. No maior esquema “pastelão e comédia Hangar”, o Aquiles assumiu o microfone como entrevistador e nós obviamente como cobaias. Toda vez que vejo uma câmera por perto eu saio correndo, mas dessa vez não teve jeito, eu tive que entrar na brincadeira!

Logo em seguida tivemos que colocar o pé na estrada para conseguirmos chegar à Goiânia o mais cedo possível. Então saímos de Londrina às 2h da manhã com uma puta cheva.

Quem consegue dormir dentro de um ônibus na madrugada úmida de uma estrada horrível pensando que são 900km até a próxima parada??? Todos menos eu e o motorista, Fábio. Bom talvez o Aquiles pela adrenalina custe um pouco a dormir, mas quando o filme que está no DVD já rodou uns 50 minutos, pode ter certeza que já está todo mundo dormindo.

Goiânia

Chegamos a Goiânia às 16h da quarta-feira, e como o workshop estava marcado para as 19h30 foi a maior correria! (Quando chegamos pela manhã à cidade onde vamos tocar, a equipe nos chama para passar o som com umas cinco horas de antecedência, enquanto que quando chegamos em cima da hora, esse tempo diminui para umas duas horas e meia. No mínimo estranho, mas eu aposto que quanto mais tempo livre, mais a preguiça ataca! rs)

Encontramos o Pedro da Hi Cup produções e o pessoal da Harmonia Musical. Pela terceira vez eu tocava no Martin Cerere, um complexo com dois grandes teatros em forma de abóbada ou planetário. As cadeiras foram todas ocupadas e algumas pessoas ficaram em pé na porta e nos corredores ao lado.

Uma das novidades deste workshow foi que tocamos pela primeira vez “Crazy Train”, um cover do Ozzy, com o Laguna fazendo os vocais e surpreendo a todos com a sua performance. O pessoal estava realmente empolgado e tocamos muitas músicas que nem estavam no set, como o meddley do Iron e “Master of Puppets”. Para a minha surpresa, na última nota da última música que tocamos, num gesto espontâneo todos se levantaram para nos aplaudir. Eu fiquei parado olhando curtindo muit o aquele momento.

Anápolis

Fiquei no teatro para acompanhar o pessoal enquanto o carregavam o Infallibus e acabei saindo de lá para o hotel às 4 da manhã. Por sorte a cidade de Anápolis fica a 50km de distância, então pudemos descansar e saímos logo depois do almoço.

Um medo que eu sempre tive nessas viagens foi de acabar tendo uma dor de barriga no meio daqueles caminhos de asfalto sem fim e não ter um banheiro para usar. Finalmente esse dia chegou, na estrada de Goiânia para Anápolis. Pare o ônibus que eu quero descer! Sorte ter encontrado um “santo” posto de gasolina no meio do caminho… Por sorte o pessoal ainda estava meio zoado de sono e não pegou no meu pé.

Chegamos ao teatro do SESC lá pelas duas da tarde. Estes teatros sempre são ótimos, têm toda uma ótima infra-estrutura. Enquanto o pessoal montava e outros descansavam eu e o Aquiles fomos até o centro da cidade para comprar um novo aparelho de DVD para o Infallibus, pois o anterior já estava recusando algumas mídias e isso estava gerando um stress sem tamanho. Como iríamos dormir a noite sem um DVD pra ficar rodando no aparelho? Se não tiver a onda da TV te atingindo parece que ninguém consegue dormir, como diz o Humberto. Enfim, naquela noite mais uma vez o teatro não foi suficiente para o número de pessoas que estavam lá para verem o nosso show.

Encontramos a nossa amiga Pepita Afiune, com sua camiseta do TROYC. Descobri que ela é graduada em História da Arte, leciona em uma escola, e como eu cursei e até lecionei história por um tempo, acabamos conversando sobre o passado e nada de metal. Imagino aquele papo cabeça sobre o porquê do símbolo Ankh atrai tantas pessoas e seu significado no antigo Egito… Enquanto isso o Martinez já passava o som de guitarra em um volume ensurdecedor, e quem quer saber se “Hórus” filho de”Ísis”, matou “Seth” vingando o pai “Osíris”? É mui ta coisa pra cabeça de metaleiro! rs O work foi muito legal, com participação direta de todos, mas uma pena que se tratando de instalações do SESC , os horários tivessem que ser seguidos à risca, então tivemos que encerrar um pouco mais cedo.

Para variar uma chuva desabou sobre Anápolis, e pelo nosso cronograma deveríamos sair as duas da manhã e viajar 1450km, passando por cinco estados, até Timbó (Santa Catarina).

Timbó

Saindo as duas da manhã de Goiás, mais uma vez passamos o dia inteiro viajando. Sabíamos que seriam cerca de vinte horas e o Fábio estava bem disposto. Quando você tem que viajar assim por muitas horas só resta aquela velha frase: “relaxa e goza”, porque não há nada mais a ser feito. Algumas paradas para tomar café e quilômetros e mais quilômetros de muita estrada.

Às 22h chegamos a Timbó, uma pequena cidade próxima a Blumenau, onde haveria um workshop do Aquiles na tarde de sábado e um show nosso à noite. Fomos direto para o hotel onde liguei para o nosso anfitrião, Jarbas, que é o Diretor de Cultura da cidade. Após uma pausa de quinze minutos saímos em direção ao local do jantar. Já eram quase onze da noite e chegamos ao restaurante que estava fervilhando de pessoas. Enquanto nossos amigos “holdens”, marinheiros de primeira viagem não acreditavam na quantidade e na beleza das mulheres catarinenses, o Jarbas chegou para nos receber e soltou a frase mágica “podem pedir tudo que está no cardápio”. Ouvir esta frase depois de vinte horas de viagem fez com que todos deixassem suas carrancas de lado e as duas mesas viraram uma grande festa. Próximo da uma da manhã, já com alguns “holdens” “prá lá de Bágda” devido ao excesso de suco de laranja e Coca-Cola, voltamos para o hotel. Quando cheguei ao hotel a chave não estava na recepção e pra varia, o Martinez – que estava com a chave – havia sumido. E lá vai o Mello atrás do Martinez que estava com a chave!

No dia seguinte, às 9h saí com os “holdens” para o local dos eventos. Voltei lá pelas 11h fui até a praça principal da cidade onde estava acontecendo o Segundo Encontro de Bateristas da cidade, um evento bem bacana que reuniu cerca de quinze bateras tocando ao mesmo tempo. (Ouvir um já é um problema, imagina quinze! Todos tocando a levada e o refrão de “Smoke on the Water” por trinta minutos. Legal, né?? rs) Brincadeiras à parte, a iniciativa foi muito bem planejada e hoje o Festival tem de tudo para ser destaque nacional nas próxi mas edições. Encontrei no evento todo o staff da Cultura de Timbó, o Jarbas e sua equipe, a Francielle, o Diorge, a Carol, o Luís, pessoas com quem eu havia falado somente por telefone e agora conhecia pessoalmente.

Às 15h eu e o Aquiles seguimos para o workshop. Quando chegamos lá, o nosso amigo Éder Medeiros, de Tubarão, ainda estava tocando o seu set. Qualquer evento com cerveja sempre é um problema e workshop pior ainda. O calor estava infernal, o local era muito grande e com acesso gratuito do público. Em meio a tudo isso, um engraçadinho tentou aparecer mais do que todos e teve que ir embora bem quieto após receber uma resposta de acordo com a sua brincadeirinha. Não é sempre que isso acontece, mas é sempre bom saber como agir nesses casos. Voltamos para o hotel para a preparação do show que faría mos à noite, que seria no mesmo local do workshop, então o equipamento estava todo pronto.

O show transcorreu normalmente. No início parecia que o pessoal estava meio “frio”, mas logo a galera se soltou. Terminamos cedo e deu tudo certo, tanto para o pessoal da Prefeitura quanto para a banda. Chegamos no hotel e por azar subi no mesmo elevador com o Aquiles e o Humberto, o que não é nada bom… Quinze segundos depois começou o “shake” de Mello no elevador. Na primeira batida a porta entortou e o elevador parou no segundo andar. O nosso quarto ficava no terceiro andar, então os dois abriram a porta com força e saíram com pressa para não serem descobertos. Como as câmeras de segurança já haviam gravado tudo mesmo, não tive pressa nenhuma para sair de lá… (Crianças, não re pitam isso em casa ou nas suas férias!) Voltei para o quarto torcendo para que o elevador voltasse a funcionar…

Itajaí

Saímos de Timbó às 11h e seguimos até Itajaí. Foram cerca de 70 quilômetros, uma viagem bem rápida. Chegando lá, um calor de mais de 30º nos esperava. Itajaí é o começo de um número sem fim de praias paradisíacas que a costa catarinense nos oferece.

Chegando lá, nos encontramos com o Lúcio da banda Christmess que nos recebeu com muita alegria. Ele estivera no nosso show em Brusque ano passado e depois eu mesmo estive na cidade para um workshop no Auditório da Biblioteca Municipal em outubro. Logo em seguida chegaram o Ozéias Rodrigues e o Marcelo, além do casal Luís Augusto, o Guto e a Bianca Aguiar, que já assistiram – se não me engano – uns cinco ou seis shows nossos, sempre apoiando a cena metal da região.

O calor estava insuportável e o teatro ainda não estava aberto. Tivemos que esperar cerca de trinta minutos até conseguirmos entrar e para nossa surpresa, a casa era um teatro com todas as condições para um grande espetáculo e um ar condicionado de primeiro mundo, além de camarins muito confortáveis e um palco formidável. Já que a Christmess abriria a noite, montamos todos os equipamentos simultaneamente e após um breve descanso nas poltronas vermelhas do Teatro, abriram-se as portas para o público. O show começou com a Christmess detonando tudo. Todos tocam muito bem e fazem um som no maior estilo “porrada”. Na primeira música a voz do Lúcio estava mutada e o técnico de som havia sumido … Corri para chamar o Daniel Pepe para nos dar uma mão enquanto o Ozéias dava aquele show de sempre na guitarra.

Após um breve intervalo, com uma iluminação impecável conduzida pelo Marcelo – que trabalha com algumas bandas da região – iniciamos o nosso set. De início o pessoal estava sentado, mas após alguns segundos a galera se mandou pra frente do palco e começou a agitar. Foi um show animal que mostrou o entrosamento da banda. As novas guitarras do Jackson do Martinez estão com um baita som e o lugar era propício a uma boa equalização. Mais uma vez, fomos aplaudidos por vários minutos e saímos satisfeitos do palco, indo logo para o saguão do teatro para falarmos com a galera que nos esperava. Encontramos vários conhecidos como a nossa amiga Débora Andranio, batera da “Actrice” (Florianópolis), o Marcus Adonai, guitarrista da “Before Eden” e a sua esposa, a nossa cirurgiã dentista favorita dos shows do Hangar, a Maria Mansur que sempre nos prestigiam.

Florianópolis, a volta, gargalhadas e o Contrário.

Como era o último show da gig de fevereiro, o Infallibus voltaria direto para São Paulo e Mococa, então o Martinez e eu voltamos direto para Porto Alegre. Tivemos que pegar uma carona até Florianópolis e chegamos à rodoviária às duas da manhã. O ônibus sairia somente às 9h, então estávamos nós dois ali com uma tonelada de equipamentos, duas guitarras, um baixo, dois amplificadores do Martinez e as malas… A empresa de ônibus tinha uma sala – que pensamos ser uma sala de espera – mas que abriria somente às 6h. E ntão o negócio era esperar no chão mesmo, com um olho fechado e o outro no equipamento naquele calor infernal.

Quando deu finalmente 6h da manhã, a sala de espera finalmente foi aberta, o ar condicionado ligado e fomos direto para lá. Logo na porta já nos barraram: só poderia ficar lá quem fosse tomar o ônibus dentro de, no máximo, 30 minutos. E lá fomos nós de outra vez para o chão e para o calor, sem sabermos se ríamos ou se chorávamos… Finalmente às 8h30 a porta reabriu e entramos na sala com o ar condicionado. Com aquele monte de tralha, um dos atendentes se prontificou a nos ajudar e perguntou pro Martinez: “senhor, o que vai embaixo e o que vai em cima?” O problema é que o Martinez usa protetor de ouvido em qualquer lugar que vá, então a cena que se seguiu foi uma das mais engraçadas que eu já presenciei na história da banda. O cara perguntava, o Martinez não ouvia e eu olhava para o Martinez esperando a resposta. E o Martinez nada! Ele continuava de cabeça baixa mexendo na sua mala. Tudo isso em um espaço de um metro de distância entre a gente. O cara perguntando, o Martinez não respondendo e eu olhando incrédulo! Depois de cinco tentativas o atendente por conta própria pega uma das malas do Martinez e uma guitarra e sai a passo. O Martinez levanta a cabeça e grita com o cara: “Hey, seu louco! Onde você vai com isso?” Eu nunca ri tanto na minha vida! Eu chorava de tanto rir! Se vocês tivessem a oportunidade de ver a expressão do rapaz da empresa olhando pro Martinez, vocês iriam entender do que estou falando… Demorei uns vinte minutos pra me recuperar de tanto que eu ri da situação. Parabéns ao Martinez por me presentear com esta oportunidade única de rir m uito, mas muito mesmo! rs

Finalmente saímos de lá às 9h da manhã em um ônibus leito, com ar e tudo mais… (que, é claro, custa o preço de uma viagem de avião). Estava tão cansado que cinco minutos depois já estava dormindo mas não sem antes me lembrar da cena que havia presenciado minutos atrás e rir um pouco mais! Passado um tempo eu senti que o ônibus estava estacionando. Olhei pela janela e li “Rodoviária de Florianópolis”. “O que está acontecendo?”, pensei já me sentindo em um daqueles episódios do Lost, completamente perdido. O ônibus estava com problemas e tivemos que voltar para trocarmos de ônibus… Finalmente chegamos em Porto Alegre às 16h

Final

Este foi o resumo de todos estes meses. O presente é agora e o futuro nos espera com muitas aventuras por aí. Vamos seguir contando e em março já estaremos na estrada novamente. Hangar Day, Curitiba, Porto Alegre, Santo Ângelo e Brusque. A locomotiva não pode parar!

Abs

Nando Mello

Revisão: Bruna Fonte




Postado em 11/09/2010

postado por Nando Mello

Vinte e nove dias, treze shows, três workshows e treze mil quilômetros depois…

Todas as vezes que precisamos fazer um diário sempre temos um pequeno impasse sobre quem irá começar. Desta vez foi diferente. Acho que impulsionado pela minha décima, ou vigésima, vez que leio “On The Road”, de Jack Kerouac, tomei a frente impulsionado pela escrita sem destino dos velhos beatniks, que não poupavam palavras e não se preocupavam com vírgulas para descrever em uma frase todas as emoções de viver na estrada a caminho do leste em um carro velho, de cor azul da cor do mar. Longe de ter a pretensão de comparar-me a um destes mestres, usei uma linguagem simples para falar de 10 pessoas e 16 toneladas na estrada. Quando sonhamos em ter uma banda ou não fazemos parte de alguma temos a impressão de que tudo não passa de subir no palco e tocar, o que é um ledo engano porque a verdade é absolutamente outra. Sentir na pela a emoção da produção, das viagens, da estrada, das características de cada pessoa não tem preço e tempo. A lembrança e as memórias vão muito além de uma simples foto em um site de relacionamento. Elas ficam para sempre na retina de quem as viveu.

Primeiro dia – Encontro e ensaio em São Paulo

A banda se encontrou em São Paulo na segunda feira, dia 02 de agosto. Enquanto eu seguia de Porto Alegre, o Martinez, Humberto e Aquiles já estavam na cidade. O Fábio chegou ao meio dia e fomos direto para o estúdio Mr. Som, onde em uma tarde ensaiamos algumas músicas que achávamos interessante recordarmos. Uma das antigas foi “Falling in Disgrace” do Inside Your Soul, além de alguns covers que relembramos como a “Dreams”, do Van Halen e uma música muito especial para mim, chamada “Limelight”, do Rush. Esta música estava na agenda desde 2003. Gostamos demais do Rush e sempre existiu um extremo respeito pelas músicas desta banda, o que fazia com que tomássemos cuidado para a escolha de uma homenagem para eles. “Limelight” caiu como uma luva. A noite o Infallibus chegou de Mococa com o nosso motorista o Fábio “Didi” Conceição e o nosso novo vendedor de merchandising, o Jefferson, mais conhecido como “Pirulão”, pela sua altura e uma habilidade de comunicação ímpar, o que fez a gente duvidar da sua real capacidade de suportar esta viagem… Estaríamos certos? Contamos todo o nosso merchandising na casa do Aquiles, onde já estava o nosso roadie de bateria Lucas “Tankão” Medina, que veio direto de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Na mesma noite saímos em direção a Santa Catarina.

Segundo dia – Casa do Maliska

Por volta da uma da manhã encontramos o restante da equipe, o Daniel “Pepe” Fernandes e o nosso novo roadie de cordas e teclas, o Bóris Pinheiro, que acabou sendo chamado de Clóvis, Casói ou qualquer outra coisa que não fosse o nome dele durante toda turnê. Antes da viagem nos preocupamos em fazer um roteiro. Não dava pra confiar na “Malu Magalhães”, o GPS que o Fábio leva sempre, mas que já nos meteu em algumas confusões. A expectativa era grande e nos munimos de muitos, mas muitos DVDs mesmo. Acho que um dos primeiros que vimos foi “De olhos bem fechados (Eyes Wide Shut) de Stanley Kubrick, com Nicole Kidman e Tom Cruise. Uma soturna história de amor, traição, suspense e uma trilha sonora que fixou na nossa cabeça por dias, embora ela tenha somente duas notas. Durante a viagem para o sul encontramos uma enorme massa de ar polar que nos fez congelar. Todos estavam com poucas roupas para o frio, visto que na maior parte do mês estaríamos no Nordeste. Almoçamos em um restaurante no interior do Paraná um típico churrasco gaúcho com muita costela sob um frio de 4 graus. O Jefferson Pirulão já registrava tudo com a sua câmera enquanto falava por todos os cantos sobre a maneira fácil que seria trabalhar com o merchandising… Mal sabia ele da encrenca em que estava se metendo. Por volta das nove da noite chegamos à cidade de Capinzal, no interior de Santa Catarina, onde encontramos o nosso querido amigo Felipe Maliska e sua família que, como sempre, nos recebeu de braços abertos. Viajando o Brasil todo temos a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas que estão sempre dispostas a ajudar a banda. Jantamos e depois de alguns momentos de empolgação fomos dormir sob um frio de um grau positivo, embora a sensação térmica fosse de menos dez. Como sempre a banda dormiu na casa e a equipe ou os “bichos”, como eles se autodenominaram no chalé a uns 100 metros de distância onde com certeza fazia bem mais frio. Ossos do oficio.

Terceiro dia – Teatro Alfredo Sigwalt

No dia 04 de agosto nos dirigimos à cidade de Joaçaba, onde no maior Teatro da cidade fizemos o primeiro workshow da banda. Além do frio, choveu o dia todo. Fomos a loja patrocinadora do evento, a Calliari Musical, onde fomos recebidos pelo Duda, o grande incentivador deste show. Já na chegada ao Teatro, que por sinal é lindo, as primeiras dificuldades apareceram. O equipamento teria que subir por uma escada em curva. Esta questão de descarregar o equipamento do ônibus nos atormentou a viagem toda. É difícil conseguir pessoas dispostas a descer e subir 4/5 toneladas de equipamento para a realização de um evento. Por mais que pedíssemos aos contratantes, somente em alguns lugares a situação foi confortável. Várias vezes a nossa própria equipe fazia o serviço, deixando-os bem mais cansados do que de costume. Tocar em um teatro é sempre uma experiência diferente do que um palco comum. As pessoas ficam sentadas e até querem participar mais, porém são inibidas pelo próprio ambiente diferenciado, o que produz uma sensação de glamour ao evento, diferente, porém muito legal. Como sempre o Aquiles começou o evento, depois entrei com o baixo. Na seqüência o Martinez e o Fábio e depois o Humberto completando a banda. Falar em público é uma proeza e um dom que nem todos possuem. Não estávamos muito acostumados a este formato e com exceção do Aquiles que possui bastante experiência com este tipo de evento, o restante da banda meio que deixou a desejar, principalmente nosso amigo Martinez que teve um dos seus pontos altos na sua explanação sobre o equipamento que usava. Tudo com muito bom humor como sempre. Nada muito grave, mas serviu de experiência. Ainda tivemos a presença do programa Espaço Livre do nosso amigo Juliano Zampieri, da TV Cidade, para mais uma matéria exclusiva sobre a nossa passagem na cidade. No final atendemos a todos e ainda chovia.

Quarto dia – Curitiba

Saímos de Joaçaba para Curitiba onde tocamos em uma das maiores lojas da cidade, a ZeroDb. O local para variar era de difícil acesso, mas conseguimos estacionar o ônibus no pátio de uma igreja e lá ele ficou até o final do evento, ocupando vagas dos fiéis que chegavam para o culto das 19hs. Curitiba talvez seja a cidade onde mais tocamos nos últimos três anos. Nossos amigos de sempre estavam lá: Lexus, Cris Helen, Dani e Alex; para prestigiar e o evento ocorreu normalmente, mas sempre envolto com várias brincadeiras e muito bom humor. Neste dia tocamos pela primeira vez a música “Limelight”, do Rush.

Quinto dia – River Rock – Indaial e a trapalhada do Bóris

Como moro no Rio Grande do Sul, já tinha ouvido bastante a respeito dos festivais de metal e rock em Santa Catarina mas o que encontramos em Indaial realmente nos chamou muito a atenção. Saímos cedo de Curitiba e ainda antes das dez da manhã encontramos o Adílson e a Rejane, que são os organizadores do festival. Fomos até o motódromo da cidade e ouvimos a história do festival dentro da Kombi estilizada do Adílson que representa o verdadeiro espírito deste festival com cara de Woodstock do metal catarinense. Ficamos à tarde na casa do Adílson, onde conheci a sua Mãe, a qual infelizmente não lembro o nome, mas que me divertiu com as suas histórias sobre os 25 anos que trabalhou para o governo no Rio de Janeiro e Brasília como diplomata. Um verdadeiro achado histórico dos tempos da ditadura no nosso país. Falar sobre isso hoje é tão antiquado quanto falar sobre dois séculos atrás, mas fez parte da nossa história recente. Foi uma lição de vida. Sobre o festival nos contaram que os órgãos públicos não movem um centímetro para o sucesso do mesmo, bem pelo contrário tendem a atrapalhar. Segundo o Adílson este seria o último River Rock, o que seria uma lástima. Não conseguimos entender como a prefeitura de Indaial não se mobiliza para apoiar. É uma ótima vitrine para o Brasil todo e a arrecadação com turismo e geração de receita para os comerciantes locais seria interessante. Coisas do Brasil, certamente. Um dos políticos da cidade chegou a dizer que “eles não queriam gente deste tipo na cidade”. Fiquei imaginando que tipo de gente ele se referia, meninos e meninas que gostam de preto, metal, rock, que se divertem no auge da vida, músicos com anos de estrada, novas e velhas bandas??? Tão absurda aquela frase soava em nossos ouvidos que tivemos vontade de conhecer o cara e tirar isto a limpo. Quanta hipocrisia e ignorância reunidas em uma só frase. Esperamos que essa não seja a última edição do River Rock e até falei para o Adílson que voltaríamos para ser a atração principal novamente no ano que vem. Vamos ver. O show foi muito bom com o público participando muito, acho que havia umas 1500 pessoas e pudemos perceber o tanto de adeptos que o Hangar conquistou em Santa Catarina. Vamos voltar muitas vezes com certeza. Uma das coisas mais engraçadas da tour aconteceu aqui. Nosso novo roadie das cordas e teclas, o Bóris Pinheiro ouviu atentamente as ordens do Aquiles de que não queria ninguém no palco na hora do nosso show, visto que em festivais a tendência é que muitas pessoas entrem no palco e acabem atrapalhando o bom andamento da apresentação. Lá pela terceira ou quarta música o Aquiles e o Humberto começaram a procurar o Bóris porque queriam água e nada dele aparecer. Lá pela sétima, oitava música ele apareceu depois de tanta gritaria. No final do show a explicação: ”Ué, vocês disseram que não queriam ninguém no palco, eu me mandei”… Santo Deus, cada um que aparece… Infelizmente tivemos que deixar a área do evento às pressas porque tínhamos um workshow marcado para Congonhas, em Minas Gerais, no dia seguinte. Teríamos que percorrer mais de mil quilômetros ininterruptos para chegar a tempo. Todos lamentaram em deixar aquele clima e eu mais ainda por ter me identificado muito com a atmosfera bucólica do festival. O River Rock deixou saudades em todos.

Sexto dia – Pneu que explode e a paciência da galera.

Saímos de Indaial às duas da manhã em direção a Minas Gerais, onde tínhamos um evento marcado para as 19hs30. Às 3hs30 da manhã, quando praticamente todos dormiam, ouvimos uma explosão. Um dos pneus traseiros havia explodido praticamente levantando o ônibus no ar. A explosão foi tão forte que destruiu um dos ventiladores do gerador, no outro lado do ônibus. Naquela altura na madrugada foi impossível arrumar uma borracharia aberta que pudesse nos dar apoio. Andamos por cerca de 4 horas na velocidade de 40 km/h até encontrarmos uma borracharia que tinha um pneu usado similar ao danificado. Para chegar a Congonhas em 18 horas de viagem atravessamos Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro até chegarmos a Minas Gerais. O Didi dirigiu muito rápido neste dia e foi a última vez que isso aconteceu devido aos riscos e ao consumo de combustível do ônibus. Depois de todo este atraso chegamos a Congonhas às 22h30min. O público já estava o esperando por três horas. Montamos o equipamento em tempo recorde e à meia noite iniciamos o workshow, que se estendeu até as duas da manhã. Mesmo com todo o atraso as pessoas esperaram e tiveram a programação completa, que era o mínimo que poderíamos ter feito. Com tudo atrasado a janta aconteceu lá pelas 3 da manhã. Foi um dia e noite de superação.

Sétimo dia – Descansar que nada, BH nos espera

Nosso show em Belo Horizonte foi marcado para o Hard Rock Cafe, um excelente local para nossa volta à capital mineira. Ficamos admirando os quadros do lugar, muito material de bandas como Kiss, Guns´n´Roses, Motley Crue e várias outras. A casa abria para o almoço ao meio dia, então tivemos que montar e passar som ainda pela manhã. Aqui tive um momento de muita sorte… Caminhando pelo pátio do local encontrei enrolado em um dos cantos de um vaso de flores a quantia de R$ 200,00 em notas de 50,00. Nunca havia encontrado dinheiro na minha vida toda e agora tive este momento. Com certeza alguém na noite anterior havia tomado “todas” e deixou cair o dinheiro no recinto. Fiquei esperando que fosse alguém da nossa equipe, mas perguntei a todos e nada, não tinha dono. Não havia ninguém no local, não houve reclamações durante o dia todo e acabei ficando com a quantia, fazer o quê? Devolver para quem? Encontramos nosso anfitrião, o João da Cogumelo Records, que completava 30 anos nesta data e a quem agradecemos o convite por fazer parte desta festa tão importante. Após a passagem de som fomos para o hotel descansar. Na recepção uma pequena confusão devido a um depósito adiantado das diárias. Voltamos ao Hard Rock às 19hs para o show. Encontramos a casa lotada e a recepção calorosa das pessoas com as camisetas do Hangar acompanhando as letras das músicas novas e antigas. Ficamos até tarde conversando com todos os fãs, inclusive com a Jackie e sua tatuagem de “H” no pulso. Um grande show em um grande lugar para um grande público. Obrigado Minas Gerais.

Oitavo, nono e décimo dias – Para chegar ao Nordeste

Saímos de BH na segunda feira, dia 9 de agosto, às 9h da manha. Nosso planejamento de viagem incluía a ida até São Luís no Maranhão em três dias. No primeiro dia seguimos pelo interior de Minas Gerais atravessando o que eu acredito que seja um tipo de sertão mineiro. O ar é muito seco e estranhamos com a garganta seca e irritação no nariz. Passamos por Brasília no final da tarde e chegamos a Goiás no final da noite, onde paramos em um posto de combustível para descansar. Por volta das 6 da manhã o Didi acordou e seguimos viagem após o café da manhã. Sabe aquelas coincidências do destino? Às vezes elas acontecem… Tenho um casal de tios que se aposentaram há certo tempo. Meu tio, depois de 35 anos de serviços prestados e já aposentado, resolveu aceitar uma proposta de uma empresa gaúcha com filial no estado de Tocantins. Eles mudaram para lá há cerca de dois anos. Assim pude planejar uma visita a casa deles em Paraíso do Tocantins. Coisas estranhas e irônicas… Depois de passar a vida toda morando a cerca de cinco quilômetros da casa dos meus tios, fui reencontrá-los a 2.500 quilômetros de distancia. Chegamos a Paraíso do Tocantins as onze da manhã e o “Tio” Telmo e a “Tia” Dalva já estavam nos esperando com um almoço, ou melhor, um churrasco! Passamos uma tarde agradável na casa deles onde todos puderam descansar um pouco, inclusive tomar banho e lavar as roupas sujas de nove dias de vagem. A exceção foi a recontagem de todo o merchandising, visto que o Jefferson “Pirulão” havia perdido as contas de algumas peças, o que fez com que o Aquiles ficasse muito bravo com o acontecido. Uma daquelas merdas que podem colocar em risco um momento que era para ter sido mais divertido, principalmente para mim. Acho que precisamos aprender a não sermos tão honestos consigo mesmo. Existe hora e momento para certas cenas e palavras, mas, como sempre, eu respeito a integridade de cada um que está na gig, seja integrante da banda ou equipe. Nossos anfitriões curtiram a passagem da banda pelos confins de Tocantins e me presentearam com a notícia de que estão voltando para o Rio Grande do Sul no final deste ano. Que bom, a família está com saudades. Saímos de Paraíso às 22hs e seguimos viagem madrugada adentro até a divisa do Maranhão onde dormimos. Por indicação de pessoas na estrada resolvemos não cruzar a divisa do Tocantins com o Maranhão porque a estrada corta uma reserva indígena e é muito perigoso transitar por lá durante a noite. Às seis da manhã seguimos viagem. Passamos o dia atravessando o estado Maranhão e no inicio da noite de quarta feira, dia 11, chegamos a São Luís. Encontramos nosso amigo Nyelson na entrada da cidade e fomos direto ao hotel. Para variar o local não era apropriado e não havia estacionamento para o ônibus. Tivemos que procurar outro lugar e acabamos achando um hotel próximo à praia, próximo de onde ficamos em 2003. Cheguei a tempo de ver o Inter virar o jogo na partida de ida da final da Libertadores da América e comemorei muito a vitória sobre o Chivas por 2×1 no México. Fomos jantar na companhia de nossos grandes amigos Nyelson, Nynrod e de Dynamark, mais conhecido como “Ribamar”, e depois nos recolhemos para descansar, eu mais feliz com a vitória do meu time…

Décimo primeiro dia – Quinta feira é dia de metal?

O show de São Luís, produzido pela Vibe (Nyelson,Nynrod e Dynamark), somente aconteceu porque eles aceitaram a noite de quinta-feira para realizar o evento. Geralmente, e por razões óbvias, todos contratantes preferem as sextas ou os sábados, mas por questões de logística seria impossível estar em São Luís na sexta e sábado em Fortaleza. Eles entenderam isso e passaram a trabalhar, e bem, a noite de quinta para o show do Hangar. Pela parte da manhã estivemos na retransmissora do SBT na cidade para participar de um programa ao vivo onde tocamos “Solitary Mind”. O show foi no Circo da Cidade, que é realmente uma lona em formato de circo, um espaço cultural da Prefeitura de São Luís. A energia elétrica do local deixava a desejar, causando um pequeno grande transtorno, principalmente quando o nosso engenheiro de som Daniel levou um choque quando colocou a mão na parte de trás da mesa e caiu sentado, atordoado com o choque. O show chegou a correr algum risco, mas felizmente o circo tinha um eletricista que resolveu o problema. Entramos no palco as 23hs30 e mandamos o show para cerca de 400 pessoas. Muitas camisetas e músicas cantadas pela galera nos alegraram muito. Nossa primeira etapa no Nordeste com o Infallible foi surpreendente, com um público expressivo e muitos fãs. Voltamos ao hotel depois de atender a todos no merchandising e com o sentimento de que o restante das datas no Nordeste seria um sucesso. Parabéns ao Nyelson e ao Dynamark (Ribamar), que souberam trabalhar muito bem o evento na quinta feira.

Décimo segundo dia – Teresina e o calor

Saímos do hotel em São Luís por volta das oito da manhã e seguimos viagem para Teresina, atravessando o estado com um calor de quase 40 graus. A paisagem já era de sertão mesmo e as paradas pelos pequenos vilarejos são uma aventura gastronômica. Chegamos a Teresina por volta das duas da tarde e a equipe ficou na casa de shows montando o equipamento enquanto íamos almoçar e depois para o hotel. Lá Conhecemos o Marcelo que seria o responsável por este show e pelo de Fortaleza. O “Bueiro do Rock” em Teresina é um lugar perfeito para a realização de shows, pois conta com uma estrutura bacana, até mesmo para a hospedagem das bandas. Nesse dia a prefeitura estava promovendo um evento gratuito de rock no centro da cidade. Assim, o público foi um pouco menor do que a primeira vez que estivemos na cidade, em 2003. Mas o show foi animado e a galera ficou até o final para as fotos e o bate papo com todos. Em Teresina encontramos nosso grande amigo e fã Jesus que nos acompanhou pela a madrugada, lembrando de nossa primeira passagem por Teresina em 2003. Ficamos até altas horas lembrando as nossas aventuras em Teresina há sete anos.

Décimo terceiro, quarto, quinto e sexto dias – Ceará in Rock, Workshop e a casa da Michely.

Saímos de Teresina na madrugada rumo a Fortaleza. No caminho, a Trans Piauí, uma estrada de 500 quilômetros em péssimo estado de conservação, atravessando o sertão cearense sob um calor de 40 graus à sombra. Pequenos vilarejos com casas de barro e rios e riachos sob pontes totalmente secos nos levaram a uma realidade dura que provavelmente tínhamos visto somente pela televisão. Realmente a divisão de renda no nosso país é um problema. O velho estigma do coronelismo é visível nesta região do país. O Ceará tem um significado especial para nós por ser o estado onde mora uma das nossas maiores colaboradoras e amigas, a Michely Sobral, uma das pessoas que mais ajudou o Hangar e o Aquiles em especial por sua atenção a tudo que fazemos no decorrer destes últimos anos. Ela sempre nos cobrou uma passagem por Fortaleza e nunca tínhamos conseguido fechar uma data, não por falta de interesse nosso, mas logística mesmo. O Ceará in Rock, organizado pelo Marcelo da empresa In Cartaz, está em sua terceira edição e contou, além do Hangar, com Paul Di´Anno e mais quatro bandas locais. Chegamos cedo à praia do Futuro onde o evento seria realizado. Descarregamos o equipamento e o Lucas começou a montar a bateria. Todos sabem que implantamos um modelo inédito de produção na cena metal, já que carregamos nosso equipamento Brasil afora em um ônibus próprio. O esforço para colocarmos isto em prática é incalculável no nosso ponto de vista. E a razão disso tudo é levar um som impecável para as pessoas que comparecem a um show do Hangar, além de promover o nome da banda. Isto é regra e não há exceção, ou seja, não importa quem esteja dividindo o palco conosco. Sendo assim fazemos valer o que pensamos, o que resume tomar parte do palco para que tudo funcione bem. Isto parece que não agradou a outra banda principal do festival que, por conforto ou necessidade, tocaria com equipamento local, ou seja, o que tivesse disponível no evento. Houve um pequeno embate entre a nossa equipe e a outra equipe, mas fincamos o pé e levamos tudo o que os fãs teriam direito. Lógico que sempre tem retaliação e meu equipamento de baixo foi danificado e não tivemos tempo de consertá-lo. Como conseqüência o camarim que deveria ser dividido entre as duas bandas foi deixado para trás para que não houvesse mais problemas, já que o famoso cantor inglês bufava de raiva lá dentro. Depois tudo se acalmou. Fomos para o hotel descansar e voltamos somente na hora do show, as quatro da manha. Isto mesmo: começamos a tocar as 4hs30 da manhã e o público estava lá esperando. Foi emocionante ver tantas camisetas do Hangar em Fortaleza. Fim de festa sempre é um problema. Já rolavam mais de 9 horas de festival e os ânimos estavam acirrados. Uma pessoa tentou subir no palco e a segurança o retirou, ou melhor, empurrou de uma altura de cerca de 2 metros. O cara machucou a perna , xingou, jogou cerveja no teclado do Fábio e tivemos que parar o show. Pela primeira vez em 13 anos isso aconteceu, uma pena, mas no final do show o rapaz estava lá e todos nós comemoramos juntos mais uma noite de metal. Só um susto. Fortaleza infelizmente ficou marcada como a primeira cidade onde tivemos um “incidente”, mas isso faz parte dos “shows de rock”. Fomos novamente para o hotel descansar enquanto a equipe desmontava tudo. Já eram nove da manha. As 10hs30, a equipe toda virada, sem dormir, seguiu para o centro de Fortaleza onde a noite o Aquiles faria um workshop de bateria para o Instituto Bateras Beat da cidade. As 14hs o Edu do Bateras Beat foi nos buscar no hotel para almoçar. Nesse ínterim, o Aquiles descobriu que todos os playbacks que ele utiliza para fazer um workshop haviam sumido do seu IPod. Assim ele convidou a banda toda para acompanhá-lo nesse evento, caso contrário, o workshop contaria apenas com a bateria e o metrônomo. Chegamos por volta das 16hs no local do evento para passar o som. Encontramos novamente a Michely e sua irmã a Tayana. O workshop foi um sucesso, a banda toda tocou e o público compareceu em massa. O casal Edu e Cláudia, do Bateras Beat de Fortaleza, nos receberam muito bem. Sucesso a eles. Tínhamos até quarta pela manhã para ficar em Fortaleza. Conseguimos um hotel/pousada próximo ao Dragão do Mar, que é um complexo turístico cultural na praia de Iracema. Próximo também fica o Mercado onde em 4 andares encontramos todo o tipo de recordação e artesanato cearense. Um lugar para se perder e para gastar. Precisei me controlar para não acabar com a grana. Era a segunda vez que ia até o local, a primeira foi em 2003. À noite fomos jantar na casa da Michely, ou melhor, em uma pizzaria perto da sua casa. Na terça, dia de folga para a maioria da banda, o Aquiles o Humberto e eu fomos até uma loja chamada Planet, na Galeria do Rock, no centro de Fortaleza. À noite encontramos novamente a Michely para a despedida final com uma janta no Dragão do Mar. Ficamos jogando conversa fora até umas 10 horas da noite. O Humberto e o Didi saíram para procurar um estacionamento para o Infallibus e voltaram tarde, mas tudo correu da maneira prevista.

Décimo sétimo dia – Natal aí vamos nós e o futebol que não chega.

Aquele era um dia especial, pois haveria a final da Taça Libertadores da América e o meu time, o Inter precisava somente de um empate para ser campeão. Falei a todos que gostaria muito de chegar a tempo de assistir o jogo em Natal. A previsão de saída de Fortaleza era para meio dia, mas devido a vários atrasos acabamos saindo mesmo por volta das três da tarde. A estrada ia passando e não chegávamos nunca a Natal. A hora do jogo se aproximava e nada de chegar. O Fábio “Didi” nosso motora tem uma pequena televisão que me salvou. Embora o chuvisco da imagem atrapalhasse, pude assistir uma parte do jogo que estava 1×1 até o momento. Chegamos a Natal e fomos recebidos pelo Delano e pelo Glenn que nos levaram até uma pousada na praia de Ponta Negra. Finalmente encontrei uma televisão com imagem legal e pude ver a vitória de 3×2 e a festa final do título. Na manhã seguinte eu já estava com a camisa do Inter, o que irritou alguns integrantes que não sabem o significado que isto tem para mim. Comemorei muito e fui dormir bem tarde conferindo todos os detalhes da festa enquanto recebia e fazia ligações para os amigos colorados que comemoravam em Porto Alegre.

Décimo oitavo dia – Workshop do Aquiles em Ponta Negra e o grande erro do “Pirulão”.

Quando você está em um lugar como a praia Ponta Negra em Natal é difícil concentrar-se no trabalho. Sempre que temos pessoas novas na equipe existe a preocupação de tentar colocá-la dentro do nosso ambiente de trabalho, mas também há toda uma preocupação para que ela enlouqueça rapidamente e peça pra sair, ou seja, um tremendo esforço físico e psicológico que o cara tem que se submeter para entender como o Hangar trabalha. Aqui sentimos a primeira recaída do Jefferson, nosso vendedor de merchandising, que chegou dizendo que ia dar conta do recado e do trabalho. Com o evento marcado para as 19h30 chegamos às 18h para passar o som e arrumar os últimos detalhes. Nada do Jefferson chegar para montar a “loja”. Lá pelas 19h ele chegou e às pressas começou a abrir os cases de merchandising, com todas as desculpas previstas. O Jefferson é um cara inteligente, mas em um grupo onde temos muito mais experiência ficou difícil pra ele segurar a onda. Ele carregava uma máquina digital o tempo todo registrando os seus momentos e quando a máquina chegava ao limite ele me pedia para descarregar as fotos no meu notebook. Lógico que eu sempre olhava as fotos e conferia os seus passos dia a dia. Quando ele falava onde estava e geralmente tentava me enrolar eu sempre dizia que sabia onde ele havia estado em tal dia. Lógico eu tinha as imagens de todo o roteiro dele. Ele custou a perceber isto e eu me diverti muito pegando no pé dele, mas de leve porque quem batia de frente mesmo era o Aquiles. O workshop foi realizado em um rock bar bem localizado, perto da praia e sem dúvida foi um sucesso. Tive a oportunidade de participar tocando algumas músicas do Hangar e por último realizar um dos meus antigos desejos de tocar uma música do Rush. Sim estamos tocando Limelight, um clássico desta banda canadense. Em Curitiba a banda toda tocou, mas em Natal usamos os playbacks da voz do Geddy Lee e da guitarra do Alex Lifeson nos acompanhando. Foi uma satisfação e uma realização. Atendemos a todos os presentes como sempre fazemos e fomos dormir já bem tarde ouvindo o som do mar na praia de Ponta Negra. Sensacional.

Décimo nono dia – Galpão 29 em Natal

O Galpão 29 fica em uma área antiga do centro de Natal. Para chegar lá passamos pelo litoral da cidade em uma via expressa cheia de hotéis e prédios com apartamentos avaliados em mais de milhão de dólares. Natal é uma cidade que me impressiona no Nordeste. Não é enorme como Fortaleza, Recife e Salvador, ela tem a medida certa. Dois anos depois voltamos e como em 2008 tivemos a casa cheia. Reencontramos velhos e novos amigos como o Aeson. Galera cantando as músicas junto e tudo mais. Um show bem legal em que a superação contou mais do que nunca devido ao cansaço que já começava a pesar tanto na banda quanto na equipe. Tive um pequeno stress com a banda de abertura, pois os caras tocaram duas músicas a mais do que o previsto e tínhamos um horário determinado para terminar o show devido a viagem para Caruaru no outro dia. O Delano, nosso amigo de longa data, nos ajudou muito e temos muito a agradecer a ele e ao Glenn.

Vigésimo dia – Caruaru e a Ayanne, David, Hugo e Júniors.

Saímos cedo de Natal e, via BR101, passamos por Recife até chegar a Caruaru. Eram 13hs da tarde e alguns fãs já nos esperavam na frente da loja Nova Music, onde fomos recebidos pelo Júnior Eugênio, Júnior Sá e Hugo Mello, nossos anfitriões. Para variar uma coisa estranha aconteceu: choveu forte em Caruaru neste momento. A Ayanne estava lá e nos presenteou com um pacote de balas e guloseimas feitas em Caruaru. Momento de ganhar algumas calorias… Reencontramos velhos amigos como o David Sebastian e o Deninho que tem uma participação emocionada no nosso DVD Last Time. Caruaru faz arte da história do Hangar e sempre temos muito carinho por todos na cidade. O show foi no estacionamento da loja. A ova Music é muito legal, com produtos de primeira linha. A tarde andei do hotel até o shopping da cidade, passei pelo estádio do Central em meio a uma brisa e chuva fina, ou seja, era inverno em Caruaru, uma cidade muito agradável. Quando chegou a noite o lugar estava completamente lotado e uma chuva bem fina caia deixando o clima bem ameno. O show foi animal, com todas as músicas que a galera pediu e direito a bis com várias músicas. Sem dúvida o show mais longo desta turnê com cerca de 2hs15min. No final, como sempre, atendemos a todos. Caruaru tem um lugar especial no coração e na história da banda. Voltaremos sempre se possível. No final da noite ainda assinamos um painel dentro da loja e fomos lanchar com Júnior Sá, Eugênio e Hugo Mello.

Vigésimo primeiro dia – Recife do João Marinho e da Joanna Litiel.

Caruaru é próxima a Recife, então saímos um pouco mais tarde do hotel. Chegamos a Recife, berço do Humberto, após o meio dia. Deixamos o pessoal montando o equipamento e fomos para o hotel. Logo em seguida chegou o nosso padrinho João Marinho. Com pouca divulgação pensamos que o show seria meio devagar, mas Recife foi a primeira cidade do Nordeste que nos apoiou, em 2003, então o que vimos foi um público muito fiel. Encontramos a Joanna Littiel na parte da tarde. Ela nos acompanhou durante toda a estada em Recife, sempre alegre com nosso Internacional, Campeão da Libertadores e as suas viagens ao Rio Grande do Sul para visitar o noivo em Ivoti. Ela praticamente virou uma gaúcha que fala com sotaque “pernambuquês”. Mais uma vez Recife nos recebeu de braços abertos, show inesquecível. Reencontrei o Júnior Patrício, antigo fã da banda, e para comemoração geral da galera nosso amigo Josco chegou para entrevistar a banda e tirar várias fotos. Josco é um amigo querido e seu nome acabou virando sinônimo de “jocosidades” por parte da banda depois que Humberto assinou embaixo uma noticia veiculada no site do nosso amigo. Assim, qualquer brincadeira vinda de Humberto acabava virando: “isso é coisa de Josco”, referindo-se ao seu site. Uma brincadeira saudável que nos divertiu muito nos últimos meses. Espero que o verdadeiro Josco tenha entendido, que não tem nada a ver com a pessoa dele, sensacional. Coisas insanas que somente os Hangarianos entendem.

Vigésimo segundo dia – O roubo do celular e a correia do ônibus

Programamos a nossa volta a São Paulo em três dias de viagem com cerca de 900 quilômetros por dia. Na saída do hotel em Recife fechei a porta do quarto e fui até a recepção para fazer o check out. Três ou quatro minutos depois coloquei a mão no bolso e não achei o meu celular. Pedi a chave de volta e subi até o quarto, mas não achei o mesmo. Voltei à recepção e pedi para ligarem para o meu número. O mesmo estava desligado e eu nunca deixo o celular desligado. Ai bateu o desespero, em cinco minutos eu havia perdido o meu celular que para mim é como um talismã. Vindo de empresas onde a comunicação é a parte mais importante do esquema trabalho, acostumei a ter o celular como uma extensão do trabalho, da família e da vida. Perdê-lo era como estar “órfão” de todas estas coisas. Além disso, grande parte da agenda de trabalho do Hangar estava lá. Todos já estavam no ônibus e comigo apenas o Humberto e o Fábio Didi. Subi até o sexto andar para olhar as imagens do corredor onde eu estava. Vi um estagiário abrir a porta do quarto e um minuto depois um mensageiro. Eu dei duas opções para o segurança do hotel, ou chamar a policia ou eu iria chamar os “bichos” todos de dentro do ônibus e iríamos quebrar tudo. Como sempre fui um cara ponderado disse a ele para chamar a policia. O problema é que eles iriam somente à tarde até o hotel. Resolvi ir embora com a promessa de que iriam, no mínimo, me indenizar pela perda. Eu já estava bastante cansado da viagem e ainda aconteceu isto. Foi foda, não conseguia pensar em outra coisa. O que um cara iria querer com um celular inutilizável. Liguei para a operadora e bloqueei o chip e o celular, ou seja não serviria para nada, nem para vender. Seguimos viagem até a saída de Recife onde paramos para comprar uma correia do alternador do Infallibus. O Didi e o Humberto levaram quase 2 horas para trocá-la. Começamos a atrasar a nossa viagem. Saindo de Recife ficamos mais 2horas na estrada por conta de uma interrupção na BR101 devido às chuvas dos dias anteriores. Chegamos a noite a cerca de 150 quilômetros de distancia de Aracaju e paramos em um posto de combustível onde os caminhoneiros costumam dormir e se divertir com “damas da noite” baratas e com corpos um tanto que questionáveis. Nenhum pré-conceito, apenas a constatação da realidade brasileira. Estrada e suas verdades. Dormimos ali dentro do bus mesmo, alguns preferiram virar a noite aliviando a tensão batendo papo e tomando cerveja no restaurante em anexo. Outros aproveitaram para fazer atividades físicas, tomar banho ou levar as roupas sujas na lavanderia. Ou seja, chega uma hora que naturalmente a estrada acaba virando a nossa casa mesmo.

Vigésimo terceiro e quarto dias – Viagem que não acaba nunca.

Viajar no nosso ônibus é muito bom. Confortável, com ar condicionado e DVD. Mas depois de vinte dias de convivência a coisa fica quase insuportável. Por este motivo eu entendia os arroubos do Aquiles de dois em dois dias parando tudo e aos gritos fazendo a limpeza do busão. É o que chamo de “saída da inércia”, quando tudo está sob controle, levanta-se o ânimo e acorda-se para a realidade. Palavras de ordem, xingamentos, busca isso, busca aquilo… Era tudo que precisávamos para o momento, voltar a realidade. O que nos restava ao longo de dois dias e mais de 2100 quilômetros seria ver a paisagem passando e o máximo de vídeos possíveis. Já estávamos no final de nossa videoteca e o que nos restou foi assistir a duas ou três temporadas da série Prison Break. Os caras que acabam sempre fugindo de uma prisão, seja ela na América ou no Panamá ou em qualquer lugar do mundo…. Foi foda. Atravessar a Bahia e Minas Gerais por belas paisagens as margens da Chapada Diamantina com planaltos rodeados de montanhas. Passamos por Feira de Santana, Jequié, Vitória da Conquista, Teófilo Otoni, Governador Valadares e Ipatinga. Em Teófilo Otoni descobrimos um vazamento de combustível no motor. Pouca coisa e por sorte consertamos na hora. Uma cidade a cada 300 quilômetros torna a viagem monótona para quem já está cansado. Era a terceira vez que fazíamos este trajeto: 2007, 2008 e agora 2010. E como em 2008, o Fábio desceu do ônibus no posto Graal em Perdões, na Rodovia Fernão Dias, virou a madrugada pelas rodoviárias de Minas Gerais, somente pelo intuito de conseguir passar um dia em casa, antes de encontrar com a gente em Sorocaba dois dias depois… Chegamos à capital da garoa a meia noite de quarta feira e fomos alguns para a casa do Aquiles e três para um hotel, que havia sido um motel anteriormente. A cama redonda já entregava tudo, mas o cansaço foi tanto que o Didi e o Tankão nem se importaram de dormir lado a lado.

Vigésimo quinto dia – Lançamento do DVD do Aquiles no EMT

Às dez horas do dia 27 de agosto saímos com o Infallibus em direção ao EMT, em São Paulo. O evento seria o lançamento do DVD do Aquiles “The Infallible Reason of my Freak Drumming”, vai ser nome difícil lá não sei aonde. “Enfim” um evento apoiado pelo EMT, maior escola musical da América do Sul, além da Musical Express e marcas Evans, Gibraltar e Pro Mark. Logo na chegada fui informado que os 250 lugares já estavam esgotados e que mais de 100 pessoas ficariam de fora do evento. Sucesso total. Descemos todo o equipo do ônibus e subimos até o último andar do prédio, no auditório. Caramba, não foi fácil não. Enquanto montávamos o equipamento, o Humberto, o Martinez e o Didi levaram o Infallibus até Itaquaquecetuba para arrumar dois maleiros com troca das borrachas. Eu fui convidado a participar e fiquei muito lisonjeado mais uma vez. Na minha parte, como faço de costume, falo do meu equipamento, mas desta vez foi diferente. Falei da satisfação de tocarmos com aquele cara que um dia foi simplesmente um “batedor de bumbo” e agora é um artista completo, compositor, produtor e músico de renome. Antes o que era um desafio agora é um privilégio, trabalhar com Aquiles Priester, assim como todos os outros integrantes da banda. Acho que o cansaço age sobre o emocional das pessoas e escolhi algumas palavras certas. Depois do evento duas pessoas me falaram que se emocionaram com o meu semi-discurso. Se por um lado o pessoal da banda deve ter pensado: “Mello, seu grande canastrão”, por outro posso dizer que muitas vezes falo com o coração mesmo e não com a razão. Para terminar tocamos “Limelight” do Rush, o que completou a noite. Tocar no EMT, acompanhar o Aquiles em algumas músicas e ainda tocar Rush, foi demais.

Vigésimo sexto dia – Sorocaba e os atrasos dos festivais

A noite anterior terminou cedo e fomos dormir por volta da uma da manhã. Às dez da manhã saímos em direção a Sorocaba, onde iríamos participar de um festival junto com o Dr. Sin e a André Matos Band. Chegamos cedo, por volta das 13hs. Como iríamos usar as ferragens da batera do Aquiles e os tons da batera do Eloy, ficamos aguardando que as outras bandas chegassem. Infelizmente eles chegaram somente no final da tarde. Fomos para o hotel e voltamos para a passagem de som somente às 19hs. O lugar é bem legal em Sorocaba: palco grande , boa iluminação…. O Dr. Sin chegou e nem passou som, foi tocar direto, o que fez com que as bandas de abertura locais fossem limadas por absoluta falta de tempo e atraso. O show deles foi cheio de energia. Acabamos emprestando os amps Maverick para o Ardanuy e o Warm Music para o Andria Busic, além do Ivan também ter tocado na mesma batera que o Aquiles e o Eloy. O show deles terminou 1hs30min e começamos ouvir a galera cantando “Hangar, Hangar, Olé, Olé, Olé, Olé”. Foi muito bacana. Subimos no palco e tocamos exatamente 75 minutos, como combinado. Muita gente cantando as músicas. Encontramos a banda do André Matos no camarim, Eloy, Zazá, Hugo, Fábio e o novo baixista Bruno. Foi o nosso oitavo show juntos. Nunca tivemos problema nenhum com os caras, bem pelo contrário, damos boas risadas. O André inclusive comentou comigo que esteve na minha cidade Gravataí há duas semanas, junto com Orquestra da Ulbra. Infelizmente eu não estava na cidade, mas fiquei sabendo que foi um sucesso. Após passar pelo merchandising, saímos do Plaza Hall e ainda conseguimos assistir uma parte do show do André. Logo em seguida a van chegou e fomos para o hotel.

Vigésimo sétimo dia – A surpresa em Presidente Prudente

Saímos de Sorocaba às oito da manhã em direção a Presidente Prudente, cidade a cerca de 500 quilômetros de São Paulo. Foram 8 horas de viagem, onde todos já estavam bem cansados mesmo, muito mais por estarem longe de casa, e por ser o último show do mês. A sensação de querer que tudo acabasse de uma vez estava mais do que presente. Fomos recebidos pelo Cesinha, que já produziu muitos shows na cidade e nos contou muitas histórias hilárias, outras nem tanto. A produção do César foi perfeita, fomos tratados muito bem. O local do show era enorme e levamos um susto pensando que seria o nosso “Anvil’s Day”. Enquanto a equipe montava o equipamento eu estava no hotel e recebi uma ligação do Daniel “Pepe” Fernandes, nosso técnico de som, dizendo que o Jefferson, mais conhecido como “Pirulão” tinha ido embora. Não acreditei muito no momento, mas depois constatamos que o cara simplesmente pegou sua mala e foi embora pra casa depois de vinte e sete dias exaustivos e cansativos. Foi a “espanação” mais importante dos últimos tempos. Somos gratos ao Jefferson por fazer valer a nossa loucura, o cara não agüentou até o final e “pediu para sair”. Se ele é um fraco eu não sei, só sei que ficamos todos agradecidos a ele nos proporcionar mais um momento de certeza na nossa carreira. Pra fazer o que a gente faz precisa ter muita, mas muita fibra, caso contrário você pega as suas malas e foge como, ele fez… Voltando ao show, chegamos ao local por volta das 23 horas e encontramos um público de umas trezentas pessoas sedentas por metal. Foi insano. Talvez por falta de opções em uma cidade “fora de mão” todas as tribos estavam lá. As rodas formadas nas passagens mais pesadas, as pessoas cantando as músicas junto, não acreditando que estávamos lá e até mesmo um grupo de “emos”, com suas franjas engraçadas e com camisetas do Hangar e gritando a letra de “Time to Forget”, além de um punk com cabelo arrepiado que ficava dançando (pogueando) feito um pica-pau na frente do palco. No final convidamos o Césinha para cantar “Perfect Strangers” conosco. Ainda tocamos a Master e a casa caiu. Todos enlouquecidos. Presidente Prudente comprovou uma das teses de que o que importa é a boa música e não os segmentos. Conseguimos reunir em um único show todos os amantes de música pesada. A energia da banda foi fora do comum, talvez pela pequena bronca que eu havia dado no Humberto e no Martinez na noite anterior, sim às vezes eu me rebelo, rsrsrs, mas muito mais pelo público, que foi brilhante. No final, quando não havia mais ninguém ainda arrumamos forças para contar todo o merchandising e assim avaliarmos os resultados do mês.

Vigésimo oitavo dia – A volta pra São Paulo e a “lenda dos pneus que explodem”

Saímos de Presidente Prudente às 10 horas da manhã, prevendo uma viagem tranqüila com chegada em São Paulo por volta das 18 horas. Tudo corria bem até que um dos pneus traseiros estourou. Lá vamos nós novamente atrás de um pneu. Era domingo e por sorte conseguimos comprar um antes da cidade de Ourinhos. Sabíamos que estávamos com problemas em alguns pneus, mas cerca de 200 quilômetros depois da troca, outro pneu cedeu em sua metade, vindo a explodir cerca de 50 quilômetros depois. Não havia como comprarmos mais um pneu, visto que seria um gasto desnecessário, pois havíamos decidido comprar pneus novos na chegada a São Paulo. Colocamos o step “meia boca” e seguimos viagem até São Paulo torcendo para que nada acontecesse. Bom, dois pneus em um dia já eram de bom tamanho, né? Chegamos a São Paulo às 23 horas e fomos dormir direto devido ao cansaço.

Vigésimo nono dia – A volta para casa e a lenda dos pneus parte 2

Com a necessidade de colocarmos pneus novos no Infallibus, acordamos as 6hs30 para que o Aquiles o Fábio Didi fossem até Itaquaquecetuba consertar mais um maleiro, trocar um pára-brisas que havia trincado e comprar mais dois pneus novos. Eu acabei ficando em Congonhas, pois meu vôo estava marcado para as 10 horas. O Martinez e o Fábio Laguna seguiram para o Terminal Rodoviário Tietê e rumaram para Caraguatatuba e Mococa, respectivamente. Até o momento nos falamos somente por email, bem poucos mesmo. Voltaremos a nos encontrar dia 15 de setembro e a tour continua.

Epílogo

Lembrar de todos os detalhes seria impossível. O que vocês acabaram de ler é um resumo do mês de agosto com o Hangar, 10 pessoas, o Infallibus e mais de cinco toneladas de equipamento. Por falar do Infallibus, não posso deixar de comentar que depois de quase um ano que ele está conosco foi neste mês, em que praticamente moramos nele, que podemos apreciar a sua real utilidade e importância. Acho que nos apegamos de tal forma aquela máquina de motor potente que ele transformou as nossas vidas um pouco a cada dia. Hoje não imaginamos a banda sem o Infallibus. Pessoalmente acho que no decorrer dos anos ele vai se tornar uma lenda do metal nacional, um tipo de herói de alumínio. Se vai acontecer ou não, somente o tempo poderá confirmar. Se existe um sonho por trás de um grupo ou banda de rock posso afirmar que na nossa cabeça este sonho está se concretizando. É um longo caminho a percorrer, que leva anos a fio, mas o que sentimos na estrada é a proximidade com o público. Não nos escondemos atrás ou em cima do palco, saímos dele e vamos ao encontro das pessoas que nos apóiam. A busca pelo show perfeito e pelo reconhecimento nos persegue e nós a perseguimos sem parar. Uma vez eu disse que estava atrás do pote no final do arco-íris e o meu grande amigo Eduardo Martinez me disse que nós já o havíamos achado. Hoje acho que ele tem razão, se tudo isto acabar daqui a alguns anos, saberemos que as amizades que fizemos continuarão e que de alguma maneira ou outra uma pessoa que esteve em um show do Hangar o lembrará para sempre. Alguns talvez não lembrem nem o nome da música, ou os nossos ou mesmo da banda, mas algumas centenas lembrarão daquela banda louca que tinha um ônibus personalizado e que fazia um puta show. Temos ainda uma longa trajetória a percorrer e esta turnê não está no fim não. Aguardem a continuação deste longo diário muito em breve. Apenas 31 cidades receberam a nossa visita. Ainda faltam muitas e nós queremos ir até ai. O que você está esperando?

Abraços,

Nando Mello e Hangar.








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