{"id":629,"date":"2008-05-16T20:59:30","date_gmt":"2008-05-16T20:59:30","guid":{"rendered":"http:\/\/hangar.mus.br\/site\/?p=629"},"modified":"2008-05-16T20:59:30","modified_gmt":"2008-05-16T20:59:30","slug":"conviction-tour-20072008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/conviction-tour-20072008\/","title":{"rendered":"CONVICTION TOUR 2007\/2008"},"content":{"rendered":"<p>postado por Fabio Laguna<\/p>\n<p>Sauda\u00e7\u00f5es Hangarianas!<\/p>\n<p>Devido ao grande n\u00famero de atividades em que estivemos envolvidos nos \u00faltimos 40 dias, o que segue abaixo \u00e9 muito mais do que um di\u00e1rio! Mais ainda do que um seman\u00e1rio! Mais do que um mens\u00e1rio! \u00c9 um QUARENTEN\u00c1RIO!!! Sim, est\u00e1vamos em quarentena no Retiro Metal Hangar! Quarentena de rala\u00e7\u00e3o! Tanta coisa aconteceu que foi dif\u00edcil lembrar de todos os detalhes mais s\u00f3rdidos e picantes dos nossos \u00faltimos compromissos. Definitivamente o Hangar saiu do hangar.<\/p>\n<p>O m\u00eas de mar\u00e7o come\u00e7ou pegando fogo. Fizemos uma bateria de ensaios na primeira semana, pois no dia 8 ter\u00edamos o show mais importante da carreira do Hangar, que era a abertura para o Dream Theater. Antes disso, no dia 6, nos apresentamos no audit\u00f3rio do EMT (Escola de M\u00fasica e Tecnologia). Esse pocket show foi uma pr\u00e9via do que apresentar\u00edamos na abertura para o DT. Al\u00e9m disso, foi um momento descontra\u00eddo e de aproxima\u00e7\u00e3o com nossos f\u00e3s e amigos, j\u00e1 que pudemos conversar com os presentes e tocar alguns covers que est\u00e3o somente em nosso repert\u00f3rio ac\u00fastico, como Queen, Beatles, Journey, etc. Aproveitamos o dia seguinte para conferir e limpar todo o equipamento. E passamos boa parte da tarde descendo toda nossa parafern\u00e1lia pelos tr\u00eas andares que separam o audit\u00f3rio da porta de sa\u00edda do EMT. <\/p>\n<p>O dia 8 de mar\u00e7o foi um dia especial para a hist\u00f3ria do Hangar. Logo depois do almo\u00e7o, seguimos para o Credicard Hall, onde mais tarde aconteceria o show do Dream Theater. Fomos muito bem recebidos pelo tour manager deles que, reciprocamente, ficou muito tranq\u00fcilo com o profissionalismo que apresentamos em todos os detalhes. Enquanto o Dream Theater passava o som, n\u00f3s come\u00e7amos a montagem do nosso equipamento na lateral do palco. E chegou a hora da nossa passagem de som. Como todo mundo deve imaginar, abrir show \u00e9 sempre uma correria contra o rel\u00f3gio, porque as condi\u00e7\u00f5es e prazos dados para as bandas de abertura s\u00e3o sempre apertados. Mas a gente se virou bem. Conseguimos passar todos os instrumentos com tranq\u00fcilidade. No meio da passagem de som o Aquiles desapareceu, rsrsrs, porque tinha que fazer umas fotos com o Portnoy para ilustrar a entrevista que ser\u00e1 publicada na revista Modern Drummer desse m\u00eas. E no meio da nossa passagem de som, com o Aquiles de volta, os port\u00f5es foram abertos e a gente p\u00f4de tocar uma m\u00fasica que n\u00e3o estaria no nosso repert\u00f3rio daquele dia. As pessoas reagiram como se j\u00e1 fosse o show! Foi muito legal porque pudemos perceber que ter\u00edamos pelo menos o respeito dos f\u00e3s do Dream Theater para o nosso show. Terminada a passagem de som, voltamos para o nosso camarim e esperamos ansiosamente pelo encontro que ter\u00edamos com os caras do DT. De repente, algu\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o deles entra em nosso camarim e diz: \u201c\u00c9 agora!\u201d. O Aquiles e eu j\u00e1 conhec\u00edamos os caras pessoalmente de outras ocasi\u00f5es, mas \u00e9 sempre uma emo\u00e7\u00e3o muito forte encontrar com esses g\u00eanios. O encontro foi no palco do Credicard Hall. S\u00f3 o LaBrie n\u00e3o compareceu, porque n\u00e3o estava bem. Ali\u00e1s, foi por isso que os shows foram adiantados em meia hora. N\u00e3o foi por causa do mau tempo. O James pegou uma virose e n\u00e3o estava bem. Enfim, cumprimentamos todos os caras e cada um foi automaticamente atra\u00eddo pelo seu respectivo instrumentista, rsrsrs. Fiquei muito feliz pelo Jordan ter lembrado o meu nome! \u201cHey F\u00e1bio, prazer te ver de novo! Como est\u00e1?\u201d Conversei com ele sobre todos os assuntos, menos de m\u00fasica. Ele \u00e9 inspirador, o exemplo claro de um artista nato, que n\u00e3o precisa de maquiagem ou caras e bocas pra se afirmar. \u00c9 s\u00f3 ele come\u00e7ar a tocar e todo mundo entende porque ele \u00e9 o tecladista mais reverenciado atualmente. O Mello tentou trocar algumas palavras com o Myung, mas todo mundo sabe que ele \u00e9 uma pessoa muito t\u00edmida, rsrs. O Martinez conversou bastante com o Petrucci sobre equipamentos e o Aquiles ficou de papo com o Portnoy, que foi presenteado com um PshycoShoe.<\/p>\n<p>Terminado o encontro, chegava a hora de se concentrar para o show. Tocamos 40 minutos para cerca de 6.000 pessoas. A resposta do p\u00fablico n\u00e3o poderia ter sido melhor. Sa\u00edmos do Credicard Hall com a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido. Antes disso, n\u00f3s pudemos assistir \u00e0 atra\u00e7\u00e3o principal da pista e entender mais um pouco porque o Dream Theater merece tanto o respeito que tem. Eles s\u00e3o simplesmente fant\u00e1sticos!<\/p>\n<p>O dia seguinte era um domingo. Dia sagrado de descanso? Que nada! Dia de trabalhar. Mal acordamos e j\u00e1 come\u00e7amos a ensaiar nosso repert\u00f3rio ac\u00fastico, pois ter\u00edamos um pocket show na Fnac do Shopping Dom Pedro, em Campinas, na segunda-feira, dia 10. E l\u00e1 fomos n\u00f3s para Campinas apresentar todo o peso do Hangar somente com viol\u00e3o, baixol\u00e3o, piano, \u00f3rg\u00e3o e uma bateria totalmente at\u00edpica para quem conhece o set up do Aquiles. Come\u00e7amos a tocar nossas m\u00fasicas em vers\u00e3o ac\u00fastica h\u00e1 pouco tempo atr\u00e1s e pra gente \u00e9 como voltar no in\u00edcio das composi\u00e7\u00f5es, quando s\u00f3 us\u00e1vamos viol\u00e3o ou piano. As pessoas podem entender melhor de onde vieram as id\u00e9ias que deram origem ao TROYC. As m\u00fasicas se tornam can\u00e7\u00f5es pra tocar na beira da fogueira novamente, rsrs.<\/p>\n<p>Eu ainda n\u00e3o citei o Contr\u00e1rio nesse quarenten\u00e1rio n\u00e9? Bom, que fique claro que ele nem precisa ser citado, pois est\u00e1 sempre ao nosso lado, rsrs. Por exemplo, depois desse show ac\u00fastico em Campinas, tivemos que viajar com os equipamentos em baixo de chuva, pra variar.<\/p>\n<p>Voltamos pra S\u00e3o Paulo, pois ter\u00edamos mais dois dias de ensaio para a grava\u00e7\u00e3o do programa Show Livre, no dia 13. Para quem n\u00e3o conhece, esse programa \u00e9 apresentado pelo Clemente (Inocentes). L\u00e1 a gente tamb\u00e9m fez uma apresenta\u00e7\u00e3o ac\u00fastica e contamos mais um pouquinho sobre o Hangar. Quem ainda n\u00e3o conferiu, \u00e9 s\u00f3 acessar o site www.showlivre.com. Terminada a grava\u00e7\u00e3o, desmontamos todo o equipo, carregamos e fomos descansar um pouco porque o dia seguinte seria de muita rala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 14, pela manh\u00e3, come\u00e7amos a nos preparar para a nossa turn\u00ea pelo Paran\u00e1, que em princ\u00edpio passaria por Cascavel, Maring\u00e1 e Curitiba. Toda a banda e parte da equipe foi se encontrar no estacionamento onde fica parado o nosso trailer, que finalmente estava finalizado com o novo adesivo do Hangar. Ficou muito bonito. \u00c9 praticamente um outdoor ambulante chocando todas as pessoas por onde passa. E, como n\u00e3o podia ser diferente, o Beto, motorista da van, fez o grande favor de estre\u00e1-lo com honras ao m\u00e9rito reconhecidas pelo Contr\u00e1rio. No primeiro dia de uso, no primeiro trajeto que fizemos ainda dentro de S\u00e3o Paulo, o motora raspou o trailer em uma \u00e1rvore e l\u00e1 se foi o adesivo novo&#8230; O trailer foi v\u00edtima do serial driver killer. Tudo bem, fazer o qu\u00ea? A gente sabia que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria. S\u00f3 n\u00e3o esper\u00e1vamos que fosse t\u00e3o cedo. Bom, depois de tudo carregado, por volta das 7 horas da noite, partimos para Cascavel. Como fui sentado no banco da frente, fiquei de guarda motorista noturno. Na verdade, nem precisava, porque o Beto era bem consciente do que tava fazendo. Mesmo assim eu insisti na tarefa e n\u00e3o dormi nenhum minuto, at\u00e9 estacionarmos na porta do hotel em Cascavel, \u00e0s 7 da manh\u00e3 do dia 15. Enfim ter\u00edamos uma longa manh\u00e3 para descansar&#8230; Ahahahaha, que sonho&#8230; Mal chegamos em Cascavel e j\u00e1 t\u00ednhamos duas entrevistas para fazer, uma \u00e0s 9 da manh\u00e3 e outra as 10. Todo mundo com a cara inchada na televis\u00e3o! Depois fomos almo\u00e7ar e da\u00ed sim, pudemos ter uma curta tarde de descanso.<\/p>\n<p>Todo mundo semi-renovado, era hora de passar o som. O lugar do show era uma casa nova, a gente praticamente estreou o lugar. Terminada a passagem de som, fizemos mais uma entrevista para a Band TV e voltamos para o hotel para jantar e descansar mais um pouco. Voltamos para o lugar do show e esperamos terminar a apresenta\u00e7\u00e3o da banda de abertura no camarim. Esse show teve um clima estranho. A banda tava cansada por causa da viagem e n\u00e3o havia ventila\u00e7\u00e3o no lugar. Digamos, n\u00e3o foi uma das nossas melhores apresenta\u00e7\u00f5es. O mais louco \u00e9 que no meio do show um moleque subiu no palco e fez um stage diving. A galera de baixo abriu a roda e o cara foi de cabe\u00e7a no ch\u00e3o, ficando estendido por alguns segundos enquanto uma po\u00e7a de sangue come\u00e7ava a se formar em volta da cabe\u00e7a dele. Como\u00e7\u00e3o geral. A banda parou, o Nando pediu desesperadamente para que os presentes acudissem o coitado. Depois ficamos sabendo que o cara era meio problem\u00e1tico e costumava apavorar em todos os shows. Ficamos sabendo tamb\u00e9m que ele continuou na rua, na porta da casa, com a cara toda ensang\u00fcentada, mas vivo. Enfim, esse epis\u00f3dio poderia ter um fim tr\u00e1gico para o Hangar. Imaginem s\u00f3 o notici\u00e1rio do dia seguinte: \u201cGaroto se mata em show de banda adoradora de serial killers\u201d. Kkkkkkkkkk. Isso seria muito escroto.<\/p>\n<p>Bom, entre mortos e feridos, o saldo do show foi muito positivo. Os pr\u00f3ximos dois dias seriam de divulga\u00e7\u00e3o e descanso. N\u00f3s ficamos em Cascavel, pois ter\u00edamos um workshow com toda a banda no dia 18. Visitamos r\u00e1dios, televis\u00f5es, escolas de m\u00fasica, etc. Nesse evento pudemos conversar com as pessoas que tinham ido ao nosso show e outras n\u00e3o puderam comparecer no mesmo. Para usar ao m\u00e1ximo a ocasi\u00e3o, montamos toda a nossa estrutura para simular um show e j\u00e1 aproveitar para ensaiar em condi\u00e7\u00f5es reais.<\/p>\n<p>Em meio a toda essa correria, ficamos sabendo que o show de Maring\u00e1, que seria no dia 19, havia sido cancelado. Mesmo assim, nesse dia partimos para Maring\u00e1 que, de certa forma, ficava no caminho para Curitiba, cidade em que far\u00edamos uma apresenta\u00e7\u00e3o no dia 20. N\u00f3s decidimos ir para Maring\u00e1 como forma de respeito aos nossos f\u00e3s, j\u00e1 que o show tinha sido cancelado com apenas 2 dias de anteced\u00eancia. As pessoas que haviam nos contratados simplesmente decidiram cancelar porque achavam que n\u00e3o teria p\u00fablico o suficiente. Da\u00ed pergunto, se eles explodissem de vender ingressos n\u00f3s receber\u00edamos um centavo a mais por isso? Fomos \u00e0 m\u00eddia local para esclarecer que a banda n\u00e3o tinha nada a ver com o cancelamento e, \u00e0 noite, no hor\u00e1rio do show, ficamos em frente \u00e0 porta da casa onde seria a apresenta\u00e7\u00e3o para atender a todos os f\u00e3s que se sentiram prejudicados com tal absurdo. Pouco antes disso, o Contr\u00e1rio agiu com toda a sua for\u00e7a: o engate que prende o trailer \u00e0 van simplesmente quebrou!!! Para a nossa sorte, est\u00e1vamos em uma rua plana, o que impediu uma trag\u00e9dia. E contrariando todas as perip\u00e9cias do Contr\u00e1rio, logo em frente ao local onde aconteceu o acidente havia uma serralheria. Era noite, mas havia um funcion\u00e1rio fazendo hora extra e ele disse que poder\u00edamos estacionar o trailer dentro da serralheria para que fosse arrumado no dia seguinte bem cedo. Come\u00e7amos a empurrar o trailer para guard\u00e1-lo quando um carro entrou no meio do caminho. Todo mundo come\u00e7ou a gritar delicadamente coisas como: \u201cHey!!!\u201d; \u201cSai da frente seu louco!\u201d \u201cPQP!!!\u201d. E o cara do carro, que minutos depois descobrimos ser o dono da serralheria, colocou a cabe\u00e7a para fora e, olhando com severidade, respondeu com seu sotaque paraguaio: \u201cL\u00f4co san voc\u00eas!\u201d. Isso foi motivo de piada por um bom tempo. Apesar disso, o cara foi muito gente boa e nos atendeu naquela tremenda roubada. Fomos jantar e voltamos para o \u201chotel\u201d, ou sei l\u00e1 como chamar o lugar que ficamos hospedados. As camas eram de alvenaria e tinham uns buracos bem prop\u00edcios para cria\u00e7\u00e3o de barata. E l\u00e1 estavam elas.<\/p>\n<p>No dia seguinte, acordamos bem cedo porque t\u00ednhamos que pegar o trailer no conserto e seguir viagem para Curitiba. Assim que deixamos Maring\u00e1 o Contr\u00e1rio contra-atacou forte! Come\u00e7amos a sentir cheiro de borracha queimada e o Nando colocou a cabe\u00e7a pra tr\u00e1s e disse que estava saindo fuma\u00e7a do pneu do trailer. S\u00f3 levaram a s\u00e9rio depois que ele insistiu umas tr\u00eas vezes. Paramos a van em uma avenida paralela a rodovia e vimos que um dos pneus do trailer estava pegando fogo! Corre-corre geral! Cad\u00ea o extintor?!?! Pra ajudar, um \u00f4nibus s\u00f3 com mulheres de todas as idades (coisa de filme!) parou do nosso lado e as engra\u00e7adinhas come\u00e7aram a fazer piadas como: \u201cAi que calor!\u201d; \u201cApaga o meu fogo\u201d. Foi foda. Descobrimos que com o acidente da noite anterior, o freio de uma das rodas do trailer ficou travado e a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o seria continuarmos a viagem sem os freios da carreta. Metal extremo! O Beto, motora, soltou os freios e seguimos viagem.<\/p>\n<p>Toda essa confus\u00e3o serviu para atrasar nossa chegada em Curitiba em mais de 3 horas. Conclus\u00e3o: chegamos no Opera 1 e todo mundo meteu a m\u00e3o na massa pra aliviar o atraso. Agradecemos muito pela compreens\u00e3o das bandas de abertura local porque nossa passagem de som acabou atrasando muito. Antes disso, ainda tivemos uma tarde de aut\u00f3grafos, tamb\u00e9m atrasada pelos mesmos motivos.<\/p>\n<p>Depois de passar o som, fomos ao hotel para um banho r\u00e1pido, jantamos e voltamos para o local do show onde pudemos conferir as \u00faltimas m\u00fasicas da banda curitibana Dragon Heart. Hora do show. Para mim, esse foi nosso melhor show. Acho que est\u00e1vamos t\u00e3o putos com toda a merda que aconteceu nesse dia que sobrou muita energia pra botar pra fora. E boa parte dessa energia foi canalizada nesse show. Nunca tinha visto o Hangar t\u00e3o rock\u2019n\u2019roll, se \u00e9 que voc\u00eas me entendem, rs. Terminada a apresenta\u00e7\u00e3o, atendemos a todos os presentes, como fazemos sempre. E como fazemos de vez em quando, especialmente quando estamos atrasados, fizemos um mutir\u00e3o e carregamos toda a tranqueira escada abaixo para dar uma for\u00e7a para a equipe que, como tamb\u00e9m acontece de vez em quando, foi deixada na m\u00e3o pelos carregadores. Era hora de voltar para o hotel e descansar um pouco, pois no dia seguinte ainda t\u00ednhamos que voltar para S\u00e3o Paulo sob a luz do dia j\u00e1 que o trailer de quase duas toneladas, al\u00e9m de estar sem freio, tamb\u00e9m estava sem ilumina\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o acidente de Maring\u00e1 tamb\u00e9m destruiu todos os cabos da parte el\u00e9trica.<\/p>\n<p>O show que ter\u00edamos no dia 22, em Guarulhos, com o Sepultura, foi cancelado dias antes e assim tivemos alguns dias de folga para repor as energias e se preparar para uma nova maratona de compromissos.<\/p>\n<p>Ol\u00e1 galera, \u00e9 um prazer e uma honra participar do Hangar e seus dias di\u00e1rios, noturn\u00e1rios e ininterruptos. Quem assume o relato aqui \u00e9 Eduardo Martinez e o estilo narrativo pode mudar um pouco. Afinal n\u00e3o \u00e9 por nada que o meu apelido na banda \u00e9 L0co. Bem, como dizia o f\u00edsico da l\u00edngua pra fora: tudo \u00e9 relativo, tempo e espa\u00e7o se confundem na estrada criando um novo conceito de dobra temporal que n\u00f3s cientistas costumamos chamar de \u201co dia da marmota\u201d. A prova cabal de sua exist\u00eancia \u00e9 o filme que n\u00f3s cientistas costumamos chamar de \u201co feiti\u00e7o do tempo\u201d. Apesar de toda a l\u00f3gica estamos realizando shows, workshops e cargas nunca antes vistos, numa rotina sem fim de surpresas, desafios e novos amigos. Hangar e Sepultura no Sesc de Santo Andr\u00e9, mais uma noite para lembrar e contar para os netos. O dia 28 de mar\u00e7o come\u00e7ou como um dia da marmota normal, com muita caaaaaarga. Esta \u00e9 uma parte imprescind\u00edvel. Eu s\u00f3 tenho uma banda por causa da carga. Shows, m\u00fasica, dinheiro nada disso importa. Quem conhece a carga sabe que n\u00e3o h\u00e1 nada melhor. A carga quer voc\u00ea. Bandas que viajam de avi\u00e3ozinho est\u00e3o perdendo o melhor do Roquenrou que \u00e9 levar caixadas e sub-badas em plena face logo de manh\u00e3 cedo. Bem, chegando ao Sesc a nossa equipe, que j\u00e1 est\u00e1 em um n\u00edvel muito top de entrosamento na gig come\u00e7a a analise do per\u00edmetro para a descarga da carga. Nesse momento tive meu reencontro com um dos integrantes da fase \u00e1urea do Sepultura: no exato momento em que eu saio de tr\u00e1s do trailer com um dos nossos tocos jumbo de madeira (usado para cal\u00e7ar a carga), esbarro no senhor Andr\u00e9as Kisser chegando para mais um dia de trabalho. Foi uma sauda\u00e7\u00e3o bem metal, tipo uma paulada de boas vindas. Felizmente nenhum guitarrista saiu ferido. Nem o toco. E nem a carga. Naquele momento me dei conta que era a segunda vez que tinha a oportunidade de dividir o palco com o Sepultura e dar pauladas nas pessoas. Faziam 17 anos da primeira, em Porto Alegre com minha banda anterior, no show da tour de lan\u00e7amento do Arise. A vida d\u00e1 voltas e muitas cargas, shows, discos e principalmente anos depois, a mesma oportunidade de mostrar para o p\u00fablico de um dos maiores nomes do metal mundial o show da minha banda. E foi uma paulada&#8230; Como n\u00e3o podia deixar de ser em um show de abertura a passagem de som foi bem corrida e na press\u00e3o, mas tudo muito sossegado pois o respeito entre as equipes e o profissionalismo eram a lei. Subimos \u201cpontualmente\u201d mesmo, e na hora que o Arnaldo declara que finalmente encontrou a paz de novo, e que de alguma forma a dor de dentro de seus olhos ainda \u00e9 apenas o come\u00e7o, j\u00e1 estamos na beira do palco, punhos cerrados ao alto saudando a galera que j\u00e1 nos viu no escuro e come\u00e7a a gritar por que sabe o que vem depois daquela voz. A\u00ed a paz acaba e o inferno come\u00e7a. Ou melhor, Heaven, pois \u00e9 nessa hora que tudo faz sentido pra mim. Os primeiros segundos de um show do Hangar superam at\u00e9 a carga. A adrenalina vai acumulando e explode ap\u00f3s duas contagens no chimbau. Tivemos uma recep\u00e7\u00e3o com cabe\u00e7a batendo, roda no meio da galera, gente cantando as m\u00fasicas e at\u00e9 um coro gritando \u201cHangar, Hangar\u201d. N\u00e3o podia ser melhor. <\/p>\n<p>E segue a carga, rumo ao workshop do sr. Aquiles em Crici\u00fama. \u00c9 sempre uma grande emo\u00e7\u00e3o ver a galera ouvindo atentamente as nossas m\u00fasicas e uma festa ouvir as incr\u00edveis respostas do Aquiles as n\u00e3o menos incr\u00edveis perguntas. Quando sa\u00edmos de l\u00e1 deixamos um rastro de camisas do Hangar nas pessoas, hehe. E grandes amigos que nos receberam e hospedaram em suas casas, fazendo as coisas acontecerem com muita carne, cerveja e hospitalidade: Adair Daufembach, Gilson Naspolini, e Thiago \u201cHomer\u201d Daminelli. Fomos acomodados na casa de praia do sr. Homer na noite da nossa chegada ap\u00f3s \u00e9 claro uma pequena descarga. Est\u00e1vamos pr\u00f3ximos de Crici\u00fama mas como n\u00e3o era ver\u00e3o a praia estava deserta e as casas vazias, ningu\u00e9m na rua, frio, nada aberto: praia fantasma. Nesse clima Aquiles acorda para mais um dia de workshop e resolve sentar na porta da casa pra tomar um caf\u00e9 sossegado. Imagine um sujeito barbudo, de bon\u00e9 e sem camisa, com uma vaca fumando tatuada no peito chegando de longe no meio da rua e mais ningu\u00e9m por perto. O tal sujeito lembrava o personagem psicopata do filme Kalifornia. Ent\u00e3o o Brad Pit cover vem chegando com uma espada na m\u00e3o&#8230; Isso mesmo, n\u00e3o era um fac\u00e3o, era uma espada daquelas medievais que ficam em cima da lareira junto com o bras\u00e3o da fam\u00edlia. Sobra pouco tempo pra decidir o que fazer, e o tal maluco j\u00e1 est\u00e1 na cal\u00e7ada vindo pra cima, devagar e sempre com o ferro na m\u00e3o. Seria um bom momento para um \u201cbom dia, como vai, vem sempre aqui?\u201d Sorte que o escudo daonde sa\u00edra a tal espada era da fam\u00edlia Daminelli e o assassino em potencial era primo do Homer. Ele n\u00e3o sabia de nada e s\u00f3 estava chegando pra dar uma conferida naquele bando de peludos que estavam l\u00e1 invadindo a casa. Ningu\u00e9m saiu ferido de novo. S\u00f3 a x\u00edcara de caf\u00e9, que lascou quando o Polvo caiu pra tr\u00e1s naqueles segundos em que virou personagem de suas letras: a v\u00edtima&#8230;hehe. Eu e o sr. Nando Mello aproveitamos para depois do evento pegar um \u00f4nibus rumo a Porto Alegre\/Gravata\u00ed e recarregar as veias com chimarr\u00e3o para a pr\u00f3xima etapa.<\/p>\n<p>O pocket show ac\u00fastico do Hangar na Fnac do shopping Barigui em Curitiba, Paran\u00e1, 10 de abril de 2008&#8230; Um cap\u00edtulo de carga e novos amigos como o sr. Vinicius \u201cPopKieds\u201d e mais um exemplo de hospitalidade e brodagem muito al\u00e9m do jardim. A repercuss\u00e3o do show el\u00e9trico se fez sentir e muitas pessoas repetiram a dose fazendo com que naquela tarde ficasse dif\u00edcil tomar um caf\u00e9 no Franz da Fnac, pois havia cerca de 200 pessoas e a cerveja predominava. Efeito tamb\u00e9m da nossa participa\u00e7\u00e3o ao vivo na radio rock 91, aonde fizemos uma hora de programa e algumas m\u00fasicas ao vivo, voz e viol\u00e3o. Neste show fomos todos presenteados com retratos a l\u00e1pis feitos pelas irm\u00e3s Maely e Noemy, obrigado pelo carinho! Feito o show, que foi mod\u00e9stia a parte em nome da banda muito bom e ap\u00f3s bate papo, fotos, com toda galera (obrigado pelos sonhos Srta. Lexus!) mais uma do contr\u00e1rio: carga na chuva, uma festa&#8230;<\/p>\n<p>Seguimos para Tubar\u00e3o aonde dois eventos nos aguardavam: workshop e show ac\u00fastico no Rancho Arom\u00e1ticos em S\u00e3o Ludgero, Santa Catarina. No workshop est\u00e1vamos todos presentes e tocamos algumas m\u00fasicas na vers\u00e3o ac\u00fastica, convidando os presentes para o evento em S\u00e3o Ludgero. Ap\u00f3s mais um exemplo de hospitalidade, churrasco e confraterniza\u00e7\u00e3o na fazenda de mini-vacas (mini wacken open air&#8230;) do promotor Marc\u00e3o, que junto com o tamb\u00e9m promotor e batera \u00c9der Medeiros nos proporcionaram uma jam noturna.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Ludgero nos deparamos com uma propriedade voltada ao entretenimento, ou seja, a festa. O rancho (e banda) Arom\u00e1ticos na verdade \u00e9 um local de encontro e confraterniza\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos e propriet\u00e1rios H\u00e9lio \u201cPato\u201d e F\u00e1bio \u201cPainho\u201d que d\u00e3o um show de hospitalidade abrindo a festa semanalmente para a comunidade, com muito galeto e cerveja. A estrutura do local \u00e9 praticamente \u201curbana\u201d e estava lotado. Encontramos at\u00e9 um holand\u00eas perdido na festa. Este foi um dos shows ac\u00fasticos mais pesados, amplificamos os viol\u00f5es com cubos e mandamos ver. Foi uma surpresa muito agrad\u00e1vel ver nossos novos amigos de Crici\u00fama l\u00e1 presentes tamb\u00e9m. Obrigado galera. <\/p>\n<p>Pr\u00f3xima etapa: Rio Grande do Sul para os \u00fanicos show do Hangar at\u00e9 o momento no estado natal da banda, show ac\u00fastico em Porto Alegre e show el\u00e9trico no Hangar 18 em Gravata\u00ed rock city. O ac\u00fastico foi no pequeno mas excelente audit\u00f3rio lotado da Esta\u00e7\u00e3o Musical, dia 29 de abril, aonde pudemos sentir o calor da galera de perto. No dia seguinte, sem respiro, passagem de som e Hangar ao vivo para todo estado no programa Radar, com muito bate papo. Pudemos tocar 5 m\u00fasicas e dividir o programa com o ilustr\u00edssimo sr. Tony da Gatorra&#8230; De volta a Gravata\u00ed na mesma o frio nos colocou de volta ao palco el\u00e9trico do qual j\u00e1 sent\u00edamos falta, e fizemos um show muito bom para uma galera muito especial. Estavam presentes o sr. Fl\u00e1vio Soares do Leviaethan, Francis e Magnus da Scelerata, Sabrina Star e Marcelo Rodrigues da Riffmaker, H\u00e9rcules, Rog\u00e9rio e Strapazon, que aproveitaram pra me botar no palco de novo ap\u00f3s o show do Hangar para uma participa\u00e7\u00e3o rel\u00e2mpago da L\u00e1pide. Enfim foi um show entre amigos e o profissionalismo dos propriet\u00e1rios F\u00e1bio e Priscila foi total.<\/p>\n<p>Hangar e Queensr\u00ffche no Chevrolet Hall de Belo Horizonte, Minas Gerais, dia 10 de maio de 2008. Mais uma data hist\u00f3rica, que ano est\u00e1 sendo este para a na\u00e7\u00e3o Hangariana. A oportunidade de dividir o palco com bandas como Queensr\u00ffche, Dream Theather e Sepultura. O metal sem limites. Nessas horas em que estamos na van prontos para mais uma carga, montagem e passagem de som me dou conta que \u00e9 real, \u00e9 a nossa vida agora. Enquanto sr. Tate e banda passavam o som \u2018at\u00e9 quando quisessem\u2019 (estava escrito assim no cronograma, hehe, nada mais justo) prepar\u00e1vamos nossa invas\u00e3o (consentida, \u00e9 claro, em bom ingl\u00eas pelo tour manager deles ao nosso tour manager, t\u00e9cnico de palco, respons\u00e1vel pela montagem da bateria, roadie e azedador desagrad\u00e1vel Rodrigo \u201cBussano P\u00e1ssaro Maldito\u201d Fantoni). Montamos os 4 biombos do cen\u00e1rio, passamos o som e seguimos a risca o que nos disseram: \u201cfrom this line to the front of the stage you can do whatever you want\u201d. E aproveitamos pra fazer nosso melhor show de abertura at\u00e9 ent\u00e3o, com o cen\u00e1rio completo. BH e o sr. Jo\u00e3o Eduardo da Cogumelo est\u00e3o de parab\u00e9ns, somos muito gratos pelo profissionalismo com que fomos tratados. O que se podia esperar de uma terra que nos deu o in\u00edcio dessa cena nacional que hoje \u00e9 reconhecida mundialmente? O sr. Nando como fan do sr. Tate assistiu o show dos Headliners sem piscar e nos fez um relato muito interessante dos h\u00e1bitos de um grande vocalista em seu habitat natural. Durante as passagens instrumentais mr. Tate se retirava para a lateral do palco e repetia o seguinte ritual: fazia algumas anota\u00e7\u00f5es sobre sua pr\u00f3pria performance (todas aparentemente positivas pois o show estava \u00f3timo), disparava um spray na garganta com uma pequena vocaliza\u00e7\u00e3o e saboreava um ch\u00e1 quente servido por seu acessor pessoal, um sujeito de certa idade (tipo eu, hehe) muito alto e magro com quem troquei algumas depois do show (durante a carrga..) e na final do Wacken em SP. Ele agradeceu a gente pelo nosso show! Para um gringo era um cara muito afetuoso e n\u00e3o escondia o quanto tinha gostado da banda. Inclusive pelo que me consta foi assim que ele chegou para integrar a equipe do Queensr\u00ffche, como um grande fan disposto a trabalhar. E n\u00e3o foi assim que viemos todos parar aqui?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>postado por Fabio Laguna Sauda\u00e7\u00f5es Hangarianas! Devido ao grande n\u00famero de atividades em que estivemos envolvidos nos \u00faltimos 40 dias, o que segue abaixo \u00e9 muito mais do que um di\u00e1rio! Mais ainda do que um seman\u00e1rio! Mais do que um mens\u00e1rio! \u00c9 um QUARENTEN\u00c1RIO!!! Sim, est\u00e1vamos em quarentena no Retiro Metal Hangar! 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