{"id":669,"date":"2010-09-11T21:41:35","date_gmt":"2010-09-11T21:41:35","guid":{"rendered":"http:\/\/hangar.mus.br\/site\/?p=669"},"modified":"2010-09-11T21:41:35","modified_gmt":"2010-09-11T21:41:35","slug":"vinte-e-nove-dias-treze-shows-tres-workshows-e-treze-mil-quilometros-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/vinte-e-nove-dias-treze-shows-tres-workshows-e-treze-mil-quilometros-depois\/","title":{"rendered":"Vinte e nove dias, treze shows, tr\u00eas workshows e treze mil quil\u00f4metros depois&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>postado por Nando Mello<\/p>\n<p>Vinte e nove dias, treze shows, tr\u00eas workshows e treze mil quil\u00f4metros depois&#8230;<\/p>\n<p>Todas as vezes que precisamos fazer um di\u00e1rio sempre temos um pequeno impasse sobre quem ir\u00e1 come\u00e7ar. Desta vez foi diferente. Acho que impulsionado pela minha d\u00e9cima, ou vig\u00e9sima, vez que leio \u201cOn The Road\u201d, de Jack Kerouac, tomei a frente impulsionado pela escrita sem destino dos velhos beatniks, que n\u00e3o poupavam palavras e n\u00e3o se preocupavam com v\u00edrgulas para descrever em uma frase todas as emo\u00e7\u00f5es de viver na estrada a caminho do leste em um carro velho, de cor azul da cor do mar. Longe de ter a pretens\u00e3o de comparar-me a um destes mestres, usei uma linguagem simples para falar de 10 pessoas e 16 toneladas na estrada. Quando sonhamos em ter uma banda ou n\u00e3o fazemos parte de alguma temos a impress\u00e3o de que tudo n\u00e3o passa de subir no palco e tocar, o que \u00e9 um ledo engano porque a verdade \u00e9 absolutamente outra. Sentir na pela a emo\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, das viagens, da estrada, das caracter\u00edsticas de cada pessoa n\u00e3o tem pre\u00e7o e tempo. A lembran\u00e7a e as mem\u00f3rias v\u00e3o muito al\u00e9m de uma simples foto em um site de relacionamento. Elas ficam para sempre na retina de quem as viveu. <\/p>\n<p>Primeiro dia \u2013 Encontro e ensaio em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>A banda se encontrou em S\u00e3o Paulo na segunda feira, dia 02 de agosto. Enquanto eu seguia de Porto Alegre, o Martinez, Humberto e Aquiles j\u00e1 estavam na cidade. O F\u00e1bio chegou ao meio dia e fomos direto para o est\u00fadio Mr. Som, onde em uma tarde ensaiamos algumas m\u00fasicas que ach\u00e1vamos interessante recordarmos. Uma das antigas foi \u201cFalling in Disgrace\u201d do Inside Your Soul, al\u00e9m de alguns covers que relembramos como a \u201cDreams\u201d, do Van Halen e uma m\u00fasica muito especial para mim, chamada \u201cLimelight\u201d, do Rush. Esta m\u00fasica estava na agenda desde 2003. Gostamos demais do Rush e sempre existiu um extremo respeito pelas m\u00fasicas desta banda, o que fazia com que tom\u00e1ssemos cuidado para a escolha de uma homenagem para eles. \u201cLimelight\u201d caiu como uma luva. A noite o Infallibus chegou de Mococa com o nosso motorista o F\u00e1bio \u201cDidi\u201d Concei\u00e7\u00e3o e o nosso novo vendedor de merchandising, o Jefferson, mais conhecido como \u201cPirul\u00e3o\u201d, pela sua altura e uma habilidade de comunica\u00e7\u00e3o \u00edmpar, o que fez a gente duvidar da sua real capacidade de suportar esta viagem&#8230; Estar\u00edamos certos? Contamos todo o nosso merchandising na casa do Aquiles, onde j\u00e1 estava o nosso roadie de bateria Lucas \u201cTank\u00e3o\u201d Medina, que veio direto de Tr\u00eas Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Na mesma noite sa\u00edmos em dire\u00e7\u00e3o a Santa Catarina.<\/p>\n<p>Segundo dia \u2013 Casa do Maliska<\/p>\n<p>Por volta da uma da manh\u00e3 encontramos o restante da equipe, o Daniel \u201cPepe\u201d Fernandes e o nosso novo roadie de cordas e teclas, o B\u00f3ris Pinheiro, que acabou sendo chamado de Cl\u00f3vis, Cas\u00f3i ou qualquer outra coisa que n\u00e3o fosse o nome dele durante toda turn\u00ea. Antes da viagem nos preocupamos em fazer um roteiro. N\u00e3o dava pra confiar na \u201cMalu Magalh\u00e3es\u201d, o GPS que o F\u00e1bio leva sempre, mas que j\u00e1 nos meteu em algumas confus\u00f5es. A expectativa era grande e nos munimos de muitos, mas muitos DVDs mesmo. Acho que um dos primeiros que vimos foi \u201cDe olhos bem fechados (Eyes Wide Shut) de Stanley Kubrick, com Nicole Kidman e Tom Cruise. Uma soturna hist\u00f3ria de amor, trai\u00e7\u00e3o, suspense e uma trilha sonora que fixou na nossa cabe\u00e7a por dias, embora ela tenha somente duas notas. Durante a viagem para o sul encontramos uma enorme massa de ar polar que nos fez congelar. Todos estavam com poucas roupas para o frio, visto que na maior parte do m\u00eas estar\u00edamos no Nordeste. Almo\u00e7amos em um restaurante no interior do Paran\u00e1 um t\u00edpico churrasco ga\u00facho com muita costela sob um frio de 4 graus. O Jefferson Pirul\u00e3o j\u00e1 registrava tudo com a sua c\u00e2mera enquanto falava por todos os cantos sobre a maneira f\u00e1cil que seria trabalhar com o merchandising&#8230; Mal sabia ele da encrenca em que estava se metendo. Por volta das nove da noite chegamos \u00e0 cidade de Capinzal, no interior de Santa Catarina, onde encontramos o nosso querido amigo Felipe Maliska e sua fam\u00edlia que, como sempre, nos recebeu de bra\u00e7os abertos. Viajando o Brasil todo temos a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas que est\u00e3o sempre dispostas a ajudar a banda. Jantamos e depois de alguns momentos de empolga\u00e7\u00e3o fomos dormir sob um frio de um grau positivo, embora a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica fosse de menos dez. Como sempre a banda dormiu na casa e a equipe ou os \u201cbichos\u201d, como eles se autodenominaram no chal\u00e9 a uns 100 metros de dist\u00e2ncia onde com certeza fazia bem mais frio. Ossos do oficio. <\/p>\n<p>Terceiro dia \u2013 Teatro Alfredo Sigwalt<\/p>\n<p>No dia 04 de agosto nos dirigimos \u00e0 cidade de Joa\u00e7aba, onde no maior Teatro da cidade fizemos o primeiro workshow da banda. Al\u00e9m do frio, choveu o dia todo. Fomos a loja patrocinadora do evento, a Calliari Musical, onde fomos recebidos pelo Duda, o grande incentivador deste show. J\u00e1 na chegada ao Teatro, que por sinal \u00e9 lindo, as primeiras dificuldades apareceram. O equipamento teria que subir por uma escada em curva. Esta quest\u00e3o de descarregar o equipamento do \u00f4nibus nos atormentou a viagem toda. \u00c9 dif\u00edcil conseguir pessoas dispostas a descer e subir 4\/5 toneladas de equipamento para a realiza\u00e7\u00e3o de um evento. Por mais que ped\u00edssemos aos contratantes, somente em alguns lugares a situa\u00e7\u00e3o foi confort\u00e1vel. V\u00e1rias vezes a nossa pr\u00f3pria equipe fazia o servi\u00e7o, deixando-os bem mais cansados do que de costume. Tocar em um teatro \u00e9 sempre uma experi\u00eancia diferente do que um palco comum. As pessoas ficam sentadas e at\u00e9 querem participar mais, por\u00e9m s\u00e3o inibidas pelo pr\u00f3prio ambiente diferenciado, o que produz uma sensa\u00e7\u00e3o de glamour ao evento, diferente, por\u00e9m muito legal. Como sempre o Aquiles come\u00e7ou o evento, depois entrei com o baixo. Na seq\u00fc\u00eancia o Martinez e o F\u00e1bio e depois o Humberto completando a banda. Falar em p\u00fablico \u00e9 uma proeza e um dom que nem todos possuem. N\u00e3o est\u00e1vamos muito acostumados a este formato e com exce\u00e7\u00e3o do Aquiles que possui bastante experi\u00eancia com este tipo de evento, o restante da banda meio que deixou a desejar, principalmente nosso amigo Martinez que teve um dos seus pontos altos na sua explana\u00e7\u00e3o sobre o equipamento que usava. Tudo com muito bom humor como sempre. Nada muito grave, mas serviu de experi\u00eancia. Ainda tivemos a presen\u00e7a do programa Espa\u00e7o Livre do nosso amigo Juliano Zampieri, da TV Cidade, para mais uma mat\u00e9ria exclusiva sobre a nossa passagem na cidade. No final atendemos a todos e ainda chovia. <\/p>\n<p>Quarto dia \u2013 Curitiba<\/p>\n<p>Sa\u00edmos de Joa\u00e7aba para Curitiba onde tocamos em uma das maiores lojas da cidade, a ZeroDb. O local para variar era de dif\u00edcil acesso, mas conseguimos estacionar o \u00f4nibus no p\u00e1tio de uma igreja e l\u00e1 ele ficou at\u00e9 o final do evento, ocupando vagas dos fi\u00e9is que chegavam para o culto das 19hs. Curitiba talvez seja a cidade onde mais tocamos nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Nossos amigos de sempre estavam l\u00e1: Lexus, Cris Helen, Dani e Alex; para prestigiar e o evento ocorreu normalmente, mas sempre envolto com v\u00e1rias brincadeiras e muito bom humor. Neste dia tocamos pela primeira vez a m\u00fasica \u201cLimelight\u201d, do Rush.<\/p>\n<p>Quinto dia \u2013 River Rock \u2013 Indaial e a trapalhada do B\u00f3ris<\/p>\n<p>Como moro no Rio Grande do Sul, j\u00e1 tinha ouvido bastante a respeito dos festivais de metal e rock em Santa Catarina mas o que encontramos em Indaial realmente nos chamou muito a aten\u00e7\u00e3o. Sa\u00edmos cedo de Curitiba e ainda antes das dez da manh\u00e3 encontramos o Ad\u00edlson e a Rejane, que s\u00e3o os organizadores do festival. Fomos at\u00e9 o mot\u00f3dromo da cidade e ouvimos a hist\u00f3ria do festival dentro da Kombi estilizada do Ad\u00edlson que representa o verdadeiro esp\u00edrito deste festival com cara de Woodstock do metal catarinense. Ficamos \u00e0 tarde na casa do Ad\u00edlson, onde conheci a sua M\u00e3e, a qual infelizmente n\u00e3o lembro o nome, mas que me divertiu com as suas hist\u00f3rias sobre os 25 anos que trabalhou para o governo no Rio de Janeiro e Bras\u00edlia como diplomata. Um verdadeiro achado hist\u00f3rico dos tempos da ditadura no nosso pa\u00eds. Falar sobre isso hoje \u00e9 t\u00e3o antiquado quanto falar sobre dois s\u00e9culos atr\u00e1s, mas fez parte da nossa hist\u00f3ria recente. Foi uma li\u00e7\u00e3o de vida. Sobre o festival nos contaram que os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos n\u00e3o movem um cent\u00edmetro para o sucesso do mesmo, bem pelo contr\u00e1rio tendem a atrapalhar. Segundo o Ad\u00edlson este seria o \u00faltimo River Rock, o que seria uma l\u00e1stima. N\u00e3o conseguimos entender como a prefeitura de Indaial n\u00e3o se mobiliza para apoiar. \u00c9 uma \u00f3tima vitrine para o Brasil todo e a arrecada\u00e7\u00e3o com turismo e gera\u00e7\u00e3o de receita para os comerciantes locais seria interessante. Coisas do Brasil, certamente. Um dos pol\u00edticos da cidade chegou a dizer que \u201celes n\u00e3o queriam gente deste tipo na cidade\u201d. Fiquei imaginando que tipo de gente ele se referia, meninos e meninas que gostam de preto, metal, rock, que se divertem no auge da vida, m\u00fasicos com anos de estrada, novas e velhas bandas??? T\u00e3o absurda aquela frase soava em nossos ouvidos que tivemos vontade de conhecer o cara e tirar isto a limpo. Quanta hipocrisia e ignor\u00e2ncia reunidas em uma s\u00f3 frase. Esperamos que essa n\u00e3o seja a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do River Rock e at\u00e9 falei para o Ad\u00edlson que voltar\u00edamos para ser a atra\u00e7\u00e3o principal novamente no ano que vem. Vamos ver. O show foi muito bom com o p\u00fablico participando muito, acho que havia umas 1500 pessoas e pudemos perceber o tanto de adeptos que o Hangar conquistou em Santa Catarina. Vamos voltar muitas vezes com certeza. Uma das coisas mais engra\u00e7adas da tour aconteceu aqui. Nosso novo roadie das cordas e teclas, o B\u00f3ris Pinheiro ouviu atentamente as ordens do Aquiles de que n\u00e3o queria ningu\u00e9m no palco na hora do nosso show, visto que em festivais a tend\u00eancia \u00e9 que muitas pessoas entrem no palco e acabem atrapalhando o bom andamento da apresenta\u00e7\u00e3o. L\u00e1 pela terceira ou quarta m\u00fasica o Aquiles e o Humberto come\u00e7aram a procurar o B\u00f3ris porque queriam \u00e1gua e nada dele aparecer. L\u00e1 pela s\u00e9tima, oitava m\u00fasica ele apareceu depois de tanta gritaria. No final do show a explica\u00e7\u00e3o: \u201dU\u00e9, voc\u00eas disseram que n\u00e3o queriam ningu\u00e9m no palco, eu me mandei\u201d&#8230; Santo Deus, cada um que aparece&#8230; Infelizmente tivemos que deixar a \u00e1rea do evento \u00e0s pressas porque t\u00ednhamos um workshow marcado para Congonhas, em Minas Gerais, no dia seguinte. Ter\u00edamos que percorrer mais de mil quil\u00f4metros ininterruptos para chegar a tempo. Todos lamentaram em deixar aquele clima e eu mais ainda por ter me identificado muito com a atmosfera buc\u00f3lica do festival. O River Rock deixou saudades em todos.<\/p>\n<p>Sexto dia \u2013 Pneu que explode e a paci\u00eancia da galera.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos de Indaial \u00e0s duas da manh\u00e3 em dire\u00e7\u00e3o a Minas Gerais, onde t\u00ednhamos um evento marcado para as 19hs30. \u00c0s 3hs30 da manh\u00e3, quando praticamente todos dormiam, ouvimos uma explos\u00e3o. Um dos pneus traseiros havia explodido praticamente levantando o \u00f4nibus no ar. A explos\u00e3o foi t\u00e3o forte que destruiu um dos ventiladores do gerador, no outro lado do \u00f4nibus. Naquela altura na madrugada foi imposs\u00edvel arrumar uma borracharia aberta que pudesse nos dar apoio. Andamos por cerca de 4 horas na velocidade de 40 km\/h at\u00e9 encontrarmos uma borracharia que tinha um pneu usado similar ao danificado. Para chegar a Congonhas em 18 horas de viagem atravessamos Santa Catarina, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro at\u00e9 chegarmos a Minas Gerais. O Didi dirigiu muito r\u00e1pido neste dia e foi a \u00faltima vez que isso aconteceu devido aos riscos e ao consumo de combust\u00edvel do \u00f4nibus. Depois de todo este atraso chegamos a Congonhas \u00e0s 22h30min. O p\u00fablico j\u00e1 estava o esperando por tr\u00eas horas. Montamos o equipamento em tempo recorde e \u00e0 meia noite iniciamos o workshow, que se estendeu at\u00e9 as duas da manh\u00e3. Mesmo com todo o atraso as pessoas esperaram e tiveram a programa\u00e7\u00e3o completa, que era o m\u00ednimo que poder\u00edamos ter feito. Com tudo atrasado a janta aconteceu l\u00e1 pelas 3 da manh\u00e3. Foi um dia e noite de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e9timo dia \u2013 Descansar que nada, BH nos espera<\/p>\n<p>Nosso show em Belo Horizonte foi marcado para o Hard Rock Cafe, um excelente local para nossa volta \u00e0 capital mineira. Ficamos admirando os quadros do lugar, muito material de bandas como Kiss, Guns\u00b4n\u00b4Roses, Motley Crue e v\u00e1rias outras. A casa abria para o almo\u00e7o ao meio dia, ent\u00e3o tivemos que montar e passar som ainda pela manh\u00e3. Aqui tive um momento de muita sorte&#8230; Caminhando pelo p\u00e1tio do local encontrei enrolado em um dos cantos de um vaso de flores a quantia de R$ 200,00 em notas de 50,00. Nunca havia encontrado dinheiro na minha vida toda e agora tive este momento. Com certeza algu\u00e9m na noite anterior havia tomado \u201ctodas\u201d e deixou cair o dinheiro no recinto. Fiquei esperando que fosse algu\u00e9m da nossa equipe, mas perguntei a todos e nada, n\u00e3o tinha dono. N\u00e3o havia ningu\u00e9m no local, n\u00e3o houve reclama\u00e7\u00f5es durante o dia todo e acabei ficando com a quantia, fazer o qu\u00ea? Devolver para quem? Encontramos nosso anfitri\u00e3o, o Jo\u00e3o da Cogumelo Records, que completava 30 anos nesta data e a quem agradecemos o convite por fazer parte desta festa t\u00e3o importante. Ap\u00f3s a passagem de som fomos para o hotel descansar. Na recep\u00e7\u00e3o uma pequena confus\u00e3o devido a um dep\u00f3sito adiantado das di\u00e1rias. Voltamos ao Hard Rock \u00e0s 19hs para o show. Encontramos a casa lotada e a recep\u00e7\u00e3o calorosa das pessoas com as camisetas do Hangar acompanhando as letras das m\u00fasicas novas e antigas. Ficamos at\u00e9 tarde conversando com todos os f\u00e3s, inclusive com a Jackie e sua tatuagem de \u201cH\u201d no pulso. Um grande show em um grande lugar para um grande p\u00fablico. Obrigado Minas Gerais.<\/p>\n<p>Oitavo, nono e d\u00e9cimo dias \u2013 Para chegar ao Nordeste<\/p>\n<p>Sa\u00edmos de BH na segunda feira, dia 9 de agosto, \u00e0s 9h da manha. Nosso planejamento de viagem inclu\u00eda a ida at\u00e9 S\u00e3o Lu\u00eds no Maranh\u00e3o em tr\u00eas dias. No primeiro dia seguimos pelo interior de Minas Gerais atravessando o que eu acredito que seja um tipo de sert\u00e3o mineiro. O ar \u00e9 muito seco e estranhamos com a garganta seca e irrita\u00e7\u00e3o no nariz. Passamos por Bras\u00edlia no final da tarde e chegamos a Goi\u00e1s no final da noite, onde paramos em um posto de combust\u00edvel para descansar. Por volta das 6 da manh\u00e3 o Didi acordou e seguimos viagem ap\u00f3s o caf\u00e9 da manh\u00e3. Sabe aquelas coincid\u00eancias do destino? \u00c0s vezes elas acontecem&#8230; Tenho um casal de tios que se aposentaram h\u00e1 certo tempo. Meu tio, depois de 35 anos de servi\u00e7os prestados e j\u00e1 aposentado, resolveu aceitar uma proposta de uma empresa ga\u00facha com filial no estado de Tocantins. Eles mudaram para l\u00e1 h\u00e1 cerca de dois anos. Assim pude planejar uma visita a casa deles em Para\u00edso do Tocantins. Coisas estranhas e ir\u00f4nicas&#8230; Depois de passar a vida toda morando a cerca de cinco quil\u00f4metros da casa dos meus tios, fui reencontr\u00e1-los a 2.500 quil\u00f4metros de distancia. Chegamos a Para\u00edso do Tocantins as onze da manh\u00e3 e o \u201cTio\u201d Telmo e a \u201cTia\u201d Dalva j\u00e1 estavam nos esperando com um almo\u00e7o, ou melhor, um churrasco! Passamos uma tarde agrad\u00e1vel na casa deles onde todos puderam descansar um pouco, inclusive tomar banho e lavar as roupas sujas de nove dias de vagem. A exce\u00e7\u00e3o foi a recontagem de todo o merchandising, visto que o Jefferson \u201cPirul\u00e3o\u201d havia perdido as contas de algumas pe\u00e7as, o que fez com que o Aquiles ficasse muito bravo com o acontecido. Uma daquelas merdas que podem colocar em risco um momento que era para ter sido mais divertido, principalmente para mim. Acho que precisamos aprender a n\u00e3o sermos t\u00e3o honestos consigo mesmo. Existe hora e momento para certas cenas e palavras, mas, como sempre, eu respeito a integridade de cada um que est\u00e1 na gig, seja integrante da banda ou equipe. Nossos anfitri\u00f5es curtiram a passagem da banda pelos confins de Tocantins e me presentearam com a not\u00edcia de que est\u00e3o voltando para o Rio Grande do Sul no final deste ano. Que bom, a fam\u00edlia est\u00e1 com saudades. Sa\u00edmos de Para\u00edso \u00e0s 22hs e seguimos viagem madrugada adentro at\u00e9 a divisa do Maranh\u00e3o onde dormimos. Por indica\u00e7\u00e3o de pessoas na estrada resolvemos n\u00e3o cruzar a divisa do Tocantins com o Maranh\u00e3o porque a estrada corta uma reserva ind\u00edgena e \u00e9 muito perigoso transitar por l\u00e1 durante a noite. \u00c0s seis da manh\u00e3 seguimos viagem. Passamos o dia atravessando o estado Maranh\u00e3o e no inicio da noite de quarta feira, dia 11, chegamos a S\u00e3o Lu\u00eds. Encontramos nosso amigo Nyelson na entrada da cidade e fomos direto ao hotel. Para variar o local n\u00e3o era apropriado e n\u00e3o havia estacionamento para o \u00f4nibus. Tivemos que procurar outro lugar e acabamos achando um hotel pr\u00f3ximo \u00e0 praia, pr\u00f3ximo de onde ficamos em 2003. Cheguei a tempo de ver o Inter virar o jogo na partida de ida da final da Libertadores da Am\u00e9rica e comemorei muito a vit\u00f3ria sobre o Chivas por 2&#215;1 no M\u00e9xico. Fomos jantar na companhia de nossos grandes amigos Nyelson, Nynrod e de Dynamark, mais conhecido como \u201cRibamar\u201d, e depois nos recolhemos para descansar, eu mais feliz com a vit\u00f3ria do meu time&#8230;<\/p>\n<p>D\u00e9cimo primeiro dia \u2013 Quinta feira \u00e9 dia de metal?<\/p>\n<p>O show de S\u00e3o Lu\u00eds, produzido pela Vibe (Nyelson,Nynrod e Dynamark), somente aconteceu porque eles aceitaram a noite de quinta-feira para realizar o evento. Geralmente, e por raz\u00f5es \u00f3bvias, todos contratantes preferem as sextas ou os s\u00e1bados, mas por quest\u00f5es de log\u00edstica seria imposs\u00edvel estar em S\u00e3o Lu\u00eds na sexta e s\u00e1bado em Fortaleza. Eles entenderam isso e passaram a trabalhar, e bem, a noite de quinta para o show do Hangar. Pela parte da manh\u00e3 estivemos na retransmissora do SBT na cidade para participar de um programa ao vivo onde tocamos \u201cSolitary Mind\u201d. O show foi no Circo da Cidade, que \u00e9 realmente uma lona em formato de circo, um espa\u00e7o cultural da Prefeitura de S\u00e3o Lu\u00eds. A energia el\u00e9trica do local deixava a desejar, causando um pequeno grande transtorno, principalmente quando o nosso engenheiro de som Daniel levou um choque quando colocou a m\u00e3o na parte de tr\u00e1s da mesa e caiu sentado, atordoado com o choque. O show chegou a correr algum risco, mas felizmente o circo tinha um eletricista que resolveu o problema. Entramos no palco as 23hs30 e mandamos o show para cerca de 400 pessoas. Muitas camisetas e m\u00fasicas cantadas pela galera nos alegraram muito. Nossa primeira etapa no Nordeste com o Infallible foi surpreendente, com um p\u00fablico expressivo e muitos f\u00e3s. Voltamos ao hotel depois de atender a todos no merchandising e com o sentimento de que o restante das datas no Nordeste seria um sucesso. Parab\u00e9ns ao Nyelson e ao Dynamark (Ribamar), que souberam trabalhar muito bem o evento na quinta feira.<\/p>\n<p>D\u00e9cimo segundo dia \u2013 Teresina e o calor<\/p>\n<p>Sa\u00edmos do hotel em S\u00e3o Lu\u00eds por volta das oito da manh\u00e3 e seguimos viagem para Teresina, atravessando o estado com um calor de quase 40 graus. A paisagem j\u00e1 era de sert\u00e3o mesmo e as paradas pelos pequenos vilarejos s\u00e3o uma aventura gastron\u00f4mica. Chegamos a Teresina por volta das duas da tarde e a equipe ficou na casa de shows montando o equipamento enquanto \u00edamos almo\u00e7ar e depois para o hotel. L\u00e1 Conhecemos o Marcelo que seria o respons\u00e1vel por este show e pelo de Fortaleza. O \u201cBueiro do Rock\u201d em Teresina \u00e9 um lugar perfeito para a realiza\u00e7\u00e3o de shows, pois conta com uma estrutura bacana, at\u00e9 mesmo para a hospedagem das bandas. Nesse dia a prefeitura estava promovendo um evento gratuito de rock no centro da cidade. Assim, o p\u00fablico foi um pouco menor do que a primeira vez que estivemos na cidade, em 2003. Mas o show foi animado e a galera ficou at\u00e9 o final para as fotos e o bate papo com todos. Em Teresina encontramos nosso grande amigo e f\u00e3 Jesus que nos acompanhou pela a madrugada, lembrando de nossa primeira passagem por Teresina em 2003. Ficamos at\u00e9 altas horas lembrando as nossas aventuras em Teresina h\u00e1 sete anos.<\/p>\n<p>D\u00e9cimo terceiro, quarto, quinto e sexto dias \u2013 Cear\u00e1 in Rock, Workshop e a casa da Michely.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos de Teresina na madrugada rumo a Fortaleza. No caminho, a Trans Piau\u00ed, uma estrada de 500 quil\u00f4metros em p\u00e9ssimo estado de conserva\u00e7\u00e3o, atravessando o sert\u00e3o cearense sob um calor de 40 graus \u00e0 sombra. Pequenos vilarejos com casas de barro e rios e riachos sob pontes totalmente secos nos levaram a uma realidade dura que provavelmente t\u00ednhamos visto somente pela televis\u00e3o. Realmente a divis\u00e3o de renda no nosso pa\u00eds \u00e9 um problema. O velho estigma do coronelismo \u00e9 vis\u00edvel nesta regi\u00e3o do pa\u00eds. O Cear\u00e1 tem um significado especial para n\u00f3s por ser o estado onde mora uma das nossas maiores colaboradoras e amigas, a Michely Sobral, uma das pessoas que mais ajudou o Hangar e o Aquiles em especial por sua aten\u00e7\u00e3o a tudo que fazemos no decorrer destes \u00faltimos anos. Ela sempre nos cobrou uma passagem por Fortaleza e nunca t\u00ednhamos conseguido fechar uma data, n\u00e3o por falta de interesse nosso, mas log\u00edstica mesmo. O Cear\u00e1 in Rock, organizado pelo Marcelo da empresa In Cartaz, est\u00e1 em sua terceira edi\u00e7\u00e3o e contou, al\u00e9m do Hangar, com Paul Di\u00b4Anno e mais quatro bandas locais. Chegamos cedo \u00e0 praia do Futuro onde o evento seria realizado. Descarregamos o equipamento e o Lucas come\u00e7ou a montar a bateria. Todos sabem que implantamos um modelo in\u00e9dito de produ\u00e7\u00e3o na cena metal, j\u00e1 que carregamos nosso equipamento Brasil afora em um \u00f4nibus pr\u00f3prio. O esfor\u00e7o para colocarmos isto em pr\u00e1tica \u00e9 incalcul\u00e1vel no nosso ponto de vista. E a raz\u00e3o disso tudo \u00e9 levar um som impec\u00e1vel para as pessoas que comparecem a um show do Hangar, al\u00e9m de promover o nome da banda. Isto \u00e9 regra e n\u00e3o h\u00e1 exce\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o importa quem esteja dividindo o palco conosco. Sendo assim fazemos valer o que pensamos, o que resume tomar parte do palco para que tudo funcione bem. Isto parece que n\u00e3o agradou a outra banda principal do festival que, por conforto ou necessidade, tocaria com equipamento local, ou seja, o que tivesse dispon\u00edvel no evento. Houve um pequeno embate entre a nossa equipe e a outra equipe, mas fincamos o p\u00e9 e levamos tudo o que os f\u00e3s teriam direito. L\u00f3gico que sempre tem retalia\u00e7\u00e3o e meu equipamento de baixo foi danificado e n\u00e3o tivemos tempo de consert\u00e1-lo. Como conseq\u00fc\u00eancia o camarim que deveria ser dividido entre as duas bandas foi deixado para tr\u00e1s para que n\u00e3o houvesse mais problemas, j\u00e1 que o famoso cantor ingl\u00eas bufava de raiva l\u00e1 dentro. Depois tudo se acalmou. Fomos para o hotel descansar e voltamos somente na hora do show, as quatro da manha. Isto mesmo: come\u00e7amos a tocar as 4hs30 da manh\u00e3 e o p\u00fablico estava l\u00e1 esperando. Foi emocionante ver tantas camisetas do Hangar em Fortaleza. Fim de festa sempre \u00e9 um problema. J\u00e1 rolavam mais de 9 horas de festival e os \u00e2nimos estavam acirrados. Uma pessoa tentou subir no palco e a seguran\u00e7a o retirou, ou melhor, empurrou de uma altura de cerca de 2 metros. O cara machucou a perna , xingou, jogou cerveja no teclado do F\u00e1bio e tivemos que parar o show. Pela primeira vez em 13 anos isso aconteceu, uma pena, mas no final do show o rapaz estava l\u00e1 e todos n\u00f3s comemoramos juntos mais uma noite de metal. S\u00f3 um susto. Fortaleza infelizmente ficou marcada como a primeira cidade onde tivemos um \u201cincidente\u201d, mas isso faz parte dos \u201cshows de rock\u201d. Fomos novamente para o hotel descansar enquanto a equipe desmontava tudo. J\u00e1 eram nove da manha. As 10hs30, a equipe toda virada, sem dormir, seguiu para o centro de Fortaleza onde a noite o Aquiles faria um workshop de bateria para o Instituto Bateras Beat da cidade. As 14hs o Edu do Bateras Beat foi nos buscar no hotel para almo\u00e7ar. Nesse \u00ednterim, o Aquiles descobriu que todos os playbacks que ele utiliza para fazer um workshop haviam sumido do seu IPod. Assim ele convidou a banda toda para acompanh\u00e1-lo nesse evento, caso contr\u00e1rio, o workshop contaria apenas com a bateria e o metr\u00f4nomo. Chegamos por volta das 16hs no local do evento para passar o som. Encontramos novamente a Michely e sua irm\u00e3 a Tayana. O workshop foi um sucesso, a banda toda tocou e o p\u00fablico compareceu em massa. O casal Edu e Cl\u00e1udia, do Bateras Beat de Fortaleza, nos receberam muito bem. Sucesso a eles. T\u00ednhamos at\u00e9 quarta pela manh\u00e3 para ficar em Fortaleza. Conseguimos um hotel\/pousada pr\u00f3ximo ao Drag\u00e3o do Mar, que \u00e9 um complexo tur\u00edstico cultural na praia de Iracema. Pr\u00f3ximo tamb\u00e9m fica o Mercado onde em 4 andares encontramos todo o tipo de recorda\u00e7\u00e3o e artesanato cearense. Um lugar para se perder e para gastar. Precisei me controlar para n\u00e3o acabar com a grana. Era a segunda vez que ia at\u00e9 o local, a primeira foi em 2003. \u00c0 noite fomos jantar na casa da Michely, ou melhor, em uma pizzaria perto da sua casa. Na ter\u00e7a, dia de folga para a maioria da banda, o Aquiles o Humberto e eu fomos at\u00e9 uma loja chamada Planet, na Galeria do Rock, no centro de Fortaleza. \u00c0 noite encontramos novamente a Michely para a despedida final com uma janta no Drag\u00e3o do Mar. Ficamos jogando conversa fora at\u00e9 umas 10 horas da noite. O Humberto e o Didi sa\u00edram para procurar um estacionamento para o Infallibus e voltaram tarde, mas tudo correu da maneira prevista.<\/p>\n<p>D\u00e9cimo s\u00e9timo dia \u2013 Natal a\u00ed vamos n\u00f3s e o futebol que n\u00e3o chega.<\/p>\n<p>Aquele era um dia especial, pois haveria a final da Ta\u00e7a Libertadores da Am\u00e9rica e o meu time, o Inter precisava somente de um empate para ser campe\u00e3o. Falei a todos que gostaria muito de chegar a tempo de assistir o jogo em Natal. A previs\u00e3o de sa\u00edda de Fortaleza era para meio dia, mas devido a v\u00e1rios atrasos acabamos saindo mesmo por volta das tr\u00eas da tarde. A estrada ia passando e n\u00e3o cheg\u00e1vamos nunca a Natal. A hora do jogo se aproximava e nada de chegar. O F\u00e1bio \u201cDidi\u201d nosso motora tem uma pequena televis\u00e3o que me salvou. Embora o chuvisco da imagem atrapalhasse, pude assistir uma parte do jogo que estava 1&#215;1 at\u00e9 o momento. Chegamos a Natal e fomos recebidos pelo Delano e pelo Glenn que nos levaram at\u00e9 uma pousada na praia de Ponta Negra. Finalmente encontrei uma televis\u00e3o com imagem legal e pude ver a vit\u00f3ria de 3&#215;2 e a festa final do t\u00edtulo. Na manh\u00e3 seguinte eu j\u00e1 estava com a camisa do Inter, o que irritou alguns integrantes que n\u00e3o sabem o significado que isto tem para mim. Comemorei muito e fui dormir bem tarde conferindo todos os detalhes da festa enquanto recebia e fazia liga\u00e7\u00f5es para os amigos colorados que comemoravam em Porto Alegre.<\/p>\n<p>D\u00e9cimo oitavo dia \u2013 Workshop do Aquiles em Ponta Negra e o grande erro do \u201cPirul\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea est\u00e1 em um lugar como a praia Ponta Negra em Natal \u00e9 dif\u00edcil concentrar-se no trabalho. Sempre que temos pessoas novas na equipe existe a preocupa\u00e7\u00e3o de tentar coloc\u00e1-la dentro do nosso ambiente de trabalho, mas tamb\u00e9m h\u00e1 toda uma preocupa\u00e7\u00e3o para que ela enlouque\u00e7a rapidamente e pe\u00e7a pra sair, ou seja, um tremendo esfor\u00e7o f\u00edsico e psicol\u00f3gico que o cara tem que se submeter para entender como o Hangar trabalha. Aqui sentimos a primeira reca\u00edda do Jefferson, nosso vendedor de merchandising, que chegou dizendo que ia dar conta do recado e do trabalho. Com o evento marcado para as 19h30 chegamos \u00e0s 18h para passar o som e arrumar os \u00faltimos detalhes. Nada do Jefferson chegar para montar a \u201cloja\u201d. L\u00e1 pelas 19h ele chegou e \u00e0s pressas come\u00e7ou a abrir os cases de merchandising, com todas as desculpas previstas. O Jefferson \u00e9 um cara inteligente, mas em um grupo onde temos muito mais experi\u00eancia ficou dif\u00edcil pra ele segurar a onda. Ele carregava uma m\u00e1quina digital o tempo todo registrando os seus momentos e quando a m\u00e1quina chegava ao limite ele me pedia para descarregar as fotos no meu notebook. L\u00f3gico que eu sempre olhava as fotos e conferia os seus passos dia a dia. Quando ele falava onde estava e geralmente tentava me enrolar eu sempre dizia que sabia onde ele havia estado em tal dia. L\u00f3gico eu tinha as imagens de todo o roteiro dele. Ele custou a perceber isto e eu me diverti muito pegando no p\u00e9 dele, mas de leve porque quem batia de frente mesmo era o Aquiles. O workshop foi realizado em um rock bar bem localizado, perto da praia e sem d\u00favida foi um sucesso. Tive a oportunidade de participar tocando algumas m\u00fasicas do Hangar e por \u00faltimo realizar um dos meus antigos desejos de tocar uma m\u00fasica do Rush. Sim estamos tocando Limelight, um cl\u00e1ssico desta banda canadense. Em Curitiba a banda toda tocou, mas em Natal usamos os playbacks da voz do Geddy Lee e da guitarra do Alex Lifeson nos acompanhando. Foi uma satisfa\u00e7\u00e3o e uma realiza\u00e7\u00e3o. Atendemos a todos os presentes como sempre fazemos e fomos dormir j\u00e1 bem tarde ouvindo o som do mar na praia de Ponta Negra. Sensacional.<\/p>\n<p>D\u00e9cimo nono dia \u2013 Galp\u00e3o 29 em Natal<\/p>\n<p>O Galp\u00e3o 29 fica em uma \u00e1rea antiga do centro de Natal. Para chegar l\u00e1 passamos pelo litoral da cidade em uma via expressa cheia de hot\u00e9is e pr\u00e9dios com apartamentos avaliados em mais de milh\u00e3o de d\u00f3lares. Natal \u00e9 uma cidade que me impressiona no Nordeste. N\u00e3o \u00e9 enorme como Fortaleza, Recife e Salvador, ela tem a medida certa. Dois anos depois voltamos e como em 2008 tivemos a casa cheia. Reencontramos velhos e novos amigos como o Aeson. Galera cantando as m\u00fasicas junto e tudo mais. Um show bem legal em que a supera\u00e7\u00e3o contou mais do que nunca devido ao cansa\u00e7o que j\u00e1 come\u00e7ava a pesar tanto na banda quanto na equipe. Tive um pequeno stress com a banda de abertura, pois os caras tocaram duas m\u00fasicas a mais do que o previsto e t\u00ednhamos um hor\u00e1rio determinado para terminar o show devido a viagem para Caruaru no outro dia. O Delano, nosso amigo de longa data, nos ajudou muito e temos muito a agradecer a ele e ao Glenn.<\/p>\n<p>Vig\u00e9simo dia \u2013 Caruaru e a Ayanne, David, Hugo e J\u00faniors.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos cedo de Natal e, via BR101, passamos por Recife at\u00e9 chegar a Caruaru. Eram 13hs da tarde e alguns f\u00e3s j\u00e1 nos esperavam na frente da loja Nova Music, onde fomos recebidos pelo J\u00fanior Eug\u00eanio, J\u00fanior S\u00e1 e Hugo Mello, nossos anfitri\u00f5es. Para variar uma coisa estranha aconteceu: choveu forte em Caruaru neste momento. A Ayanne estava l\u00e1 e nos presenteou com um pacote de balas e guloseimas feitas em Caruaru. Momento de ganhar algumas calorias&#8230; Reencontramos velhos amigos como o David Sebastian e o Deninho que tem uma participa\u00e7\u00e3o emocionada no nosso DVD Last Time. Caruaru faz arte da hist\u00f3ria do Hangar e sempre temos muito carinho por todos na cidade. O show foi no estacionamento da loja. A ova Music \u00e9 muito legal, com produtos de primeira linha. A tarde andei do hotel at\u00e9 o shopping da cidade, passei pelo est\u00e1dio do Central em meio a uma brisa e chuva fina, ou seja, era inverno em Caruaru, uma cidade muito agrad\u00e1vel. Quando chegou a noite o lugar estava completamente lotado e uma chuva bem fina caia deixando o clima bem ameno. O show foi animal, com todas as m\u00fasicas que a galera pediu e direito a bis com v\u00e1rias m\u00fasicas. Sem d\u00favida o show mais longo desta turn\u00ea com cerca de 2hs15min. No final, como sempre, atendemos a todos. Caruaru tem um lugar especial no cora\u00e7\u00e3o e na hist\u00f3ria da banda. Voltaremos sempre se poss\u00edvel. No final da noite ainda assinamos um painel dentro da loja e fomos lanchar com J\u00fanior S\u00e1, Eug\u00eanio e Hugo Mello. <\/p>\n<p>Vig\u00e9simo primeiro dia \u2013 Recife do Jo\u00e3o Marinho e da Joanna Litiel.<\/p>\n<p>Caruaru \u00e9 pr\u00f3xima a Recife, ent\u00e3o sa\u00edmos um pouco mais tarde do hotel. Chegamos a Recife, ber\u00e7o do Humberto, ap\u00f3s o meio dia. Deixamos o pessoal montando o equipamento e fomos para o hotel. Logo em seguida chegou o nosso padrinho Jo\u00e3o Marinho. Com pouca divulga\u00e7\u00e3o pensamos que o show seria meio devagar, mas Recife foi a primeira cidade do Nordeste que nos apoiou, em 2003, ent\u00e3o o que vimos foi um p\u00fablico muito fiel. Encontramos a Joanna Littiel na parte da tarde. Ela nos acompanhou durante toda a estada em Recife, sempre alegre com nosso Internacional, Campe\u00e3o da Libertadores e as suas viagens ao Rio Grande do Sul para visitar o noivo em Ivoti. Ela praticamente virou uma ga\u00facha que fala com sotaque \u201cpernambuqu\u00eas\u201d. Mais uma vez Recife nos recebeu de bra\u00e7os abertos, show inesquec\u00edvel. Reencontrei o J\u00fanior Patr\u00edcio, antigo f\u00e3 da banda, e para comemora\u00e7\u00e3o geral da galera nosso amigo Josco chegou para entrevistar a banda e tirar v\u00e1rias fotos. Josco \u00e9 um amigo querido e seu nome acabou virando sin\u00f4nimo de \u201cjocosidades\u201d por parte da banda depois que Humberto assinou embaixo uma noticia veiculada no site do nosso amigo. Assim, qualquer brincadeira vinda de Humberto acabava virando: \u201cisso \u00e9 coisa de Josco\u201d, referindo-se ao seu site. Uma brincadeira saud\u00e1vel que nos divertiu muito nos \u00faltimos meses. Espero que o verdadeiro Josco tenha entendido, que n\u00e3o tem nada a ver com a pessoa dele, sensacional. Coisas insanas que somente os Hangarianos entendem.<\/p>\n<p>Vig\u00e9simo segundo dia \u2013 O roubo do celular e a correia do \u00f4nibus<\/p>\n<p>Programamos a nossa volta a S\u00e3o Paulo em tr\u00eas dias de viagem com cerca de 900 quil\u00f4metros por dia. Na sa\u00edda do hotel em Recife fechei a porta do quarto e fui at\u00e9 a recep\u00e7\u00e3o para fazer o check out. Tr\u00eas ou quatro minutos depois coloquei a m\u00e3o no bolso e n\u00e3o achei o meu celular. Pedi a chave de volta e subi at\u00e9 o quarto, mas n\u00e3o achei o mesmo. Voltei \u00e0 recep\u00e7\u00e3o e pedi para ligarem para o meu n\u00famero. O mesmo estava desligado e eu nunca deixo o celular desligado. Ai bateu o desespero, em cinco minutos eu havia perdido o meu celular que para mim \u00e9 como um talism\u00e3. Vindo de empresas onde a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a parte mais importante do esquema trabalho, acostumei a ter o celular como uma extens\u00e3o do trabalho, da fam\u00edlia e da vida. Perd\u00ea-lo era como estar \u201c\u00f3rf\u00e3o\u201d de todas estas coisas. Al\u00e9m disso, grande parte da agenda de trabalho do Hangar estava l\u00e1. Todos j\u00e1 estavam no \u00f4nibus e comigo apenas o Humberto e o F\u00e1bio Didi. Subi at\u00e9 o sexto andar para olhar as imagens do corredor onde eu estava. Vi um estagi\u00e1rio abrir a porta do quarto e um minuto depois um mensageiro. Eu dei duas op\u00e7\u00f5es para o seguran\u00e7a do hotel, ou chamar a policia ou eu iria chamar os \u201cbichos\u201d todos de dentro do \u00f4nibus e ir\u00edamos quebrar tudo. Como sempre fui um cara ponderado disse a ele para chamar a policia. O problema \u00e9 que eles iriam somente \u00e0 tarde at\u00e9 o hotel. Resolvi ir embora com a promessa de que iriam, no m\u00ednimo, me indenizar pela perda. Eu j\u00e1 estava bastante cansado da viagem e ainda aconteceu isto. Foi foda, n\u00e3o conseguia pensar em outra coisa. O que um cara iria querer com um celular inutiliz\u00e1vel. Liguei para a operadora e bloqueei o chip e o celular, ou seja n\u00e3o serviria para nada, nem para vender. Seguimos viagem at\u00e9 a sa\u00edda de Recife onde paramos para comprar uma correia do alternador do Infallibus. O Didi e o Humberto levaram quase 2 horas para troc\u00e1-la. Come\u00e7amos a atrasar a nossa viagem. Saindo de Recife ficamos mais 2horas na estrada por conta de uma interrup\u00e7\u00e3o na BR101 devido \u00e0s chuvas dos dias anteriores. Chegamos a noite a cerca de 150 quil\u00f4metros de distancia de Aracaju e paramos em um posto de combust\u00edvel onde os caminhoneiros costumam dormir e se divertir com \u201cdamas da noite\u201d baratas e com corpos um tanto que question\u00e1veis. Nenhum pr\u00e9-conceito, apenas a constata\u00e7\u00e3o da realidade brasileira. Estrada e suas verdades. Dormimos ali dentro do bus mesmo, alguns preferiram virar a noite aliviando a tens\u00e3o batendo papo e tomando cerveja no restaurante em anexo. Outros aproveitaram para fazer atividades f\u00edsicas, tomar banho ou levar as roupas sujas na lavanderia. Ou seja, chega uma hora que naturalmente a estrada acaba virando a nossa casa mesmo.<\/p>\n<p>Vig\u00e9simo terceiro e quarto dias \u2013 Viagem que n\u00e3o acaba nunca.<\/p>\n<p>Viajar no nosso \u00f4nibus \u00e9 muito bom. Confort\u00e1vel, com ar condicionado e DVD. Mas depois de vinte dias de conviv\u00eancia a coisa fica quase insuport\u00e1vel. Por este motivo eu entendia os arroubos do Aquiles de dois em dois dias parando tudo e aos gritos fazendo a limpeza do bus\u00e3o. \u00c9 o que chamo de \u201csa\u00edda da in\u00e9rcia\u201d, quando tudo est\u00e1 sob controle, levanta-se o \u00e2nimo e acorda-se para a realidade. Palavras de ordem, xingamentos, busca isso, busca aquilo&#8230; Era tudo que precis\u00e1vamos para o momento, voltar a realidade. O que nos restava ao longo de dois dias e mais de 2100 quil\u00f4metros seria ver a paisagem passando e o m\u00e1ximo de v\u00eddeos poss\u00edveis. J\u00e1 est\u00e1vamos no final de nossa videoteca e o que nos restou foi assistir a duas ou tr\u00eas temporadas da s\u00e9rie Prison Break. Os caras que acabam sempre fugindo de uma pris\u00e3o, seja ela na Am\u00e9rica ou no Panam\u00e1 ou em qualquer lugar do mundo&#8230;. Foi foda. Atravessar a Bahia e Minas Gerais por belas paisagens as margens da Chapada Diamantina com planaltos rodeados de montanhas. Passamos por Feira de Santana, Jequi\u00e9, Vit\u00f3ria da Conquista, Te\u00f3filo Otoni, Governador Valadares e Ipatinga. Em Te\u00f3filo Otoni descobrimos um vazamento de combust\u00edvel no motor. Pouca coisa e por sorte consertamos na hora. Uma cidade a cada 300 quil\u00f4metros torna a viagem mon\u00f3tona para quem j\u00e1 est\u00e1 cansado. Era a terceira vez que faz\u00edamos este trajeto: 2007, 2008 e agora 2010. E como em 2008, o F\u00e1bio desceu do \u00f4nibus no posto Graal em Perd\u00f5es, na Rodovia Fern\u00e3o Dias, virou a madrugada pelas rodovi\u00e1rias de Minas Gerais, somente pelo intuito de conseguir passar um dia em casa, antes de encontrar com a gente em Sorocaba dois dias depois&#8230; Chegamos \u00e0 capital da garoa a meia noite de quarta feira e fomos alguns para a casa do Aquiles e tr\u00eas para um hotel, que havia sido um motel anteriormente. A cama redonda j\u00e1 entregava tudo, mas o cansa\u00e7o foi tanto que o Didi e o Tank\u00e3o nem se importaram de dormir lado a lado. <\/p>\n<p>Vig\u00e9simo quinto dia \u2013 Lan\u00e7amento do DVD do Aquiles no EMT<\/p>\n<p>\u00c0s dez horas do dia 27 de agosto sa\u00edmos com o Infallibus em dire\u00e7\u00e3o ao EMT, em S\u00e3o Paulo. O evento seria o lan\u00e7amento do DVD do Aquiles \u201cThe Infallible Reason of my Freak Drumming\u201d, vai ser nome dif\u00edcil l\u00e1 n\u00e3o sei aonde. \u201cEnfim\u201d um evento apoiado pelo EMT, maior escola musical da Am\u00e9rica do Sul, al\u00e9m da Musical Express e marcas Evans, Gibraltar e Pro Mark. Logo na chegada fui informado que os 250 lugares j\u00e1 estavam esgotados e que mais de 100 pessoas ficariam de fora do evento. Sucesso total. Descemos todo o equipo do \u00f4nibus e subimos at\u00e9 o \u00faltimo andar do pr\u00e9dio, no audit\u00f3rio. Caramba, n\u00e3o foi f\u00e1cil n\u00e3o. Enquanto mont\u00e1vamos o equipamento, o Humberto, o Martinez e o Didi levaram o Infallibus at\u00e9 Itaquaquecetuba para arrumar dois maleiros com troca das borrachas. Eu fui convidado a participar e fiquei muito lisonjeado mais uma vez. Na minha parte, como fa\u00e7o de costume, falo do meu equipamento, mas desta vez foi diferente. Falei da satisfa\u00e7\u00e3o de tocarmos com aquele cara que um dia foi simplesmente um \u201cbatedor de bumbo\u201d e agora \u00e9 um artista completo, compositor, produtor e m\u00fasico de renome. Antes o que era um desafio agora \u00e9 um privil\u00e9gio, trabalhar com Aquiles Priester, assim como todos os outros integrantes da banda. Acho que o cansa\u00e7o age sobre o emocional das pessoas e escolhi algumas palavras certas. Depois do evento duas pessoas me falaram que se emocionaram com o meu semi-discurso. Se por um lado o pessoal da banda deve ter pensado: \u201cMello, seu grande canastr\u00e3o\u201d, por outro posso dizer que muitas vezes falo com o cora\u00e7\u00e3o mesmo e n\u00e3o com a raz\u00e3o. Para terminar tocamos \u201cLimelight\u201d do Rush, o que completou a noite. Tocar no EMT, acompanhar o Aquiles em algumas m\u00fasicas e ainda tocar Rush, foi demais.<\/p>\n<p>Vig\u00e9simo sexto dia \u2013 Sorocaba e os atrasos dos festivais<\/p>\n<p>A noite anterior terminou cedo e fomos dormir por volta da uma da manh\u00e3. \u00c0s dez da manh\u00e3 sa\u00edmos em dire\u00e7\u00e3o a Sorocaba, onde ir\u00edamos participar de um festival junto com o Dr. Sin e a Andr\u00e9 Matos Band. Chegamos cedo, por volta das 13hs. Como ir\u00edamos usar as ferragens da batera do Aquiles e os tons da batera do Eloy, ficamos aguardando que as outras bandas chegassem. Infelizmente eles chegaram somente no final da tarde. Fomos para o hotel e voltamos para a passagem de som somente \u00e0s 19hs. O lugar \u00e9 bem legal em Sorocaba: palco grande , boa ilumina\u00e7\u00e3o&#8230;. O Dr. Sin chegou e nem passou som, foi tocar direto, o que fez com que as bandas de abertura locais fossem limadas por absoluta falta de tempo e atraso. O show deles foi cheio de energia. Acabamos emprestando os amps Maverick para o Ardanuy e o Warm Music para o Andria Busic, al\u00e9m do Ivan tamb\u00e9m ter tocado na mesma batera que o Aquiles e o Eloy. O show deles terminou 1hs30min e come\u00e7amos ouvir a galera cantando \u201cHangar, Hangar, Ol\u00e9, Ol\u00e9, Ol\u00e9, Ol\u00e9\u201d. Foi muito bacana. Subimos no palco e tocamos exatamente 75 minutos, como combinado. Muita gente cantando as m\u00fasicas. Encontramos a banda do Andr\u00e9 Matos no camarim, Eloy, Zaz\u00e1, Hugo, F\u00e1bio e o novo baixista Bruno. Foi o nosso oitavo show juntos. Nunca tivemos problema nenhum com os caras, bem pelo contr\u00e1rio, damos boas risadas. O Andr\u00e9 inclusive comentou comigo que esteve na minha cidade Gravata\u00ed h\u00e1 duas semanas, junto com Orquestra da Ulbra. Infelizmente eu n\u00e3o estava na cidade, mas fiquei sabendo que foi um sucesso. Ap\u00f3s passar pelo merchandising, sa\u00edmos do Plaza Hall e ainda conseguimos assistir uma parte do show do Andr\u00e9. Logo em seguida a van chegou e fomos para o hotel.<\/p>\n<p>Vig\u00e9simo s\u00e9timo dia \u2013 A surpresa em Presidente Prudente<\/p>\n<p>Sa\u00edmos de Sorocaba \u00e0s oito da manh\u00e3 em dire\u00e7\u00e3o a Presidente Prudente, cidade a cerca de 500 quil\u00f4metros de S\u00e3o Paulo. Foram 8 horas de viagem, onde todos j\u00e1 estavam bem cansados mesmo, muito mais por estarem longe de casa, e por ser o \u00faltimo show do m\u00eas. A sensa\u00e7\u00e3o de querer que tudo acabasse de uma vez estava mais do que presente. Fomos recebidos pelo Cesinha, que j\u00e1 produziu muitos shows na cidade e nos contou muitas hist\u00f3rias hil\u00e1rias, outras nem tanto. A produ\u00e7\u00e3o do C\u00e9sar foi perfeita, fomos tratados muito bem. O local do show era enorme e levamos um susto pensando que seria o nosso \u201cAnvil&#8217;s Day\u201d. Enquanto a equipe montava o equipamento eu estava no hotel e recebi uma liga\u00e7\u00e3o do Daniel \u201cPepe\u201d Fernandes, nosso t\u00e9cnico de som, dizendo que o Jefferson, mais conhecido como \u201cPirul\u00e3o\u201d tinha ido embora. N\u00e3o acreditei muito no momento, mas depois constatamos que o cara simplesmente pegou sua mala e foi embora pra casa depois de vinte e sete dias exaustivos e cansativos. Foi a \u201cespana\u00e7\u00e3o\u201d mais importante dos \u00faltimos tempos. Somos gratos ao Jefferson por fazer valer a nossa loucura, o cara n\u00e3o ag\u00fcentou at\u00e9 o final e \u201cpediu para sair\u201d. Se ele \u00e9 um fraco eu n\u00e3o sei, s\u00f3 sei que ficamos todos agradecidos a ele nos proporcionar mais um momento de certeza na nossa carreira. Pra fazer o que a gente faz precisa ter muita, mas muita fibra, caso contr\u00e1rio voc\u00ea pega as suas malas e foge como, ele fez&#8230; Voltando ao show, chegamos ao local por volta das 23 horas e encontramos um p\u00fablico de umas trezentas pessoas sedentas por metal. Foi insano. Talvez por falta de op\u00e7\u00f5es em uma cidade \u201cfora de m\u00e3o\u201d todas as tribos estavam l\u00e1. As rodas formadas nas passagens mais pesadas, as pessoas cantando as m\u00fasicas junto, n\u00e3o acreditando que est\u00e1vamos l\u00e1 e at\u00e9 mesmo um grupo de \u201cemos\u201d, com suas franjas engra\u00e7adas e com camisetas do Hangar e gritando a letra de \u201cTime to Forget\u201d, al\u00e9m de um punk com cabelo arrepiado que ficava dan\u00e7ando (pogueando) feito um pica-pau na frente do palco. No final convidamos o C\u00e9sinha para cantar \u201cPerfect Strangers\u201d conosco. Ainda tocamos a Master e a casa caiu. Todos enlouquecidos. Presidente Prudente comprovou uma das teses de que o que importa \u00e9 a boa m\u00fasica e n\u00e3o os segmentos. Conseguimos reunir em um \u00fanico show todos os amantes de m\u00fasica pesada. A energia da banda foi fora do comum, talvez pela pequena bronca que eu havia dado no Humberto e no Martinez na noite anterior, sim \u00e0s vezes eu me rebelo, rsrsrs, mas muito mais pelo p\u00fablico, que foi brilhante. No final, quando n\u00e3o havia mais ningu\u00e9m ainda arrumamos for\u00e7as para contar todo o merchandising e assim avaliarmos os resultados do m\u00eas.<\/p>\n<p>Vig\u00e9simo oitavo dia \u2013 A volta pra S\u00e3o Paulo e a \u201clenda dos pneus que explodem\u201d<\/p>\n<p>Sa\u00edmos de Presidente Prudente \u00e0s 10 horas da manh\u00e3, prevendo uma viagem tranq\u00fcila com chegada em S\u00e3o Paulo por volta das 18 horas. Tudo corria bem at\u00e9 que um dos pneus traseiros estourou. L\u00e1 vamos n\u00f3s novamente atr\u00e1s de um pneu. Era domingo e por sorte conseguimos comprar um antes da cidade de Ourinhos. Sab\u00edamos que est\u00e1vamos com problemas em alguns pneus, mas cerca de 200 quil\u00f4metros depois da troca, outro pneu cedeu em sua metade, vindo a explodir cerca de 50 quil\u00f4metros depois. N\u00e3o havia como comprarmos mais um pneu, visto que seria um gasto desnecess\u00e1rio, pois hav\u00edamos decidido comprar pneus novos na chegada a S\u00e3o Paulo. Colocamos o step \u201cmeia boca\u201d e seguimos viagem at\u00e9 S\u00e3o Paulo torcendo para que nada acontecesse. Bom, dois pneus em um dia j\u00e1 eram de bom tamanho, n\u00e9? Chegamos a S\u00e3o Paulo \u00e0s 23 horas e fomos dormir direto devido ao cansa\u00e7o. <\/p>\n<p>Vig\u00e9simo nono dia \u2013 A volta para casa e a lenda dos pneus parte 2<\/p>\n<p>Com a necessidade de colocarmos pneus novos no Infallibus, acordamos as 6hs30 para que o Aquiles o F\u00e1bio Didi fossem at\u00e9 Itaquaquecetuba consertar mais um maleiro, trocar um p\u00e1ra-brisas que havia trincado e comprar mais dois pneus novos. Eu acabei ficando em Congonhas, pois meu v\u00f4o estava marcado para as 10 horas. O Martinez e o F\u00e1bio Laguna seguiram para o Terminal Rodovi\u00e1rio Tiet\u00ea e rumaram para Caraguatatuba e Mococa, respectivamente. At\u00e9 o momento nos falamos somente por email, bem poucos mesmo. Voltaremos a nos encontrar dia 15 de setembro e a tour continua.<\/p>\n<p>Ep\u00edlogo<\/p>\n<p>Lembrar de todos os detalhes seria imposs\u00edvel. O que voc\u00eas acabaram de ler \u00e9 um resumo do m\u00eas de agosto com o Hangar, 10 pessoas, o Infallibus e mais de cinco toneladas de equipamento. Por falar do Infallibus, n\u00e3o posso deixar de comentar que depois de quase um ano que ele est\u00e1 conosco foi neste m\u00eas, em que praticamente moramos nele, que podemos apreciar a sua real utilidade e import\u00e2ncia. Acho que nos apegamos de tal forma aquela m\u00e1quina de motor potente que ele transformou as nossas vidas um pouco a cada dia. Hoje n\u00e3o imaginamos a banda sem o Infallibus. Pessoalmente acho que no decorrer dos anos ele vai se tornar uma lenda do metal nacional, um tipo de her\u00f3i de alum\u00ednio. Se vai acontecer ou n\u00e3o, somente o tempo poder\u00e1 confirmar. Se existe um sonho por tr\u00e1s de um grupo ou banda de rock posso afirmar que na nossa cabe\u00e7a este sonho est\u00e1 se concretizando. \u00c9 um longo caminho a percorrer, que leva anos a fio, mas o que sentimos na estrada \u00e9 a proximidade com o p\u00fablico. N\u00e3o nos escondemos atr\u00e1s ou em cima do palco, sa\u00edmos dele e vamos ao encontro das pessoas que nos ap\u00f3iam. A busca pelo show perfeito e pelo reconhecimento nos persegue e n\u00f3s a perseguimos sem parar. Uma vez eu disse que estava atr\u00e1s do pote no final do arco-\u00edris e o meu grande amigo Eduardo Martinez me disse que n\u00f3s j\u00e1 o hav\u00edamos achado. Hoje acho que ele tem raz\u00e3o, se tudo isto acabar daqui a alguns anos, saberemos que as amizades que fizemos continuar\u00e3o e que de alguma maneira ou outra uma pessoa que esteve em um show do Hangar o lembrar\u00e1 para sempre. Alguns talvez n\u00e3o lembrem nem o nome da m\u00fasica, ou os nossos ou mesmo da banda, mas algumas centenas lembrar\u00e3o daquela banda louca que tinha um \u00f4nibus personalizado e que fazia um puta show. Temos ainda uma longa trajet\u00f3ria a percorrer e esta turn\u00ea n\u00e3o est\u00e1 no fim n\u00e3o. Aguardem a continua\u00e7\u00e3o deste longo di\u00e1rio muito em breve. Apenas 31 cidades receberam a nossa visita. Ainda faltam muitas e n\u00f3s queremos ir at\u00e9 ai. O que voc\u00ea est\u00e1 esperando?<\/p>\n<p>Abra\u00e7os,<\/p>\n<p>Nando Mello e Hangar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>postado por Nando Mello Vinte e nove dias, treze shows, tr\u00eas workshows e treze mil quil\u00f4metros depois&#8230; Todas as vezes que precisamos fazer um di\u00e1rio sempre temos um pequeno impasse sobre quem ir\u00e1 come\u00e7ar. Desta vez foi diferente. 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