{"id":675,"date":"2014-06-17T21:44:39","date_gmt":"2014-06-17T21:44:39","guid":{"rendered":"http:\/\/hangar.mus.br\/site\/?p=675"},"modified":"2014-06-17T21:44:39","modified_gmt":"2014-06-17T21:44:39","slug":"diario-do-hangar-maio-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/diario-do-hangar-maio-de-2011\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio do Hangar &#8211; Maio de 2011"},"content":{"rendered":"<p>postado por Nando Mello<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio Dream Theater e a audi\u00e7\u00e3o do Aquiles.<br \/>\nCada vez que publicamos o di\u00e1rio de nossas aventuras costumamos receber v\u00e1rias mensagens de apoio e de considera\u00e7\u00e3o de pessoas que nos acompanham elogiando muito a sinceridade e a abertura que damos as pessoas de nos conhecerem como banda e tamb\u00e9m como indiv\u00edduos. N\u00e3o escondemos praticamente nada e isto cativa muitos de nossos seguidores, f\u00e3s e amigos. Seguindo esse perfil, n\u00e3o poderia deixar de escrever sobre este epis\u00f3dio que marcou muito a nossa carreira, mais em particular a de um dos nossos integrantes mais queridos, o Aquiles.<\/p>\n<p>Come\u00e7o pelo ano de 1992. As paradas eram dominadas por grupos como Guns\u2019n\u2019Roses, Skid Row e at\u00e9 mesmo o Iron Maiden com a sua famosa \u201cbalada\u201d Wasting Love. Eu vinha de outra gera\u00e7\u00e3o, acostumada \u00e0 repress\u00e3o contra a m\u00fasica \u201cpesada\u201d que dividia o espa\u00e7o com o \u201cprogressivo\u201d, palavra que deixou de ser usada hoje ou foi substitu\u00edda por \u201cprog\u201d ou \u201cprog power\u201d. As grandes bandas ainda eram o Led Zeppelin, Deep Purple, Rush, Yes, Pink Floyd, etc. Foi a\u00ed que li em uma Rock Brigade de 92 umanota sobre uma banda nova, que dizendo exatamente assim: \u201duma mistura de Metallica, Rush e Yes com uma sonoridade atual\u201d. A nota n\u00e3o tinha mais que uns 10cent\u00edmetros e trazia uma foto da banda e os dizeres \u201cDream Theater\u201d. Corri para a loja \u201cMegaforce\u201d e perguntei pela banda.<\/p>\n<p>O Ademir, dono do lugar, me trouxe uma \u201cfita cassete\u201d. Voc\u00ea que est\u00e1 lendo sabe o que \u00e9 uma \u201cfita cassete\u201d? Na \u00e9poca n\u00e3o existia CD nem downloads e a internet comercial demoraria mais cinco anos pra chegar ao Brasil. Sai com afita e escutei em casa pela primeira vez o \u201cImages and Words\u201d. Eu j\u00e1 tocava e a entrada do DT na minha vida causou um impacto muito forte. A banda representava a modernidade para o som que costumava escutar de bandas dos anos 70, principalmente o Yes, que eu particularmente venerava. A abordagem moderna dos m\u00fasicos, as letras inteligentes, os arranjos eram tudo que eu e v\u00e1rios amigos que se somaram na cidade gostavam de ouvir. A banda se tornou uma refer\u00eancia. Esta admira\u00e7\u00e3o seguiu durante os anos em todosos CDs lan\u00e7ados pela banda. Em 99, quando entrei para o Hangar encontrei o Michael, outro \u201cdreamtheaterman\u00edaco\u201d. Embora n\u00e3o fosse uma influ\u00eancia t\u00e3o clara para o Hangar, era inquestion\u00e1vel a admira\u00e7\u00e3o pela banda e seus m\u00fasicos. Passamos a tocar um \u201cmedley\u201d deles. Sim, os \u201cmedleys\u201d j\u00e1 existiam para o Hangar desde 99, era um do DT e outro do Pantera. N\u00e3o lembro bem mas acho que toc\u00e1vamos \u201cPull Me Under, Metropolise Under a Glass Moon\u201d.<\/p>\n<p>Mais ou menos uns 12 minutos de m\u00fasica. Tamb\u00e9m toc\u00e1vamos \u201cBurning my Soul\u201d. Assim como o Aquiles tem uma grande admira\u00e7\u00e3o por um baixista chamado Steve Harris, o contr\u00e1rio acabou acontecendo comigo, Mike Portnoy acabou se tornando um \u00edcone pra mim durante estes anos. Ele representava tudo aquilo que o DT tocava. Chegou 2008 e o DT iria tocar no Brasil em tr\u00eas cidades e por escolha pr\u00f3pria decidiria quem iria abrir os seus shows. Fiquei monitorando nosso email diariamente, at\u00e9 que apareceu l\u00e1 o convite assinado pelo pr\u00f3prio Mike Portnoy, convidando o Hangar para tocar em mar\u00e7o de 2008 no show em S\u00e3o Paulo. Lembro que sai falando alto pela casa, a emo\u00e7\u00e3o foi muito grande. No dia do show tive a oportunidade de conhecer os caras que sempre admirei. Rudess sempre brincando, sendo acolhedor. Petrucci na posi\u00e7\u00e3o de \u201cguitar hero\u201d, falando sobre equipamentos com o Martinez, Myung simplesmente falando somente \u201cHi\u201d e mais nada e o falastr\u00e3o e aparentemente l\u00edder do grupo, Mike Portnoy, que me falou que adorava Iron Maiden assim como n\u00f3s, que costumeiramente tocamos Iron em nossos shows. Neste dia inclusive o Aquiles entrevistou o Portnoy para uma revista nacional. O dia foi perfeito e o show mais ainda. Tive a oportunidade de levar o Lucas, meu filho, outro apaixonado pela banda a este show em S\u00e3o Paulo e nada como realizar o sonho de um filho. Ele saiu extasiado de l\u00e1 ao ver seus \u00eddolos t\u00e3o de perto. Todo estes par\u00e1grafos iniciais ilustram um pouco do significado e das palavras seguintes.<br \/>\nHangar e Dream Theater t\u00eam alguma coisa em comum?<\/p>\n<p>No \u00ednicio de setembro todos da comunidade musical tiveram a noticia surpresa de que Mike Portnoy estava deixando a sua banda. Quando li a \u201cnews\u201d liguei imediatamente pro Lucas pra contar. Ele ficou muito chateado, mas enfim s\u00e3o coisas que acontecem e ficamos conversando sobre os porqu\u00eas e afins de tal verdade. Passaram-se alguns dias e mais uma vez eu estava em casa tocando com o meu filho no est\u00fadio e o assunto voltou a tona. Mas quem poder\u00e1 substituir o cara na banda? Lembro que brinquei com o Lucas e falei: \u201dfaz uns quatro ou cinco dias que o Aquiles n\u00e3o me manda e-mail, isso \u00e9 estranho, tem alguma coisa no ar, rsrsrsrs\u201d. Um deja vu de 2000 quando da entrada dele no Angra me subiu a mente&#8230;Viajei para Tatu\u00ed onde nos encontramos para os ensaios do ac\u00fastico para e Expo 2010.<\/p>\n<p>Todas as bandas tem altos e baixos, momentos legais e outros nem tantos. Em setembro estavamos em um impasse sobre o que tinhamos feito at\u00e9 o momento com a tour do Infallible. Quando se tem uma banda assim com uma estrutura como a do Hangar as coisas ou se tornam imensamente mais f\u00e1ceis ou imensamente mais d\u00edficeis. Fazer metal no Brasil requer uma carga enorme de paci\u00eancia, investimento e a resposta pode n\u00e3o ser a que voc\u00ea realmente merece.Isso \u00e9 um fato. Naquela semana come\u00e7amos a conversar sobre o futuro eeu tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que a nossa miss\u00e3o como banda j\u00e1 estava cumprida. Posi\u00e7\u00f5es fortes sobre esta quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia no mercado&#8230; Temos fam\u00edlias, obriga\u00e7\u00f5es e n\u00e3o somente a festa que as pessoas veem no palco. A esta altura depois de falarmos muito finalmente o Aquiles come\u00e7ou a falar. Quando ele disse: \u201cvoc\u00eas sabem que o Portnoy saiu do DT? Recebi um email&#8230;\u201d. Enquanto o Aquiles tentava contar, n\u00f3s n\u00e3o conseguiamos parar de rir. Um riso de satisfa\u00e7\u00e3o, alegria, endorfinas a mil&#8230;<\/p>\n<p>Por todos os problemas que falamos naquela noite a sensa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s aquela not\u00edcia para mim era que \u201ctudo tem um objetivo\u201d. Talvez a banda tivesse que chegar at\u00e9 aqui para que outra coisa acontecesse mais adiante. Meu sentimento era de que \u201ctalvez estes 13 anos tivessem sido exatamente para vivermos este momento\u201d e que se tudo terminasse ali teria valido muito a pena.<\/p>\n<p>A noite foi pequena para a banda em Tatui. Conversamos muito sobre o que iriamos fazer e acabamos indo comemorar em um bar na cidade onde faltaram cervejas e \u201csex on the beach\u201d. Naquela altura do campeonato ningu\u00e9m tinha a exata no\u00e7\u00e3o de como seria a audi\u00e7\u00e3o e quantas pessoas eles chamariam. Eu imaginei que seriam dois ou tr\u00eas nomes, o que elevaria consideravelmente a possibilidade do Aquiles ser chamado. Tra\u00e7amos alguns objetivos e decidimos deixar o tempo passar pra ver o que iria acontecer. Desmarcamos alguns compromissos e deixamos o Aquiles a vontade para estudar e ensaiar as tr\u00eas m\u00fasicas da audi\u00e7\u00e3o. Nada seria mais importante do que o futuro dele naquele momento. Uma das coisas que carrego comigo e espero que a banda sempre pense assim, \u00e9 que a amizade e o respeito venham em primeiro lugar. Visualizar a consolida\u00e7\u00e3o da carreira de um de n\u00f3s de maneira grandiosa seria um grande feito e orgulho para todos, que come\u00e7amos pequeninos l\u00e1 nas nossas garagens a \u201cbrincar de rock\u201d. Durante a Expo lembro que est\u00e1vamos eu, o Aquiles e o Rafael Dias do Batera Store saindo da casa do Aquiles de carro e ele recebeu um email do Petrucci. O primeiro contato de um membro da banda. Ap\u00f3s a Expo, em setembro marcamos somente um show no inicio de novembro e deixamos o Aquiles completamente \u00e0 vontade para estudar.<\/p>\n<p>Embora quase que isolado em Tatu\u00ed estudando, mantive contatos espor\u00e1dicos para saber como ele estava e a expectativa. O visto n\u00e3o saia nunca e mesmo com a confirma\u00e7\u00e3o por carta da produ\u00e7\u00e3o do DT e da gravadora. A solu\u00e7\u00e3o foi um agendamento em Recife cinco dias antes da viagem, j\u00e1 confirmada com passagem e estadia. Este momento de stress com certeza foi pesado. <\/p>\n<p>Ficamos meses sem poder falar abertamente sobre este assunto. Al\u00e9m da minha fam\u00edlia, apenas o Rafael Dias e o Marcelo Rodrigues (outro grande amigo e DTman\u00edaco) e o Michael Polchowicz ficaram sabendo da novidade. Mesmo assim era algo dificil de esconder, na Expomusico boato foi espalhado por muita gente, mas nunca confirmado. No dia da audi\u00e7\u00e3o, exatamente na hora precisa lembro que o meu filho me ligou e disse \u201cn\u00e3o vai ser f\u00e1cil, mas o Aquiles \u00e9 um \u201ccara de banda\u201d e n\u00e3o um cara de \u201ccl\u00ednicas\u201d, e ele merece por toda a sua hist\u00f3ria e somos poucos mas estamos aqui torcendo como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3&#8230;\u201d. Eu desliguei o fone e pensei:\u201cmas de onde este \u201cguri\u201d tirou esta frase???\u201d Vai ver herdou alguma coisa do pai&#8230;hahahuhauhua.<br \/>\nAp\u00f3s uns dois dias da chegada do Aquiles no Brasil ele passou um email contando a experi\u00eancia. Um email com varias p\u00e1ginas, extenso, como ele n\u00e3o costuma fazer, geralmente prefere mensagnes curtas e objetivas. Entendi aquilo como um desabafo , ele precisava contar a experi\u00eancia. Depois no telefone ele admitiu que j\u00e1 sabia que n\u00e3o seria ele. Que ele n\u00e3o havia se sentido confort\u00e1vel tocando os novos Odd time signatures, etc&#8230;Nestas horas l\u00f3gico que a pessoa sente o momento e sabe se existiu a qu\u00edmica perfeita ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Abril e os v\u00eddeos<\/p>\n<p>Seria redundante falar sobre os meses que se seguiram ap\u00f3s outubro e novembro. Na real pelos ind\u00edcios e not\u00edcias todos da banda e do mundo musical l\u00e1 fora j\u00e1 sabiam que o prov\u00e1vel indicado seria o Mike Mangini. Isso ficou bem evidente ap\u00f3s a Namm em janeiro de 2011. Nestes meses uma das coisas que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi a imensa corrente positiva que se fez em torno da escolha do Aquiles. Muitas pessoas calcadas nos boatos aderiram a campanha pr\u00f3 Aquiles no DT. Isso foi muito positivo. Pessoalmente achei a edi\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos de acordo com o resultado, embora um pouco injusta com alguns bateras, mas isso com certeza com o passar do tempo ir\u00e1 ser ajustado quando mais imagens vierem a tona.<\/p>\n<p>Como toda \u00e1rvore que se planta e d\u00e1 frutos, resta ao Aquiles colher os frutos da experi\u00eancia que com certeza se estender\u00e3o para sempre na sua carreira e \u00e0 banda, tentar fazer um bom suco de gosto doce a apr\u00e1zivel com estes mesmos frutos. N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o se orgulhar desta experi\u00eancia. Para a banda foi um momento marcante. Sempre falamos que se acontece algo para um de n\u00f3s \u00e9 como se acontecesse para si pr\u00f3prio. Nos colocamos no lugar do outro e sentimos e vibramos com nossos avan\u00e7os, sentimentos, vontades e vit\u00f3rias. Neste epis\u00f3dio n\u00e3o foi diferente.<\/p>\n<p>A vida continua, ao alto e avante.<\/p>\n<p>Seguimos adiante com os shows e chegamos ao Rio de Janeiro no dia 07 de maio. Muita gente j\u00e1 tinha me falado que o Rio vive uma crise de shows com a falta de lugares apropriados para os eventos. Nosso show aconteceu na Lona Cultural de Campo Grande, cerca de 30 ou 40 km distante do centro da cidade. Fomos acolhidos com muito carinho pelo pessoal da produ\u00e7\u00e3o.O Bruno Borurguignon e sua equipe foram maravilhosos. Ficamos em uma pousada muito legal pr\u00f3xima ao local do show e rolou tudo tranquilo. Tivemos a oportunidade de reencontrar nossos amigos William , Joyce, Jorge Henrique, Dingo, Fernandinha. O William passou o dia conosco, pois mora muito perto. Ele ajudou a encontrar uma lan house para imprimir o set list. Acompanhou todo o processo da chegada at\u00e9 a hora de irmos embora. Fizemos um grande show para nossos amigos cariocas e esperamos em breve poder voltar \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>Bebedouro<\/p>\n<p>Dia 13 viajamos para Bebedouro onde realizamos um workshow no Teatro Municipal da cidade. Aqui cabe um par\u00eantese. Cada vez mais estamos desbravando os teatros das cidades. Teatros municipais e do Sesc j\u00e1 tornaram-se uma constante na nossa agenda, o que faz a gente muito feliz. \u00c9 mais uma conquista para o p\u00fablico de metal que consegue ver e ouvir um show com comodidade e qualidade. Fomos recebidos pelo grande amigo Rodrigo \u201cGanso\u201d, vocalista da banda VersOver. Montamos todo o set e o p\u00fablico compareceu em grande n\u00famero para o evento. No final o Rodrigo, a exemplo do que j\u00e1 havia acontecido na cidade de Catanduva, subiu ao palco e cantou \u201cMaster of Puppets\u201d conosco. Uma grande festa.<\/p>\n<p>Virada Cultural Paulista<\/p>\n<p>Pelo quarto ano consecutivo fomos convidados a participar da VCP. Estivemos duas vezes em Caraguatatuba e uma vez em S\u00e3o Bernardo do Campo. Nas outras vezes dividimos o palco com o Sepultura e o CPM22. Recebi a carta convite para o evento deste ano e a cidade que nos esperava seria Presidente Prudente, a cerca de 500 quil\u00f4metros da capital. Com o passar do tempo comecei a ouvir rumores de que a banda que iria tocar conosco seria o Angra. Um m\u00eas depois recebi a confirma\u00e7\u00e3o. Lembro que estava no EMT em S\u00e3o Paulo e na sa\u00edda encontrei o Rafael Bittencourt e ap\u00f3s os cumprimentos normais falei para ele que as duas bandas iriam tocar juntas em maio e que seria legal que isso enfim acontecesse. Assim que falei isso a express\u00e3o dele mudou um pouco e ele ficou meio s\u00e9rio. Acho que ele n\u00e3o sabia desse show. Enfim, achei legal levar a informa\u00e7\u00e3o embora n\u00e3o esperasse uma rea\u00e7\u00e3o t\u00e3o fechada. Ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o da noticia nos sites houve uma grande ocupa\u00e7\u00e3o por parte dos f\u00e3s pelo encontro das duas bandas, em especial do Aquiles e do F\u00e1bio com o restante da banda que eles participaram por v\u00e1rios anos. Todos sabem os motivos e as causas do que isso representa. Na verdade n\u00f3s n\u00e3o nos preocupamos muito com isso, apenas nos preparamos para um show que sabiamos que iria passar da casa das dez mil pessoas e como sempre levamos todo o nosso equipamento para evitarmos surpresas. Sa\u00edmos de Bebedouro por volta das 3 da manh\u00e3 e chegamos a Prudente \u00e0s 8 horas. O palco j\u00e1 estava montado e pontualmente \u00e0s 9h os carregadores chegaram e come\u00e7amos a descer nosso equipo do Infallibus. Uma das coisas que eu tenho que valorizar \u00e9 a nossa organiza\u00e7\u00e3o em dias de shows. \u00c9 muito legal ver nosso equipamento em cima do palco completamente coberto por cases azuis com o logo \u201cH\u201d pintado em todos os lados e nossa equipe toda uniformizada com camisetas da \u201cInfallible Crew\u201d.<\/p>\n<p>Isso causa um certo impacto quando visto do lado de fora da banda. E foi o que aconteceu esse dia. Recebemos muitos elogios e total apoio da equipe da VCP local. Lembro que achei um papel atirado no ch\u00e3o na \u00e1rea verde entre o palco e os camarins e fiquei procurando uma lixeira. Acabei encontrando a lixeira e minutos depois um senhor se dirigiu at\u00e9 mim e falou: \u201dfiquei observando e vim te dar os parab\u00e9ns\u201d. N\u00e3o entendi nada e ele completou: \u201cvoc\u00eas chegam aqui, d\u00e3o um show de organiza\u00e7\u00e3o e voc\u00ea que \u00e9 um dos m\u00fasicos da banda ainda fica procurando uma lixeira pra n\u00e3o deixar um papel no ch\u00e3o. Eu sou o Secretario de Cultura de Prudente e \u00e9 um prazer receb\u00ea-los aqui e no que puder ajudar, pode me procurar.\u201d Enquanto a Infallible Crew montava a bateria e os amplificadores, a equipe do Angra chegou e come\u00e7ou o seu trabalho. Eram todos nossos conhecidos e o trabalho seguiu tranquilamente.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o da VCP acabou antecipadamente nos colocando no melhor hor\u00e1rio da noite, \u00e0s 22hs30, com o auge de p\u00fablico, al\u00e9m de um camarim exclusivo, ao contr\u00e1rio das outras atra\u00e7\u00f5es que dividiam um camarim do outro lado da estrutura. J\u00e1 na tarde, observava-se a movimenta\u00e7\u00e3o no Parque do Povo, uma \u00e1rea verde enorme, praticamente o pulm\u00e3o da cidade. \u00c0s 14hs, nos dirigimos para a passagem de som, que ocorreu tranquilamente e depois descemos para uma entrevista para a sucursal da Rede Globo na cidade, mat\u00e9ria que foi ve\u00edculada no mesmo dia no jornal das 19horas. Na tarde fomos recepcionados pelo nosso amigo Cezinha, que tem um programa de r\u00e1dio na cidade e que promoveu nosso show no ano de 2009. Fomos at\u00e9 o shopping e almo\u00e7amos. A cidade parecia respirar m\u00fasica, muita gente de fora, Marilia, Paragua\u00e7u Paulista, Mato Grosso e do norte do Paran\u00e1. Voltamos ao palco por volta das 21 horas para a prepara\u00e7\u00e3o do show. Encontramos no backstage o grande baterista ga\u00facho Alexandre Fonseca que acompanhava a cantora Ana Can\u00e3s no evento. Levei-o at\u00e9 nosso camarim para encontrarmos com o Aquiles e ficamos trocando mem\u00f3rias sobre o tempo em que ele morava em Porto Alegre.<\/p>\n<p>A esta altura o backstage era uma tremenda confus\u00e3o com entra e sai de pessoas da imprensa, produ\u00e7\u00e3o e bandas. Nestes eventos sempre tento deixar a banda o mais a vontade poss\u00edvel e como n\u00e3o consigo ficar parado tento organizar tudo com a imprensa e convidados, filtrando os acessos para que tudo n\u00e3o vire uma grande desorganiza\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o temos um \u201cmanager\u201d, acabo assumindo um pouco desta fun\u00e7\u00e3o. Assim, organizei a ordem para as entrevistas antes do show. Foram muitas mas bem legais, com muito bom humor envolvido. Faltando 30minutos \u00e9 hora de encerrar tudo e deixar todo mundo se aquecer e se concentrar no show. Com som e luz perfeitos e 17mil pessoas na plateia n\u00e3o h\u00e1 como voc\u00ea n\u00e3o realizar um grande show. A energia do dia foi muito massa, todos na banda deram o m\u00e1ximo e eu via isso no sorriso de cada um enquanto a gente tocava.<\/p>\n<p>O Aquiles conseguiu estourar a pele da caixa, quebrar pedestal de prato, tocando com muita precis\u00e3o e for\u00e7a e ao mesmo tempo com um grande sorriso.O Humberto, o Martinez e o F\u00e1bio mandaram ver com uma energia contagiante. O p\u00fablico respondia a cada m\u00fasica com uma for\u00e7a incrivel. Foi um grande momento para o Hangar. Nestas ocasi\u00f5es, como bom nost\u00e1lgico que sou, lembro-me do passado, do in\u00edcio em Porto Alegre, e ali estava a banda com 17 mil pessoas apoiando.A sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o importava quem tocaria antes ou depois, nosso show seria o mesmo&#8230; No final tiramos uma foto para a posteridade e nos despedimos com os gritos de \u201cHangar\u201d vindo do p\u00fablico entusiasmado.Dizer que foi sensacional \u00e9 pouco.Descemos em dire\u00e7\u00e3o ao camarim e ao backstage e nos recolhemos por alguns instantes para celebrar. Trocamos de roupa e sa\u00edmos para atender a todos no backstage. A esta altura eu j\u00e1 estava falando com o pessoal da equipe para o desmonte do equipamento. Com uma \u00e1rea t\u00e3o pr\u00f3xima, afinal era um festival, acabamos encontrando todas as bandas. N\u00e3o foi diferente entre Hangar e Angra. O primeiro que encontrei foi o Rafael, nos cumprimentamos e desejei um \u00f3timo show para ele. Depois, no meio da muvuca do backstage, encontrei o Felipe e o Edu Falaschi e os levei at\u00e9 nosso camarim para um breve ol\u00e1.<\/p>\n<p>Nessa altura da carreira, mesmo com diferen\u00e7as no passado, a maturidade de um reencontro, um cumprimento, uma palavra sobre qualquer assunto que seja s\u00e3o benvindos. N\u00e3o h\u00e1 como deixar um passado para tr\u00e1s, ele faz parte do presente e sempre far\u00e1 parte do futuro.E foi assim, com grandeza, que ficamos por alguns bons minutos conversando no camarim.Logo no in\u00edcio do show do Angra nos divertimos bastante com a busca ao celular do Aquiles perdido em algum lugar&#8230;Reviramos todo o camarim enquanto eu ligava e o mesmo tocava, mas n\u00e3o consegu\u00edamos ouvi-lo. A solu\u00e7\u00e3o foi procurar no palco e ap\u00f3s uns 30 minutos o Aquiles encontrou o aparelho a cerca de 3 metros abaixo jogado na grama. Quando saimos do local em dire\u00e7\u00e3o ao hotel, encontramos cerca de 200 pessoas em volta do Infallibus. O pessoal n\u00e3o conseguia colocar nosso equipamento no onibus e tivemos que chamar a galera para a parte da frente do Infallibus, enquanto as equipes de seguran\u00e7a da Virada faziam um corredor para que o equipo e o pessoal passassem e tivessem acesso ao bus. A festa continuou por um bom tempo madrugada a dentro. O hotel era bem pr\u00f3ximo, mas consegui dormir cedo. No outro dia nos fomos para o teatro da cidade, onde fizemos um workshow completo, com apoio do nosso amigo Cezinha. Logo ap\u00f3s o evento,seguimos de volta a S\u00e3o Paulo, de onde cada um partiu para as suas casas para um bom descanso.<\/p>\n<p>Este foi o panorama dos meses de abril e maio, em breve estarei contando um pouco da aventura de junho em Panambi, Montenegro e Os\u00f3rio no Rio Grande do Sul, grandes surpresas e confus\u00f5es como sempre&#8230; at\u00e9 breve.<\/p>\n<p>Nando Mello<\/p>\n<p>Revis\u00e3o F\u00e1bio Laguna<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>postado por Nando Mello O epis\u00f3dio Dream Theater e a audi\u00e7\u00e3o do Aquiles. Cada vez que publicamos o di\u00e1rio de nossas aventuras costumamos receber v\u00e1rias mensagens de apoio e de considera\u00e7\u00e3o de pessoas que nos acompanham elogiando muito a sinceridade e a abertura que damos as pessoas de nos conhecerem como banda e tamb\u00e9m como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}