{"id":681,"date":"2011-09-16T21:49:21","date_gmt":"2011-09-16T21:49:21","guid":{"rendered":"http:\/\/hangar.mus.br\/site\/?p=681"},"modified":"2011-09-16T21:49:21","modified_gmt":"2011-09-16T21:49:21","slug":"diario-de-agosto2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hangar.mus.br\/website\/diario-de-agosto2011\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio de Agosto\/2011"},"content":{"rendered":"<p>postado por Nando Mello<br \/>\nAc\u00fastico, por que n\u00e3o?<\/p>\n<p>Para escrever o di\u00e1rio de agosto de 2011, voltarei no tempo. Para ser mais preciso, cerca de tr\u00eas ou quatro anos atr\u00e1s. Logo ap\u00f3s o lan\u00e7amento do TROYC, passamos a incorporar em nosso set um formato ac\u00fastico. Uma grande parte de nossas composi\u00e7\u00f5es foram feitas em viol\u00f5es. Por exemplo , &#8220;To Tame a Land&#8221;, &#8220;When The Darkness Takes You&#8221; e mais recentemente algumas m\u00fasicas do Infallible nasceram assim tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de dar continuidade a este fato, que faz parte da hist\u00f3ria musical da banda, achamos satisfat\u00f3rio incluir um formato que pudesse, ao mesmo tempo, ser diferente do set normal el\u00e9trico e tamb\u00e9m pudesse ser apresentado em lugares menores, mais introspectivos como escolas, teatros, audit\u00f3rios etc. A exemplo do que fizemos depois com o &#8220;workshow&#8221;, abrimos nosso portf\u00f3lio de apresenta\u00e7\u00f5es do Hangar com v\u00e1rias possibilidades, ficando a disposi\u00e7\u00e3o para qualquer tipo de local ou ambiente. O formato ac\u00fastico faz parte da nossa forma\u00e7\u00e3o. Eduardo Martinez \u00e9 Bacharel em Composi\u00e7\u00e3o e Viol\u00e3o e todos os outros tocam um pouco desse instrumento, al\u00e9m de terem sidos influenciados por bandas e artistas que sempre tiveram essa refer\u00eancia cal\u00e7ada em viol\u00f5es como in\u00fameros nomes que v\u00e3o desde Man\u00e1, Dave Matthews, os antigos MTVs ac\u00fasticos, etc etc.<\/p>\n<p>Dentro desse esp\u00edrito come\u00e7amos a tocar nosso set ac\u00fastico em mar\u00e7o de 2008. Tivemos at\u00e9 um DVD totalmente gravado nesse formato em maio de 2008, que no entanto n\u00e3o foi lan\u00e7ado por motivos de troca de vocalista. Durante todos esses anos exercitamos o set &#8211; e repetindo, fomos influenciados por ele em v\u00e1rias passagens do disco Infallible de 2009. &#8220;Based on a True Story&#8221; \u00e9 um bom exemplo disso, al\u00e9m de &#8220;Time to Forget&#8221; e &#8220;Solitary Mind&#8221;.<\/p>\n<p>O ano de 2011 chegou e recebemos uma proposta de grava\u00e7\u00e3o de um registro nesses moldes, por volta do m\u00eas de mar\u00e7o. O FX Est\u00fadio abriu as portas para que n\u00f3s grav\u00e1ssemos o disco, coisa que para qual, depend\u00edamos apenas e t\u00e3o apenas da nossa disponibilidade. Uma \u00f3tima oportunidade de darmos sequ\u00eancia a Infallible Tour antes de lan\u00e7armos o pr\u00f3ximo CD e a pr\u00f3xima tour em 2012. Se a hist\u00f3ria fosse simples assim, n\u00e3o seria t\u00e3o longa.<br \/>\nProblemas<\/p>\n<p>N\u00f3s t\u00ednhamos agenda praticamente lotada at\u00e9 julho de 2011. Em alguns intervalos poder\u00edamos come\u00e7ar a gravar e assim foi decidido. Por\u00e9m, um problema n\u00e3o saia da nossa cabe\u00e7a. Por volta de abril, o Humberto come\u00e7ou a demonstrar a sua insatisfa\u00e7\u00e3o com alguns problemas particulares. Como est\u00e1vamos sempre na correria, convers\u00e1vamos sempre sobre isso e demos um jeito de ir levando, &#8220;empurrando com a barriga&#8221;. A corda foi esticando e chegou em um momento que tivemos que parar tudo e tomar decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Final de maio nos reunimos para fazer a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do disco. Refizemos v\u00e1rios arranjos e o Aquiles imediatamente come\u00e7ou a gravar, seguido por mim. Quando se lan\u00e7a um CD, as pessoas em sua maioria n\u00e3o sabem o que isso implica, mas com certeza devem imaginar; envolve uma quantidade de pessoas capacitadas. Engenheiros de som, roadies, produ\u00e7\u00e3o, horas e mais horas de grava\u00e7\u00f5es e muito trabalho. \u00c9 um trabalho que envolve comprometimento e muito dinheiro, mesmo que \u00e0s vezes em parceria com algu\u00e9m. Ou seja, a sua responsabilidade \u00e9 muito grande!<\/p>\n<p>Sa\u00edmos para tocar no sul no in\u00edcio do m\u00eas de junho. E no dia 12 de junho, na cidade de Os\u00f3rio, ap\u00f3s o show nos reunimos e decidimos, em comum acordo, que o Humberto deveria voltar para Manaus depois do nosso \u00faltimo compromisso que ter\u00edamos no dia 22 de julho, no SESC Pomp\u00e9ia. A decis\u00e3o levou em considera\u00e7\u00e3o que ele deveria procurar a sua felicidade e n\u00f3s respeit\u00e1-lo quanto aos seus problemas. Foi impactante! O Aquiles at\u00e9 hoje me cobra internamente que eu escolhi todos os vocalistas da banda e sempre acontece alguma coisa e as pessoas acabam indo embora. \u00c9 claro que eu levo isso na brincadeira, porque eu vejo isso de outra maneira. Eu tenho muita coragem de indicar o cara porque \u00e9 o melhor para a minha banda no momento. N\u00e3o h\u00e1 como saber se a pessoa vai apresentar problemas depois, se ir\u00e1 embora, se ir\u00e1 abandonar o barco ou se ir\u00e1 ficar eternamente com a gente. A \u00fanica certeza que tenho \u00e9 que n\u00f3s quatro, que tocamos juntos h\u00e1 cerca de 12 anos, estamos a\u00ed, sempre em frente e avante! Eu sei que ningu\u00e9m tem culpa de nada, as coisas acontecem e as pessoas pensam no que \u00e9 melhor para elas. Em alguns momentos eu sou bastante rude porque n\u00e3o consigo entender, mas n\u00e3o h\u00e1 o que fazer, somente agradecer o tempo que estiveram conosco e torcer para que as etapas amargas sejam breves para os dois lados.<br \/>\nGravar com quem?<\/p>\n<p>Enquanto o Humberto cumpria suas datas conosco, quebramos as cabe\u00e7as pensando em quem poderia gravar o CD e como que conduzir\u00edamos isso junto aos nossos f\u00e3s, j\u00e1 bastante machucados com as nossas intensas troca de vocalistas. Estive em casa durante o m\u00eas de junho, quando o Daniel Fernandes e o Rodrigo Batata, nosso engenheiro de som e t\u00e9cnico de bateria, mostraram-me um clip de uma m\u00fasica chamada &#8220;Neblim&#8221;. Uma orquestra e o Eloy Casagrande na bateria e uma grande voz, que at\u00e9 ent\u00e3o era desconhecida para mim: Andr\u00e9 Leite. Chamei o Aquiles e mostrei a imagem. Dois dias depois, o Aquiles entrou em contato com o Andr\u00e9 e come\u00e7ou a explicar a situa\u00e7\u00e3o a ele. J\u00e1 est\u00e1vamos no in\u00edcio do m\u00eas de julho e a grava\u00e7\u00e3o de viol\u00e3o e teclados j\u00e1 haviam come\u00e7ado. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era confort\u00e1vel para ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Durante muitos shows vivemos uma situa\u00e7\u00e3o de total inseguran\u00e7a. Um vocalista em cima do palco com prazo para ir embora e resolver seus problemas, sem prazo para voltar e um outro no est\u00fadio, prestes a gravar um disco novo com o Hangar. Confesso que o m\u00eas de julho foi complicado.<br \/>\nOpini\u00e3o<\/p>\n<p>Quando eu tinha entre 14 e 15 anos, lembro-me de n\u00e3o entender o porque que o Deep Purple tinha trocado de vocalista e baixista. Alguns discos tinham o Gillan e o Glover, outros o Coverdale e o Glenn Hughes. Eu sei que o f\u00e3 gosta de estabilidade. Na Europa isso \u00e9 mais comum. O senso de profissionalismo \u00e9 muito mais agu\u00e7ado e as trocas nas bandas s\u00e3o vistas como trabalho e nada mais. Aqui, no pa\u00eds &#8220;caliente&#8221;, a coisa \u00e9 diferente. As trocas ferem o emocional do cara que gosta da banda, sente-se tra\u00eddo. Como se a banda fosse uma fraude ou qualquer coisa enganosa.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa hora que temos que recorrer ao exerc\u00edcio de pensamento ao contr\u00e1rio. Tentar entender o que a banda passa nesse momento \u00e9 essencial. Quando aceitamos um novo elemento no grupo temos a sensa\u00e7\u00e3o de que desta vez acertamos e n\u00e3o h\u00e1 nenhum indicativo de que alguma coisa est\u00e1 errada. A conviv\u00eancia, o tempo , a batalha do dia-a-dia \u00e9 que fazem a diferen\u00e7a. Se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 preparado para isso, a fraqueza que \u00e9 uma inimiga em qualquer circunst\u00e2ncia pode ser mortal e desfazer o seu sonho. O sonho da continuidade, no nosso caso, mais uma vez esteve por um fio. Eu posso respeitar o momento do Humberto e dos nossos f\u00e3s, mas tamb\u00e9m tenho que respeitar o momento da banda, das pessoas que est\u00e3o aqui do outro lado, batalhando, trabalhando, dedicando horas e horas para que o Hangar avance sempre mais. N\u00e3o h\u00e1 como se esquecer disso, pois aqui s\u00f3 h\u00e1 espa\u00e7o para a valentia e n\u00e3o ant\u00f4nimos pequenos!<br \/>\nBut plugged in<\/p>\n<p>Durante o m\u00eas de julho seguimos com as grava\u00e7\u00f5es do Acoustic. Os arranjos e os timbres ficaram excepcionais! O baixo para mim, claro, foi um caso a parte. Sendo um disco ac\u00fastico ele ganhou destaque com linhas j\u00e1 antigas, algumas novas e outras tantas concebidas for\u00e7osamente durante a grava\u00e7\u00e3o, indo ao encontro dos novos arranjos de bateria.<\/p>\n<p>Conheci o Andr\u00e9 e fiquei muito impressionado com sua humildade, muito mais com sua afina\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m com a sua postura como artista; muito pr\u00f3-ativo. O Aquiles passou quase o m\u00eas todo envolvido com a produ\u00e7\u00e3o, mixagem, masteriza\u00e7\u00e3o, capa, fotos etc. Junto com um time de profissionais de respeito como: o Th\u00e9o Vieira (mixagem, arranjos, voz), Vanessa Doi (dire\u00e7\u00e3o de arte do encarte e capa), Renan Facciolo (fotos), Ricardo Aquino (t\u00e9cnico de grava\u00e7\u00e3o), Durval da Gama (FX Est\u00fadio), Nat\u00e1lia Lett (fotos), Arthur Bevilacqua e Pirata (making off), Jo\u00e3o Duarte e Marina Dickinson (sites, artes e myspaces), Daniel Piqu\u00ea (dire\u00e7\u00e3o de arte dos v\u00eddeos), Heros Trench (masteriza\u00e7\u00e3o), al\u00e9m de pessoas pr\u00f3ximas como a S\u00f4nia Paha e sua equipe da Lady Snake, que abra\u00e7ou esse projeto conosco. S\u00e3o mais de 20 pessoas em sintonia! E \u00e9 essa jun\u00e7\u00e3o de ideias e pessoas movidas por um objetivo, que levaram a banda adiante! Foi um alento importante para aquele momento. Passamos a canalizar positividade em volta do processo e de uma data: 10 de setembro.<br \/>\n\u00daltima etapa<br \/>\nNa \u00faltima semana de agosto nos reunimos para a \u00faltima etapa do CD. Gravamos em S\u00e3o Paulo, no est\u00fadio FX o clip de uma m\u00fasica antiga nossa e que ser\u00e1 lan\u00e7ada at\u00e9 o final do ano. Daniel Piqu\u00ea fez um trabalho muito bom com o pouco espa\u00e7o que t\u00ednhamos. Dois dias depois est\u00e1vamos em S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Para\u00edso, no est\u00fadio do Daniel, onde registramos o clip da m\u00fasica in\u00e9dita do disco &#8220;Haunted by your Ghosts&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Haunted&#8221; nasceu de uma ideia pr\u00e9-concebida pelo Aquiles que imediatamente musiquei no baixo, seguido pela introdu\u00e7\u00e3o do F\u00e1bio e de um verso com ideias do Theo Vieira e do Martinez. Um trabalho em equipe! Tratando-se de uma m\u00fasica sem guitarra com distor\u00e7\u00e3o, o recado foi dado. Ela pulsa para cima, que era o que precis\u00e1vamos para aquele momento.<br \/>\nFuturo<\/p>\n<p>O futuro \u00e9 o aqui e agora!<br \/>\nDisco novo e vocalista novo!<br \/>\nNosso trabalho est\u00e1 a\u00ed e foi feito de cora\u00e7\u00e3o. Em 90% dos casos, as pessoas n\u00e3o tem ideia do que acontece dentro de uma banda, portanto fica f\u00e1cil julgar. Um di\u00e1rio s\u00f3 \u00e9 escrito ap\u00f3s as coisas acontecerem e a vida \u00e9 cheia de etapas. Nada acontece por acaso. Temos que passar por um momento que nas nossas cabe\u00e7as n\u00e3o \u00e9 de incertezas, mas sim de muitas certezas! O que fazemos sempre foi pela banda e pelo melhor para quem gosta dela. Algumas coisas fogem do nosso controle, no entanto se isso acontece, significam que s\u00e3o para o melhor. N\u00e3o h\u00e1 muros que n\u00e3o possam ser contornados. Nesse curto espa\u00e7o de tempo nos aproximamos mais ainda e ouvindo a letra de &#8220;Haunted by your Ghosts&#8221;, percebo algumas palavras que eu mesmo teria dito, mas que acabaram saindo da cabe\u00e7a e dos dedos de Aquiles em seu notebook, com uma sinergia que eu nunca havia experimentado:<\/p>\n<p>&#8220;I will never let you play with my life<br \/>\nJust take a breathe and start again<br \/>\nA brand new day, never the same<br \/>\nThere is no time to cry<br \/>\nWhen you learn to lose<br \/>\nThere are no limits in your way<br \/>\nWhen you share a dream<br \/>\nyou don&#8217;t look back on yesterday&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Se voc\u00ea entendeu isso, venha conosco! Pois o trem n\u00e3o pode parar e ele anda a alta velocidade!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>postado por Nando Mello Ac\u00fastico, por que n\u00e3o? Para escrever o di\u00e1rio de agosto de 2011, voltarei no tempo. Para ser mais preciso, cerca de tr\u00eas ou quatro anos atr\u00e1s. 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